8 álbuns históricos que foram esculachados pela crítica

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Royal Blood. Conhece?

Pois o duo formado por Mike Kerr e Ben Thatcher é a mais nova sensação da música britânica. Formada em Brighton, a banda produz um blues rock garageiro que vem fazendo cair o queixo da Rainha. Fica no meio do caminho entre o lo fi (ou low fidelity) refinado do White Stripes e a crueza empacotada do Black Keys (assim como eles, apostam em apenas dois instrumentos: neste caso, baixo e bateria).

Na última semana a dupla Kerr e Thatcher lançou seu auto-intitulado álbum de estreia, e o resultado foi o seguinte: a bolacha foi direto ao número 1 das paradas, vendeu 66 mil cópias em apenas sete dias e se tornou o debut de rock mais vendido em sua semana de lançamento desde 2011, superando Noel Gallagher e o seu High Flying Birds e até mesmo estreias mais longínquas de outros gigantes do rock inglês, como Kasabian e Muse.

Se o disco é tudo isso? Se você deve correr para a rede social mais próxima e dar um jeito de descolar o álbum?

Bem, aí é uma longa discussão…

Nem sempre as melhores obras ganham o merecido reconhecimento assim que veem a luz do dia. Há uma série de artistas que caem na graça alheia do dia para a noite apenas para cair no esquecimento tempos mais tarde. Os famosos one hit wonders.

Por outro lado, existem aqueles álbuns que inicialmente não parecem trazer grande recheio, mas quando bem maturados acabam entrando para o rol dos clássicos.

Não é preciso fazer esforço para lembrar de grandes clássicos da música que não passaram de fracasso quando de seus lançamentos. Alguns deles chegaram a ser esculachados pela crítica.

A lista é grande, diversa, ultrapassa gerações. Vai de Led Zeppelin a Arcade Fire, Rolling Stones a Radiohead.

É aquela velha máxima: mais vale o sim tardio que o não vazio. Ou, quem ri por último ri melhor.

Conheça 8 álbuns clássicos que demoraram a pegar no tranco. Mas que hoje estão aí, eternizados na história da música.

Led Zeppelin – Led Zeppelin

Em 2003, a estreia do Led Zeppelin foi eleita pela revista Rolling Stone como um dos 500 maiores álbuns de todos os tempos. Em 2004, foi introduzida ao Grammy Hall of Fame. Mas em 1969, quando o disco chegou às prateleiras, ele foi recebido assim: “O Robert Plant soa como uma cópia do Rod Stewart, mas não chega nem perto dele. Já o Jimmy Page se mostra um produtor limitado, além de um músico destinado a escrever canções fracas e sem imaginação”.

As palavras do jornalista John Mendelsohn fizeram Page boicotar a Rolling Stone EUA por anos a fio.

Muse – Showbiz

Embora o título sugerisse outra coisa, o primeiro disco do Muse não passou do número 29 nas paradas britânicas quando de seu lançamento. Desde 1999, porém, já soma mais de 700 mil cópias vendidas, e abriu caminho para os quatro top 1 lançados pelo trio liderado por Matt Bellamy.

Black Sabbath – Black Sabbath

Considerado por muitos o primeiro álbum de heavy metal de todos os tempos, Black Sabbath foi assim descrito pelo lendário crítico da Rolling Stone EUA, Lester Bangs: “O álbum todo é uma enganação – apesar dos títulos obscuros e letras provocadoras, ele não tem nada a ver com espiritualismo, o oculto ou nada de mais a não ser riffs que tentam imitar o Cream de Eric Clapton, fazendo os músicos soarem como se tivessem aprendido a tocar a partir de um livro de violão”.

Se arrependimento matasse, hein Lester…

Daft Punk – Discovery

Quando recebeu em suas mãos o segundo álbum da dupla Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo, o crítico musical Robert Christgau (um dos mais renomeados do planeta) veio com essa: “Esses caras são tão franceses que eu quero arrancar fora os seus fígados. ‘One More Time’ não passa de uma novidade passageira aqui pelos EUA”.

Mal sabia ele que Discovery ultrapassaria a marca de 3 milhões de cópias vendidas e que “One More Time” é, ainda hoje, o maior sucesso do Daft Punk.

The xx – xx

Verdadeira obra prima dos anos 00, o álbum de estreia do trio londrino The xx vendeu uma mixaria em sua primeira semana: módicas 4.180 cópias. Foi só em 2010, um ano depois de chegar às prateleiras, quando o disco foi indicado ao Mercury Prize, que ele saltou para o top 15 nas paradas do Reino Unido.

Rolling Stones – Exile on Main Street

Exile on Main Street passa o tempo todo repetindo a mesma música das mais variadas formas que os Rolling Stones conseguiram. Se por um lado o disco mostra a consistência que a banda sempre teve, por outro faz você querer deixar ele rolando e esquecer que está ouvindo.”

Lançado em 1972, o lendário álbum duplo dos Stones recebeu críticas pesadas como essa, do renomado jornalista musical Lenny Kaye. O que não o impediu de ser eleito pelas mais variadas publicações, entre elas Q, Entertainment Weekly e Rolling Stone, como um dos melhores discos de todos os tempos. Nem de ser nomeado pelo Rock and Roll Hall of Fame o sexto em sua lista definitiva dos “200 álbuns que todo fã de música deve ter”.

Radiohead – Ok Computer

O mesmo Robert Christgau que esculachou o Daft Punk veio com essa, logo após ouvir a obra prima do Radiohead, em 1997. “A ideia deles de alma é o Bono, a quem não cansam de imitar sob o risco de parecerem ainda mais ridículos do que já são.”

O que dizer a Robert? Que Ok Computer emplacou hits como “Paranoid Android” e “Karma Police”, vendeu mais de 8 milhões de cópias e é tido por muitos como o álbum que antecipou o estilo de vida do século 21.

Arcade Fire – Funeral

Quando chegou às prateleiras, em setembro de 2004, Funeral aparentava ser apenas mais uma promessa indie a cair no esquecimento. Em sua semana de estreia, não passou das 4.782 cópias vendidas.

Dez anos mais tarde e lá estão os canadenses encabeçando o line up do Glastonbury Festival…

Tomás Bello

Jornalista de cultura pop, comanda o estúdio de branded content Oui Oui e escreve sobre música para o El Hombre. Foi editor da revista Noize e apresentador nas rádios Oi FM, Ipanema FM e 95bFM. Já entrevistou uma porrada de gente grande da música pop, entre eles The Black Keys, Justice, Queens of the Stone Age e The xx. Acredita que a música é a cura para todo mal.

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