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Como fazer a sorte jogar a seu favor

Roberto Amado, 17 mai 2014

Não adiante esperar, sentado no sofá, o acaso de favorecer: é preciso estar preparado para quando a oportunidade surgir.

Sorte na vida

Muitas vezes “sorte” é sinônimo de “mérito”

No filme Match Point, de Woody Allen, um pequeno detalhe circunstancial é decisivo na vida do personagem.

Tão decisivo quanto uma bola, durante um jogo de tênis, que bate na fita da rede e vai para um lado ou outro da quadra, determinando o ganhador do ponto, do game, do set e até do jogo.

Woody Allen é um dos muitos que acredita no acaso como fator determinante dos rumos que a vida toma para cada um.

O acaso existe — chamamos assim os acontecimentos que estão fora de nosso controle. Até porque seria muito arrogante e presunçoso acreditar que temos controle sobre todos os acontecimentos da vida.

O acaso também é chamado, pelos supersticiosos,  de “sorte”. Por  “determinação divina”, pelos religiosos. Por “oportunidade” pelos homens de negócio. E por tantos outros nomes, dependendo da abordagem, da filosofia e da crença de cada um.

Esqueça essas cartilhas de sucesso que se proliferam nos livros de autoajuda e que só servem mesmo para dar sorte — e dinheiro — ao autor. Acaso é apenas acaso e, conceitualmente, só o é quando não se pode ter controle sobre os fatos.

Em tese, colecionar figas, meditar, rezar ou seguir receitas de sucesso não influenciam em nada nas circunstâncias em que os acasos se revelam.

A RELAÇÃO ENTRE SORTE E MÉRITO

O que é realmente intrigante é a constatação de que, para algumas pessoas, o acaso ocorre frequentemente de maneira favorável. São os chamados “sortudos”.

Aqueles que ganham na loteria, que têm oportunidades profissionais espetaculares “caídas do céu”, conquistam mulheres impossíveis, encontram apartamentos descoladíssimos para morar e entram no vestibular sem estudar.

Uma parte dessas conquistas são obtidas por mérito. Outra parte delas vem da capacidade afiada de observar oportunidades. Mas, com certeza, há muito do acaso no sucesso de alguns.

Até porque mérito não é determinante na nossa sociedade — não vivemos numa meritocracia. O mérito pode ser, sim, contemplado, mas nem sempre é decisivo.

O mesmo ocorre com as chamadas oportunidades. De fato, elas podem ocorrer também por acaso, ou por circunstâncias favoráveis ou, ainda, por outros fatores — como bons relacionamentos profissionais e sociais.

Faça um exercício: procure se lembrar dos fatos em que você foi contemplado com algum tipo de “sorte” — ou melhor, de algum acaso favorável. Pequenos ou grandes, eles sempre existem. Você vai perceber que não foi possível controlar essas situações.

E o mesmo vale para o “azar”, que também é acaso, mas negativo.

Então como fazer — já que o acaso está fora de controle?

FAÇA A SUA PARTE E AJUDE A SUA SORTE

Ora, não é possível fazer nada. Possível é apenas fazer a sua parte. Em outras palavras, obter mérito, desenvolver sua percepção para oportunidades, evoluir profissionalmente e pessoalmente e torcer para que o acaso o contemple positivamente.

Nesse sentido, vale sim adotar alguns recursos propagados pelas cartilhas de sucesso que circulam por aí. A concentração é um deles — ou “foco” como adoram chamar os candidatos a ter sucesso na vida na área de negócios.

A concentração permite, como diz a própria palavra, dar atenção intensa a um objetivo ou a um caminho. Dizem os budistas que tudo na vida deve ser feito com esse tipo de atenção.

Até mesmo nas atividades mais prosaicas, como lavar a louça e escovar os dentes. Não se deve, nessa hora, “aproveitar” para pensar em problemas e transformar a atividade em gestos mecânicos. O exercício da concentração — e, de resto, da vida — está em todos os detalhes.

Algumas práticas, muito utilizadas, são, no fundo, gestos que aumentam essa concentração. Quando um supersticioso, por exemplo, usa a mesma meia “da sorte” para as entrevistas de emprego está, no fundo, utilizando referências que, de uma forma ou de outra, o conduzem à concentração.

Pode funcionar, mais ou menos.  Para os religiosos, rezar também pode ter essa função. E é o caso também da meditação.

São apenas alguns exemplos cuja utilidade varia com o indivíduo. As melhores práticas são sempre individuais e cabe a você defini-las.

O que é importante nisso tudo é ter consciência daquilo que você pode controlar — ou seja, você mesmo — e daquilo que você não pode: o acaso. Faça a sua parte e deixe, relaxadamente, o acaso te favorecer.

Não fique esperando a sorte (ou a morte) chegar.

publicado em » Comportamento

Sobre o autor: Roberto Amado

Sobrinho de Jorge, o jornalista, cronista e escritor Roberto Amado já foi indicado ao prêmio Jabuti. Ele traz ao El Hombre textos sobre a boa -- e às vezes dura -- vida de solteiro.






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