finanças pessoais

As fontes do dinheiro | Maestria financeira #1

Olá, senhores! Este é o primeiro capítulo de uma série de 6 artigos que André Massaro, um dos maiores educadores financeiros do Brasil, está produzindo para ajudar os leitores do El Hombre a conquistarem a tão sonhada independência financeira. Fique ligado para não perder nenhum capítulo desta série.

***

Por ANDRÉ MASSARO

O maestro é aquele sujeito que conduz a orquestra. Para quem é leigo em música, o maestro pode parecer apenas um cara que fica “balançando uma varinha” em frente aos músicos que estão, efetivamente, executando a música. Porém, um maestro digno da posição é alguém que poderia estar tocando qualquer daqueles instrumentos. E seu profundo conhecimento da música o coloca em posição de poder reger a orquestra, e não de ser regido por ela.

“Maestria financeira” é uma situação em que, assim como o maestro da orquestra, estamos dirigindo nossas finanças (e não sendo dirigidos por elas). O objetivo desta série especial, para o El Hombre, é fazer com que você esteja em condição de conduzir suas finanças da mesma forma que o maestro conduz a orquestra – com segurança, harmonia e fluidez.

E, para isso, você vai ter que aprender alguns dos “instrumentos” das finanças. Em cada artigo desta série, será abordado um aspecto importante das finanças pessoais, para que a sua vida financeira seja conduzida da melhor forma, sem “desafinar”. E vamos começar, exatamente, pelo começo, que são as “fontes do dinheiro”.

Primeiramente, entendendo o que é “gestão financeira”

Gestão financeira é algo que pode ser definido de várias formas. Mas, aqui, vamos tratar de uma perspectiva mais simplificada e voltada para o indivíduo. Inclusive, existe uma área do conhecimento chamada de “finanças pessoais” (é do que estamos tratando aqui…), que é voltada para a gestão financeira de indivíduos e famílias – e vamos nos restringir a essa perspectiva individual – especificamente à SUA perspectiva.

Mas, enfim, vamos encarar a gestão financeira como a observação, a análise e o controle do “dinheiro que entra” e do “dinheiro que sai”. Então, a partir deste momento, encare suas finanças como se fossem (e, de fato, são) um “fluxo” – o dinheiro “entra” na forma de renda (é o que trataremos neste artigo) e “sai” na forma de consumo ou de investimentos (que poderão gerar mais renda no futuro).

A importância da renda

A renda (“dinheiro que entra”) é, então, o começo de tudo. A renda é a “energia vital” das finanças. Eu posso te dar todas as dicas e orientações sobre investimentos e sobre como poupar dinheiro, mas, se você não tiver renda, essas dicas terão uma utilidade muito limitada.

Ocasionalmente podemos, ao longo da vida, viver sem fontes de renda. É o que acontece, por exemplo, numa situação de perda de emprego: o dinheiro para de entrar e temos que “esticar” as nossas reservas financeiras (ou nos endividar) para sobrevivermos até conseguirmos uma nova fonte de renda.

Mas é imprescindível que se obtenha uma ou mais novas fontes de renda, pois reservas financeiras acabam e nossa capacidade de endividamento tem limites. Viver sem renda por períodos prolongados é algo que nos leva a uma situação de falência pessoal.

 

Os dois tipos de renda

Existem dois tipos de renda, e todas as fontes de dinheiro estão enquadradas nessas categorias: a renda oriunda do trabalho e a renda do patrimônio (também chamada de renda passiva).

1# Renda oriunda do trabalho

Esse é o tipo de renda mais comum: é quando recebemos dinheiro como compensação por fazer alguma coisa. É o dinheiro que ganhamos quando “levantamos a bunda da cadeira” e fazemos algo para alguém. Algo que, supostamente, tem valor para outras pessoas e essas pessoas vão nos recompensar por isso.

Os exemplos mais comuns de renda oriunda do trabalho são os salários (para aqueles que têm um emprego), o pro labore (que remunera o trabalho do empresário em seu próprio negócio), os honorários dos profissionais autônomos, comissões de vendas e outras.

Todas essas fontes de renda têm, em comum, o fato de que “fizemos algo” e (surpresa!) é a origem da renda da maioria das pessoas do mundo.

Pois é… É um fato da vida que, em todos os lugares do mundo, a esmagadora maioria das pessoas precisa trabalhar para sobreviver.

2# Renda oriunda do patrimônio (ou renda passiva)

O segundo tipo de renda é a renda oriunda do patrimônio. Esse é um tipo de renda que não vem daquilo que a gente FAZ, mas daquilo que a gente TEM. Por isso é conhecida como renda passiva.

O patrimônio é algo que gera renda, simplesmente, por “existir”. Ele representa recursos que você conquistou e você permite que outras pessoas usufruam deles, te pagando por isso.

Por exemplo: um imóvel. Você tem uma casa e você não mora nela. Você pode permitir que outra pessoa more na sua casa te pagando por isso (um aluguel).

Outro exemplo é o dinheiro em si. Se você tem dinheiro sobrando, e não vai usar, pode permitir que outras pessoas o usem. Você pode emprestar para um banco (que vai te pagar juros) ou comprar ações de uma empresa (se tornando sócio dela).

Mais um exemplo: patrimônio intelectual (ou capital intelectual). Se você escrever um livro ou desenvolver um aplicativo, você estará disponibilizando seu conhecimento para que outras pessoas se beneficiem dele.

O patrimônio é, então, aquilo que a gente possui, que tem valor financeiro e tem o potencial de gerar renda.

Como já deve dar para imaginar, o patrimônio “não surge do nada”. Ele é o resultado de trabalho (que é a outra categoria de renda). Aquilo que você possui (seu patrimônio) foi construído ou por você mesmo ou por outras pessoas que fizeram o trabalho por você, e você colhe os frutos.

É o caso, por exemplo, do patrimônio que vem de herança ou de um casamento com uma pessoa mais rica que você. Alguém (talvez, antes mesmo de você nascer) fez o “trabalho duro” e, agora, você é o beneficiário dos frutos desse trabalho.

Como ter dinheiro

Enfim, dentro da nossa perspectiva de finanças como um “fluxo”, para que você possa ter dinheiro, você precisa ter renda. E as fontes primárias da renda são o trabalho e o patrimônio. Todas (absolutamente TODAS) as fontes de renda se enquadram como “trabalho” ou patrimônio”.

Então, para ter uma vida financeira minimamente “em ordem”, você precisa ter uma ou mais fontes de renda.

E, se você for como a grande maioria das pessoas do mundo, você não deve ter um patrimônio tão grande que gere renda passiva suficiente para dar cabo de todas as suas necessidades (ou mesmo não tem patrimônio nenhum). Ou seja, você precisará trabalhar para viver.

Se você tem um patrimônio grande o suficiente que te permita viver 100% de renda passiva, faz parte de um grupo muito pequeno e privilegiado. Mas, se ainda não atingiu essa situação de “trabalhar porque quer, e não porque precisa”, esse deverá ser o seu objetivo de longo prazo.

Idealmente, você deve organizar suas finanças de tal forma que, com o tempo, seu patrimônio vá crescendo e a renda passiva oriunda dele vá aumentando, até o momento em que ela seja grande o suficiente para te permitir viver do jeito que você quer, sem ter que trabalhar.

À medida que seu patrimônio cresce, sua renda passiva vai crescendo junto. Quanto mais a renda passiva cresce, menos dependente você fica de seu trabalho. E, quanto menos você precisa trabalhar, mais próximo está da tão sonhada INDEPENDÊNCIA FINANCEIRA.

A importância da diversificação das fontes de renda

Para finalizar, é importante ressaltar que estamos vivendo num período em que as coisas estão particularmente complexas e acontecem de forma particularmente rápida.

Várias profissões e modelos de negócios estão se tornando obsoletos e deixando de existir – ou passando por mudanças profundas. E outras atividades estão surgindo muito rapidamente.

Por isso, é interessante que, até mesmo por uma questão de gerenciamento de riscos (para não sofrer uma perda de renda total e repentina), você busque desenvolver múltiplas fontes de renda.

Ter múltiplas fontes de renda (tanto rendas oriundas de trabalho quanto de patrimônio) é uma forma de ter mais tranquilidade, serenidade e algum grau de independência e liberdade financeira, caso ainda não consiga viver totalmente de renda passiva.

***

André Massaro é autor, consultor, professor e palestrante especializado em Finanças, Investimentos, Economia e Tomada de Decisões. É um dos mais conhecidos e experientes educadores financeiros do Brasil e, mais que isso, é alguém que acredita que o dinheiro não é tudo, mas a liberdade financeira é o caminho para a liberdade pessoal. Site: www.andremassaro.com.br