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“Aposta Máxima” não é um filme para quem gosta de pôquer

Pedro Nogueira, 14 out 2013

Ou de cinema.

aposta máxima

Nem a boa performance de Affleck salvou o longa

Existe uma palavra mágica que me convence a assistir qualquer filme: pôquer. Se há uma dose de carteado e fichas na história, o estúdio já garantiu os R$ 20 do meu ingresso. E Aposta Máxima não podia fugir à regra.

No filme, Justin Timberlake interpreta o estudante Richie Furst, que após ser vítima de uma fraude no pôquer online, vai até a Costa Rica para confrontar o dono do site, Ivan Block, vivido por Ben Affleck. A viagem acaba rendendo a Richie um emprego na empresa de Block. O que parecia ser o emprego dos sonhos, porém, revela-se um pesadelo repleto de violência e fraudes financeiras.

Então você me pergunta: “E qual foi a sua mão preferida do filme, Pedro Nogueira?” Ao que respondo: “Nenhuma.” E não pense você que as mãos disputadas ao longo da história são fracas. Elas simplesmente não existem. Exatamente. Um filme que tem o pôquer como tema central, sem uma mísera rodada de Texas Hold’em.

Não bastasse isso, o pôquer é tratado como uma doença terminal em Aposta Máxima. O pai de Richie é um perdedor nato e falido; seu professor em Princeton, onde ele está cursando um mestrado, torra o dinheiro que usaria para levar sua esposa para viajar na mesa; e Richie, além de perder suas economias no site de Block, ainda é tratado como um criminoso na faculdade por incentivar seus colegas a jogar. Só há perdedores, nenhum ganhador.

E, assim, os produtores fizeram um filme que não reflete a realidade do pôquer atual, que se tornou uma respeitável profissão para várias pessoas e uma fonte de diversão barata para muitas outras — os jogos mais populares da internet são de graça ou com cacifes inferiores a 50 dólares. A única pessoa que parece de fato lucrar com o pôquer em Aposta Máxima é o trapaceiro Block, que gasta fortunas para corromper as autoridades da Costa Rica e dos Estados Unidos para manter o seu ilícito negócio funcionando.

O filme tem como inspiração uma história real: a fraude do Full Tilt Poker, que foi desmascarada pelo FBI em 2011. Na ocasião, os donos do site usaram em benefício próprio o dinheiro depositado pelos jogadores. Resultado? O Full Tilt ficou sem fundo para pagar os saques de seus usuários. A situação foi resolvida com a aquisição da empresa pelo concorrente PokerStars, que honrou as dívidas acumuladas por seus donos anteriores.

No entanto, os roteiristas tiraram uma licença poética para inserir espancamentos, torturas e assassinatos na trama. Isso não seria um grande problema, se deixasse o roteiro mais interessante. Pena que não é o caso. Além disso, Aposta Máxima é repleto de personagens caricatos e batidos: o herói relutante (Justin), o vilão cínico (Affleck), a ex-criminosa arrependida (Gemma Arterton) e o agente federal escandaloso (Anthony Mackie).

Aposta Máxima pode ser definido como um thriller genérico de Hollywood. Parece até um clone piorado de Quebrando a Banca (2008). Ao usar a história do Full Tilt como base, os produtores tinham tudo para fazer um filme icônico, que abordasse as raízes e consequências da maior fraude da história do pôquer. Aquele foi um episódio riquíssimo em incríveis histórias de vida prontas para serem exploradas.

Mas, ironicamente, eles não tiveram coragem de arriscar, apesar de estarem fazendo um filme sobre jogo, e seguiram a velha fórmula do blockbuster. Se estava em seus planos assistir Aposta Máxima, então, melhor gastar os R$ 20 do ingresso alugando Cartas na Mesa (1998) ou The Cincinatti Kid (1965). Estes, sim, capazes de proporcionar ao espectador a emoção e suspense de uma carta no river.

publicado em » Cinema/Televisão, Entretenimento

Sobre o autor: Pedro Nogueira

Louco por pôquer, maluco por xadrez, viciado em sinuca e editor-chefe do El Hombre





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