As 7 melhores prisões do mundo

Thiago Sievers
Thiago Sievers Head de Parcerias

Há algum tempo fizemos um texto falando sobre as piores prisões do mundo. Ainda que não haja penitenciarias brasileiras na lista, a matéria nos faz parar para analisar bem se vale a pena pegar aquele Bubbaloo na padaria sem pagar. Até porque sabemos que em nosso país esses lugares não costumam receber uma atenção carinhosa do Estado.

Agora, então, viemos trazer um outro olhar sobre o assunto. Vamos falar sobre as melhores prisões do mundo. Aquelas que são capazes até de lhe fazer considerar um crime. Um pequeno crime. Mas algo com mais emoção do que roubar um chiclete. Sei lá, andar pelado na rua. Quem sabe.

Há diversas prisões interessantes no mundo, que oferecem boas acomodações aos detentos e uma filosofia de reabilitação próxima do ideal. É o caso JVA Fuhlsbuettel, na Alemanha, a prisão de Otago, na Nova Zelândia, a Sollentuna e a Champ-Dollon, na Suíça (essa última esteve com sérios problemas de superlotação, mas após receber um investimento de cerca de US$ 40 milhões as coisas parecem ter melhorado) e outras nos Estados Unidos. Mas procuramos separar aquelas que se destacam por alguma peculiaridade curiosa.

E eis o que encontramos.

7# Pondok Bangu (Indonésia)

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“Ei, uma prisão indonesiana está nessa lista?”, você deve estar se perguntando. E a resposta é “sim”. Mas serve apenas para quem tem dinheiro.

Em Pondok Bangu ficam detidos os criminosos que têm bala para comprar um lugar em suas luxuosas dependências. O lugar conta com um jardim cheio de esculturas, mobilias interessantes, ar condicionado e geladeira nas celas. Sem falar no karaokê, no salão de beleza e no spa.

Infelizmente essa prisão só é “melhor” para os detentos e não para a sociedade. Talvez quem tenha que ser reeducado, nesse caso, sejam aqueles que tiveram a infeliz ideia de criar uma instituição como a Pondok Bangu.

6# Aranjuez (Espanha)

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Essa talvez seja a prisão com a filosofia mais polêmica da lista.

A Aranjuez, na Espanha, é a única penitenciária familiar do mundo. A ideia é que os pais não precisem se separar de seus filhos enquanto eles ainda não forem grandes o suficientes para perceber a realidade de uma prisão (até os 3 anos).

As celas vêm com berços, decoração com personagens da Disney e também com um acesso para o playground do lugar. Tanto as famílias como as psicólogas do cárcere entendem não ser essa uma situação ideal para a crianças, mas pensam que o fato da família estar unida é algo positivo para todos.

Os casais precisam passar por um período de dois meses de observação para provar que podem viver juntos numa relação saudável com seus filhos.

5# Litla-Hraun (Islândia)

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Hosmany Ramons é um ex-cirurgião plástico brasileiro que foi preso na Islândia em 2010 com acusações de roubo de joias e carros, contrabando, tráfico e homicídio. Mas quando a Justiça brasileira estava para determinar a extradição do rapaz, ele logo disse: “Terá que vir com argumentos robustos.”

Isso porque Ramos estava hospedado num hotel de luxo, segundo suas próprias impressões, que na verdade era a prisão de Litla-Hraunim.

Segundo ele, 70% dos guardas são mulheres, a prisão tem apenas 80 detentos, a comida é de restaurante e os presos recebem um salário de R$145 para “comprar chocolates e cigarros”, além de contarem com uma sala de musculação de luxo, pátio para momentos de lazer e escola para estudar computação e até a língua local. Nada mal.

4# Prem Central (Tailândia)

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A prisão de Prem Central não se compara com as outras da lista em termos de “atividades de entretenimento” ou mesmo de luxo. Mas lá eles podem fazer algo que os prisioneiros dos outros lugares não podem: surrar outros detentos. Eles não só podem fazer isso com permissão da prisão como ganham dinheiro e até têm a pena reduzida se forem bem sucedidos na tarefa. Se você não está entendendo nada, explicamos.

Sabemos que a Tailândia é o país do Muay Thai. É disso que estamos falando.

Lá é organizado um evento em que os presos da Prem Central lutam contra detentos de outros países. Se eles vencerem a disputa (o que quase sempre acontece, já que geralmente lutam desde criança e treinam todos os dias), além de ganharem uma recompensa financeira eles podem encurtar seu tempo dentro da prisão. Para isso, precisam também ter um bom comportamento, vale notar.

O Coconuts TV fez uma matéria bem legal sobre as lutas na prisão.

3# Leoben Justice Center (Áustria)

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Se o seu negócio for beleza arquitetônica (e crime, claro) certamente o lugar ideal será o Leoben Justice Center, na Áustria. A prisão tem uma arquitetura impressionante, de deixar qualquer um boquiaberto. Mas vale ressaltar que nessa penitenciária só são aceitos aqueles que cometeram crimes não-violentos.

Os quartos ali são individuais com banheiro e cozinha. Muitos espaços não têm sequer barras de segurança. Os presos também podem se divertir numa quadra de basquete e futebol, malhando na sala de musculação ou jogando um ping-pong ao ar livre.

A preservação da humanidade dos presos é observada pela diretoria. É possível ler no Leoben Justice Center: “Todas as pessoas privadas de sua liberdade devem ser tratadas com humanidade e respeito pela inerente dignidade do ser humano.”

A prisão abriga um tribunal em seu interior. Talvez seja esse um dos motivos da palavra “justice” em seu nome.

2# Halden (Noruega)

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Gosta de arte? Sugerimos, então, uma passada no Halden – se tiver coragem de se enquadram na categoria de um delinquente, é claro.

A prisão de Halden gastou cerca de US$ 1 milhão em obras de arte. Já que o ambiente carcerário pode ser bem desagradável, os diretores do lugar resolveram fazer de tudo para harmonizar os ambientes.

Os quartos, que são individuais, são dignos de um hotel respeitável, levando banheiro com azulejos de cerâmica e televisões de tela fina (para evitar possíveis esconderijos de drogas). Cada 10 celas dividem uma cozinha e uma sala de estar.

Há quadra de basquete, pista de cooper, parede para escalada e campo de futebol. Não gosta de nada disso? Então você pode tentar a sorte gravando um som no estúdio de música do lugar, que é equipado com aparelhos profissionais.

Os guardas da prisão são importantíssimos na filosofia e prática do Halden. Metade são mulheres, pois os dirigentes acreditam que isso reduz a tensão com os detentos. Seu papel é de motivar os presos para que eles sejam educados e reabilitados. Além disso, eles conduzem atividades esportivas das 8h às 20h, e jogam e fazem as refeições junto dos presos. São necessários 2 anos de treinamento para se tornar um guarda na Noruega.

Os criminosos ainda têm aulas de desenho e gastronomia que os auxiliam a sair de lá mais preparados para a vida social.

1# Bastoy (Noruega)

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Procurando um resort para as férias? Que tal a prisão Bastey, na Noruega? Lá você vai encontrar uma praia para pegar um sol, diversos pontos de pesca, sauna e quadra de tênis. Há também cavalos no local, sem contar os cursos, como o de computação.

O problema é que não basta um telefonema para reservar um quarto, ainda é preciso ser um criminoso.

O funcionamento da Bastoy chega a ser absurdamente surreal para nós, brasileiros. A prisão é uma ilha e a única coisa que a limita é a água em sua volta – nada de muros ou guardas armados. A fuga, ainda que dificultada pelo rio, é bem possível. Mas o diretor do lugar Arne Kvernvik Nilsen conversa com o detento quando ele chega e avisa: se você fugir e conseguir alcançar a terra livre, dê uma ligada e avise que está tudo bem, assim a gente não tem que enviar um guarda para procurá-lo.

A confiança parece sera base da relação com os presos. Eles ficam com as chaves das próprias celas e o controle é feito por um mecanismo de “check in” durante todo o dia.

O lugar funciona mais ou menos como uma vila auto-sustentável. O pouco mais de 100 prisioneiros trabalham em diversas funções e a jornada diária vai das 8h30 às 15h30 nos dias úteis. E, acreditem, eles são pagos. Algo em torno de US$ 10 por dia, segundo essa matéria da CNN de 2012. E eles podem guardar o dinheiro ou gastar ali mesmo, nas lojas que têm no local.

Se você acha que é muita moleza para gente que cometeu crimes como homicídios, estupros e outros, Nielsen tem um recado: “Qual o problema se criamos um acampamento de férias para criminosos? Devemos reduzir o risco de incidência, porque, se não o fizermos, qual o ponto da punição senão o de inclinar-se para o lado primitivo da humanidade?”

E parece que funciona. A Bastoy tem uma taxa de incidência de seus presos de apenas 16% – a mais baixa da Europa. Quase nada se comparada com a do Brasil (70%) ou mesmo dos Estados Unidos (40%).

Quem sabe um dia.