As 5 características essenciais do estrategista corporativo

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Aprendi a gostar de estratégia na época em que eu era estudante de administração. Desde as primeiras aulas fiquei fascinado por um tema que é muito antigo e ao mesmo tempo contemporâneo. Na verdade, os primeiros estrategistas da história sugiram nas organizações militares. Um passeio pelos acontecimentos fará você se deparar com figuras do quilate de Alexandre Magno, Napoleão Bonaparte, Winston Churchill e outros mais.

A partir do século XX o mundo empresarial passou a estudar mais profundamente a estratégia, a ponto de fazer uma transposição da dimensão militar para as organizações. Assim, a estratégia empresarial deu origem a vários pensadores e vem sendo vista como uma das mais ricas áreas para se estudar sobre gestão.

A popularização do termo estratégia, entretanto, tem gerado alguns efeitos colaterais. Um deles é o mau entendimento da palavra estrategista. O senso comum considera o estrategista como sendo uma pessoa perigosa, ardilosa, que sempre quer levar vantagem e que não hesitará em prejudicar alguém que se contraponha aos seus interesses mesquinhos. Sinceramente, essa visão pejorativa e caricatural do estrategista me incomoda e me aborrece muito, pois é falsa e preconceituosa.

Afirmo com convicção, meu caro leitor, que você e eu precisamos ser estrategistas se quisermos alcançar o sucesso em nossas carreiras e empresas. Tal como os generais aplicam forças e recursos para vencer seus inimigos e conquistar seus objetivos, nós temos concorrentes e metas a alcançar. Por isso, precisamos desenvolver a visão e o raciocínio estratégicos. As principais características dos estrategistas são:

Orientação para Resultados

Os estrategistas apreciam o doce sabor da vitória. São obstinados por vencer desafios. Não entram no jogo para participar simplesmente ou fazer número. Sua principal motivação é ganhar. São pragmáticos ao extremo: qualquer passo dado tem uma conexão lógica com resultados a alcançar. Seu cérebro é guiado pela relação custo x benefício.

Visão de Longo Prazo

Freqüentemente os estrategistas são rotulados como loucos ou visionários. Na verdade, eles enxergam oportunidades onde as pessoas comuns não vêem nada… Imagine que você tenha um terreno na praia e chame um arquiteto para fazer um projeto.

No dia em que você o levar pela primeira vez ao local ele vai visualizar a casa com detalhes. Você (e eu) só veríamos areia. Porque? Ele tem raciocínio espacial. Tal como o arquiteto, precisamos enxergar nossas estratégias futuras mais longe que os outros.

Visão Periférica

O estrategista consegue monitorar um grande número de variáveis que podem representar oportunidades ou ameaças aos seus objetivos.

Assim sendo, é vital que ele seja alguém extremamente bem informado sobre o que está acontecendo em seu ramo de negócios, bem como o que os concorrentes andam fazendo, as preferências do cliente, as inovações tecnológicas, as decisões do governo, a legislação vigente, as demandas da sociedade, os impactos que a conjuntura econômica gera em seu negócio, dentre outras forças.

Flexibilidade

A capacidade de adaptação é uma marca dos grandes estrategistas. Numa batalha, haverá o instante para se lançar ousadamente ao ataque, mas também poderá haver a necessidade de parar e aguardar o melhor momento, fingindo inatividade, ou ainda recuar quando o cenário for hostil.

Muitos estudiosos de estratégia afirmam que uma das principais causas da derrota alemã na II Guerra foi a falta de flexibilidade. Eles se consideravam superiores e, portanto, os mentores da melhor estratégia. Jamais admitiriam mudar aquilo que consideravam perfeito e invencível.

Os acontecimentos se encarregaram de mostrar quem estava com a razão. Por mais poderosa que seja sua estrutura e seus recursos, por mais inteligente que seja sua estratégia, nunca perca de vista a necessidade de se adaptar ao ambiente.

Criatividade

Quem é criativo se destaca em meio à multidão. Copiar estratégias dos outros pode ser uma decisão segura para o curto prazo.

Porém esse conservadorismo e falta de ousadia o condenarão a sempre ser visto como um elemento que gravita em torno da média e não demonstra capacidade de transpor a fronteira que o colocará entre os melhores. Uma pitada de criatividade potencializará os efeitos de suas estratégias.

Flávio Emílio Cavalcanti

Flávio Emílio Cavalcanti é professor universitário, consultor organizacional, administrador e mestre em Gestão de Recursos Humanos.

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