10 censuras clássicas a capas de grandes discos – parte 2

É incrível como os tempos mudam. O que seria considerado absolutamente inaceitável 50 anos atrás, hoje tem boas chances de cair na graça do povo sem contratempo algum.

Capas de discos, por exemplo.

Há centenas de álbuns que, ao longo dos anos, caíram na categoria “polêmico” ou “agressivo” por conta de suas capas. O que é um assunto totalmente discutível, já que a imagem ofensiva está nos olhos de quem vê.

Beatles, Alice Cooper, Tom Zé, Pantera… todos eles colecionam capas que hoje seriam brinquedo de bebê, mas que à época de seus lançamentos tiveram que contornar a brigada da ordem para ganhar a luz do dia.

Sangue, nudez, sexy demais, agressivas demais… as desculpas são várias, o objetivo é um só: deixar o lojista feliz e o ouvinte “protegido”.

Aliás, tempos atrás chegamos a apresentar por aqui uma relação de capas de discos censuradas por serem “sexy demais”.

A matéria trouxe boas histórias. Fez sucesso. Pois essa é a sua versão 2.0.

Com uma pitada de ajuda dos leitores do El Hombre, eis mais 10 álbuns que suaram para chegar às prateleiras – e que guardam boas histórias de como driblaram a censura.

Alice Cooper – Love It to Death

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Não há como não amar Alice Cooper por essa.

A capa original de Love It to Death trazia Mr Cooper na clássica brincadeira de enfiar o dedo pelo buraco do zíper das calças. O mundo, claro, entendeu outra coisa. Ficou chocado. Na versão censurada, simplesmente apagaram o “membro” do cara.

A mudança ocorreu quando o disco foi relançado pela Warner Brothers, em 1971 – o selo anterior, Straight label, que pertencia a Frank Zappa, deixou a imagem passar numa boa.

Hoje artigo raro, a capa original da bolacha ficou carinhosamente conhecida entre os fãs como a “cover thumb” (ou “capa do dedo”).

Que tal?

The Beatles – Yesterday and Today

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Para a capa desse álbum lançado em 1966 apenas nos EUA e Canadá, os Beatles se apresentaram como açougueiros, com direito a carne crua e bebês de brinquedo desmembrados.

Lennon e cia acharam engraçado. O restante das pessoas não entendeu a brincadeira. Resultado? A Capital Records correu para relançar o álbum com, segundo dizem, a única imagem do grupo que tinha disponível na ocasião.

Lulu Santos – Toda Forma de Amor

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Sim, no Brasil também há censura.

Toda Forma de Amor foi um dos maiores sucessos da carreira do cantor e compositor carioca, mas causou grande polêmica em 1988 por conta de sua capa. Em sua versão original, o álbum trazia o casal Barbie e Ken peladões na cama. Na contracapa, lá estavam eles novamente: na cama, em quatro posições diferentes.

Acharam que se tratava de um gravíssimo ultraje à moral e aos bons costumes. A gravadora, portanto, foi obrigada a recolher os discos das lojas e substituí-los por outros com uma capa totalmente preta, trazendo apenas o nome do disco.

Para não deixar barato, a gravadora estampou na tal nova capa um aviso de que fora obrigada a alterá-la.

Ted Nugent – Love Grenade

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Não somos a favor de censura, pode acreditar. Mas olha, vamos combinar que uma mulher pelada, amarrada em cima de um prato e com uma granada na boca não foi uma escolha tão sensata, hein, Ted?

Bat For LashesThe Haunted Man

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A capa de The Haunted Man serve para mostrar que mesmo a nudez de bom gosto, e sem exatamente mostrar parte íntima alguma, pode deixar a censura em polvorosa.

“A capa não é sobre sexualidade, mas uma rica amostra de coisas que você pode representar com um corpo nu: honestidade e simplicidade, por exemplo”, chegou a dizer a cantora inglesa Natasha Khan à época.

Não impediu os lojistas de grudarem adesivos pretos em cima da foto.

Pantera – Far Beyond Driven

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Não é de estranhar que a gravadora do Pantera tenha resistido a capa original de Far Beyond Driven. Ou o que você acha da imagem de uma broca entrando naquele lugar onde o sol não brilha?

A saída encontrada por eles foi trocar a… hmm… bunda, digamos assim, pelo lobo frontal. Mantendo a broca, claro.

Tom ZéTodos os Olhos

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Criada em 1973 e até hoje polêmica, essa já foi considerada a segunda melhor capa do século 20 pela Folha de São Paulo. Em 2011, também fez parte de uma exposição com as melhores 50 capas de discos de todos os tempos.

Mesmo com tudo isso, ainda guarda um mistério: a foto, afinal, é de um cu ou de uma boca com a tal bola de gude?

Segundo o próprio Tom Zé, embora a ideia inicial fosse mesmo ter um cu – levando a expressão “olho do cu” ao pé da letra para tirar um sarro da censura vigente –, eles acabaram desistindo na última hora e usando uma boca.

Em um documentário sobre Todos os Olhos (que, aliás, você pode assistir aqui), o músico conta que a foto original chegou a ser feita pelo poeta Décio Pignatari, autor da ideia. “Hoje eu tô contando isso e vão dizer que é mentira, porque a história do cu é muito mais interessante”, diz ele.

E é mesmo, Tom.

White ZombieSupersexy Swingin Sounds

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E o império norte-americano ataca outra vez.

Mega lojas como Walmart não ficaram muito felizes quando viram uma loira nua e sorridente deitada na rede. Sem pensar duas vezes meteram um biquíni azul na moça, salvando a humanidade de tamanha agressividade sexual.

Roxy Music – Country Life

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Diz a lenda que o Bryan Ferry conheceu as modelos Constanze Karoli e Eveline Grunwald em Portugal. E não teve dúvidas: convidou as duas para posar para a capa de Country Life.

Naturalmente, a foto não agradou em alguns mercados (alguma dúvida de que o norte-americano era um deles?) e o disco teve que ser relançado em 1974 sem Constanze e Eveline, apenas com o arbusto na capa.

Janes Addiction – Ritual de lo Habitual

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O líder do Jane’s Addiction (e papa do Lollapalooza Festival) Perry Farrell enlouqueceu quando as pessoas começaram a pedir que a sua arte fosse censurada.

Como forma de protesto, decidiu por uma capa totalmente branca. Com apenas uma frase escrita: o texto da Primeira Emenda da constituição dos EUA que garante a liberdade de expressão.

Simples assim.