Desenvolvimento Pessoal

Como diferenciar um narcisista de um sociopata segundo uma neuropsicóloga

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O seguinte texto, que busca esclarecer a diferença entre um sociopata e um narcisista, pertence à neuropsicóloga Dr. Rhonda Freeman e foi publicado originalmente no site NeuroInstincts.

Antes de examinarmos mais detalhadamente as diferenças entre a sociopatia e o narcisimo, revisitemos como esses transtornos de personalidade se assemelham.

Muitos sintomas de transtorno de personalidade antissocial (sociopatia) e transtorno de personalidade narcisista se sobrepõem. Em um estudo de 2010, os pesquisadores Miller, Dir, Gentile, Wilson, Pryor e Campbell comprovaram a correlação moderada entre as duas condições. Curiosamente, muitos estudos científicos revelaram descobertas nessa mesma liinha.

Diversos especialistas no campo suspeitam que o transtorno de personalidade narcisista e a sociopatia são condições que se situam ao longo de um contínuo ou espectro. Eu, particularmente, concordo com esse ponto de vista, visto que ambos assumem abordagens muito similares em suas interações com os outros.

Indivíduos com ambas as condições tendem a ser exploradores, mesmo com aqueles que os amam, demonstrando pouco respeito pela dor que causam.

Semelhante à sociopatia, suspeita-se que o transtorno de personalidade narcisista seja mais comum entre os homens. De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5ª ed. (Associação Americana de Psiquiatria, 2013) “50 a 75% são do sexo masculino”. Ambos os grupos tendem a ‘transferir a culpa’ e recusam-se a aceitar a responsabilidade ou prestar contas por comportamentos inadequados.

SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS ENTRE PERSONALIDADE ANTISSOCIAL E PERSONALIDADE NARCISISTA

SEMELHANÇAS

  • Arrogantes;
  • Superficiais;
  • Vingativos;
  • Encantadores;
  • Carismáticos;
  • Dominantes;
  • Egoístas;
  • Exploradores;
  • Imorais;
  • Baixa empatia;
  • Insensíveis;
  • Antagônicos;
  • Manipuladores.

DIFERENÇAS

  • Extremamente sensíveis à opinião dos outros (Narcisismo);
  • Requer atenção positiva (Narcisismo);
  • Minimamente sobrecarregados por ansiedade ou medo (Sociopatia);
  • Delinquência (Sociopatia);
  • Baixa Consciência (Sociopatia);
  • Agressivos (Sociopatia);
  • Indiferentes à opinião dos outros (Sociopatia);
  • Frágeis (Narcisismo);
  • Facilmente propensos ao tédio (Sociopatia);
  • Estilo impulsivo (Sociopatia);
  • Promiscuidade compulsiva (Sociopatia).

As diferenças na lista acima nem sempre são claras e distintas. Aqueles que se enquadram nos critérios diagnósticos para transtorno de personalidade narcisista também podem demonstrar um padrão de delinquência ou algumas das outras características primariamente demonstradas dentro da psicopatia. Por exemplo, um indivíduo com transtorno de personalidade narcisista pode certamente demonstrar padrões de promiscuidade compulsiva quando estão em busca da admiração necessária para mantê-los em funcionamento.

Portanto, os rótulos acima estão vinculados às características mais comumente encontradas dentro de cada transtorno em específico e não necessariamente encontradas apenas nessa condição. Clínicos habilidosos, através de avaliações aprofundadas, serão capazes de discernir se a condição está presente.

Quando clínicos estão envolvidos no processo diagnóstico de julgar a presença de um transtorno de personalidade, não é raro encontrar características e traços de mais de uma condição. Muitas vezes, os seres humanos simplesmente não se encaixam em apenas uma. A mescla de transtornos de personalidade não é um fenômeno incomum.

A sociopatia é um transtorno que afeta a maneira como o cérebro processa informações emocionais. Estudos de fMRI do cérebro demonstraram que há limitações significativas em sua capacidade de processar certos estados emocionais.

Um estudo examinou a habilidade do sociopata em processar palavras que deveriam elicitar uma resposta das ‘regiões de processamento emocional’ do cérebro. Eles apresentaram a um grupo de sociopatas criminosos, bem como a dois grupos de não-sociopatas, um teste de memória baseado em uma lista de palavra composta por palavras neutras e negativas.

Um cérebro normal deveria responder às palavras negativas processando-as usando tanto as áreas de pensamento quanto as de processamento emocional (por exemplo, a região paralímbica). Os resultados que encontraram foram bastante interessantes. Quando os sociopatas foram comparados aos grupos de não-sociopatas, os resultados indicaram que o grupo com sociopatia processou as palavras negativas apenas através das regiões cognitivas (de pensamento). Houve mínimo envolvimento de suas regiões emocionais, contrastando completamente com o funcionamento de um cérebro normal.

As palavras negativas não elicitaram o sistema emocional para responder. Curiosamente, os sociopatas usaram suas regiões de pensamento “mais” quando apresentados a palavras negativas (que elicitam emoção), demonstrando assim uma melhor recordação das palavras negativas na lista. Isso sugere que as áreas de pensamento de seus cérebros trabalham mais intensamente quando são apresentadas informações carregadas emocionalmente.

Essencialmente, os psicopatas não utilizaram as regiões de processamento emocional de seu cérebro como deveriam, ou como os grupos não-psicopáticos. Em vez disso, eles se basearam em suas áreas de processamento linguístico (semântico) e de tomada de decisão – as regiões de pensamento.

É possível que alguém pudesse extrapolar e concluir que, se uma pessoa não consegue processar informações emocionais adequadamente, então muitas experiências ou pessoas que deveriam ter um significado profundo para elas simplesmente não têm. Para um indivíduo com fortes traços psicopáticos, tudo é substituível, especialmente se perdeu sua utilidade, apelo ou “novidade”.

Uma “cadeira” ou “esposa” – têm a mesma importância. Não existe um vínculo emocional profundo com nenhum dos dois – apenas uma utilidade necessária.

Embora estados emocionais como apreciação genuína sejam baixos, indivíduos com psicopatia são propensos a sentimentos intensos de raiva, baixa tolerância à frustração e tédio. Eles podem facilmente mudar para um estado desdenhoso e cheio de desprezo.

Indivíduos com fortes traços psicopáticos podem comunicar algo que deveria ser emocional com muito pouco tom emocional, como se não houvesse sentimentos genuínos por trás de suas palavras (porque realmente não há).

Devido ao seu transtorno cerebral, aqueles com psicopatia raramente aprendem com seus erros. Eles tendem a repetir os mesmos comportamentos – especialmente se a atividade é:

  • orientada para o prazer;
  • tem um período de “perseguição” significativamente estimulante;
  • tem uma grande recompensa.

A maioria tende a seguir uma agenda que é extremamente oposta ao bem-estar, segurança e harmonia dos outros, e com frequência para si mesmos. Eles são enganosos, sem remorso e frequentemente perigosos.

Psicopatas frequentemente se envolvem em comportamentos violadores. Não é incomum que aqueles com traços fortes violem consistentemente os direitos dos outros, muitas vezes das maneiras mais flagrantes.

Há uma tendência de mentir para reforçar sua imagem, para se livrar de problemas ou, às vezes, mesmo sem benefício ou razão aparente. Não é incomum que aqueles com psicopatia tenham uma quase total incapacidade de aceitar culpa ou responsabilidade por qualquer dor ou caos criado por seu comportamento. Eles são manipuladores, vigaristas, e veem os outros por sua utilidade ou propósito. Calcular como uma determinada pessoa, grupo, coisa ou cenário os beneficia, mesmo que leve à ruína de outros que não lhes causaram dano, é frequentemente a norma para um indivíduo com psicopatia.

Embora indivíduos com transtorno de personalidade narcisista também sejam exploradores, a enganação e o logro são mais comuns entre os psicopatas. Muitos com psicopatia desfrutam de atenção, mas seu amor pela atenção tem muito pouco a ver com aprovação ou admiração da fonte. Por outro lado, indivíduos com transtorno de personalidade narcisista tendem a necessitar de atenção positiva para validação. Seus sentimentos podem ser facilmente feridos  se os outros não refletirem de volta sua sensação de singularidade. Para muitos com transtorno de personalidade narcisista, isso pode levar a reações de agitação, agressão ou punição em relação àqueles que eles percebem como os tendo ofendido.

Não é incomum que um indivíduo com transtorno de personalidade narcisista se incomode com o que os outros pensam dele e deseje apenas ser altamente considerado. Portanto, eles usam seu público para refletir o quão especiais são.

Por outro lado, um indivíduo com psicopatia realmente não se importa com o que os outros pensam dele – sua autoestima está minimamente ligada a relações externas. Muitos com esta condição desejam, sim, ser altamente considerados, mas isso geralmente está ligado ao poder ou manipulação, e não à admiração por si mesma. Seus sentimentos de superioridade não se baseiam na opinião dos outros. Se houver uma plateia, eles tendem a abusar desses indivíduos ou manipulá-los e usá-los para ganho pessoal ou fins de exploração, (por exemplo, para sexo, reprodução, percepção pública de normalidade, cuidado infantil, dinheiro, tarefas domésticas, aumentar seu poder, realizar seu “trabalho sujo”, um parceiro de “projeto” para corromper ou envolver-se em perversões).

Camila Nogueira Nardelli

Leitora ávida, aficcionada por chai latte e por gatos, a socióloga Camila escreve sobre desenvolvimento pessoal aqui no El Hombre.

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