Desenvolvimento Pessoal

A antipatia está fodendo suas oportunidades na vida?

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“Antes de te conhecer eu te achava metida.” Então, se eu ganhasse uma fatia de bolo de tapioca toda vez que ouvisse isso, estaria sendo metida e obesa.

A verdade é que eu morro de inveja das pessoas simpáticas. Das que comem e não engordam, das que têm covinhas nas bochechas, das que conseguem se divertir sem álcool… Mas especialmente das pessoas simpáticas.

A vida das pessoas simpáticas é infinitamente mais fácil do que a das pessoas antissociais como eu.

Pessoas simpáticas são convidadas para festas de meros conhecidos enquanto eu só vou aos aniversários dos meus amigos chegados. Pessoas simpáticas se enturmam facilmente no trabalho e na faculdade, têm lugar pra se hospedar em quase todos os lugares para os quais querem viajar, são liberados mais facilmente de blitz policiais mesmo quando há algo de errado e são, em geral, os filhos preferidos.

Quer dizer, ser simpático é um ótimo negócio.

O PODER DO SORRISO

Hoje em dia existe uma fixação das pessoas pela antipatia. Deram pra achar bonito ser esnobe, deselegante e exageradamente sincero.

Ser legal caiu tanto de moda que tornou-se ligeiramente irritante. Especialmente quando se é legal demais. Mas preferia ser irritante — porque, vamos combinar, são mesmo — e ter as facilidades que as pessoas irritantemente simpáticas geralmente têm.

Senti isso pela primeira vez quando precisei conseguir patrocínio para o lançamento do meu primeiro livro. Não sabia sorrir, elogiar, fazer cena para depois chegar onde eu queria. Ia direto ao ponto e levava “nãos” cada vez mais sonoros.

A cena mais épica foi quando me distraía com um celular enquanto esperava o patrocinador em potencial. Ele entrou na sala e eu continuei distraída, sem desviar os olhos da tela. Ele me olhou como quem pensava: “Mas que tipo de louca entra aqui pra me pedir algo e nem olha na minha cara?”. Acho que eu nunca enrubesci tanto.

Daí em diante, foi uma catástrofe, como vocês podem imaginar. Não falei coisa com coisa. Em duas frases o meu pedido estava feito, sem sorrisinho e nem pedido de desculpas. Que merda.

Ele me olhou com uma cara de quem ainda me achava uma completa esquisita e me disse o mais sorridente “sim” de todos os tempos. Que inveja.

“AQUELE CARA SUPER GENTE BOA”

“Acho que eu posso fazer isso sozinho, você não é simpática”, foi o que o meu namorado, que estava me ajudando, me disse depois do primeiro dia em que saímos para conseguir patrocinadores.

Eu tive certeza que pessoas antipáticas não chegavam a lugar nenhum na vida. Então eu estava condenada a ser uma fracassada? Ao que me consta, sim.

Agora eu, que antes considerava meu mau humor habitual completamente inofensivo, tenho agora como meta ser legal. Minimamente legal.

Segurar a onda quando me fizerem perguntas óbvias. Dizer “minha nossa, esse seu vestido é maravilhoso!” Convidar novos conhecidos para tomar um chope. Sorrir no trânsito.

Resumindo, forçar simpatia, já que ela não nasceu comigo. E ser monotonamente simpática pra ter uma vida mais ou menos fácil por ter boas relações interpessoais.

Quando começarem a se referir a mim como “Nathalí, aquela menina super gente boa, sabe quem é?” eu vou saber que eu atingi o meu objetivo de vida.

Que merda de objetivo, mas eu vou começar agora: um beijo, leitores lindos e fofos!

Nathali Macedo

Colunista, autora do livro "As Mulheres que Possuo", feminista, poetisa, aspirante a advogada e editora do portal Ingênua. Canta blues nas horas vagas.

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