Teoria das 10.000 horas: o que podemos aprender (ou não) com ela

Você já ouviu falar na teoria das 10.000 horas? Em 1993, um professor da Universidade de Colorado chamado Anders Ericsson publicou uma pesquisa que causou barulho no mundo acadêmico.

Ele acompanhou vários estudantes de violino, desde a infância até o final da adolescência, para descobrir o que diferenciava os músicos extraordinários dos medianos.

Ao final do estudo, Ericsson constatou que os violinistas mais talentosos eram aqueles que haviam praticado uma média de 10.000 horas, enquanto os que exibiam a menor dose de talento eram os que praticaram somente 4.000 horas ao todo.

Como consequência, o pesquisador concluiu que “muitas das características que outrora acreditávamos refletir um talento inato são na realidade resultado de uma prática que se estende por um mínimo de dez anos”.

VOCÊ PODE VIRAR EXPERT EM QUALQUER COISA?

Anos mais tarde, em 2008, Malcolm Gladwell baseou-se na pesquisa para escrever o livro Outliers – Fora de Série, um best-seller internacional. Como o título indica, ele gira em torno de pessoas que possuem habilidades excepcionais, buscando compreender como elas se destacaram em suas áreas.

Foi aí que surgiu a teoria das 10.000 horas de Gladwell. Segundo ela, se nos dedicarmos 10.000 horas a qualquer atividade, seremos capazes de virar experts nela. Isso é o equivalente a 3 horas por dia durante 10 anos.

Mas seria assim mesmo? A teoria causou polêmica e foi contestada inclusive pelo próprio Ericsson, o autor da pesquisa original com os violinistas. Ele destacou que essas 10.000 foram uma média. Certas pessoas no estudo conseguiram atingir proficiência com menos, enquanto outras precisaram de até 25,000 horas.

A IMPORTÂNCIA DO TREINO INTELIGENTE

Fatores como disposição genética e o talento natural, notou Ericsson, poderiam alterar para cima ou para baixo esse número. E o objeto estudado por ele foi especificamente o violino, que requer um volume altíssimo de dedicação para você virar um praticante de nível internacional.

Ericsson também chamou a atenção para a qualidade do treino. “O pianista amador que treina as mesmas músicas durante 30 anos pode ter acumulado 10.000 horas de prática, mas não melhorou”, disse. Daí a importância de praticar com sabedoria.

O fato é que a teoria de Gladwell tem falhas, mas ainda assim ela nos ensina uma lição valiosa: que o esforço pode compensar — ou até mesmo superar — o talento. Seu “número mágico” é assustador, mas ele diz respeito a atividades ultracompetitivas e com foco no profissionalismo.

Se você quer ser simplesmente dominar um hobbie, com uma fração dessas 10.000 já vai conseguir. É uma questão se esforçar e, como bem observou Ericsson, adotar um treinamento inteligente.

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