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Enxergar no sexo uma obrigação é destruir tudo de bom que ele tem a oferecer

Thiago Sievers
Thiago Sievers Head de Parcerias

Sexo é assunto popular, canta Zé Ramalho – e não posso discordar. Aliás, alguém ousaria? O assunto está na mente de todas as pessoas com mais frequência do que poderíamos imaginar.

Ou melhor, desculpem a força de expressão: podemos imaginar muito bem, afinal, somos nós essas pessoas.

Salvo raras exceções, todo mundo gosta de transar, todo mundo quer transar e todo mundo vai transar.

Só que há um problema nessa transação toda: a obrigação. Quando o sexo se torna uma obrigação, então colocamos em risco os maiores benefícios que a prática tem a nos oferecer.

Enxergar no sexo uma ferramenta de poder, que traz respeito e admiração dos outros, pode ser uma verdadeira cilada. Quem cai nessa corre grande risco de perder de vista a essência da transa, que é a troca. Então o sexo passa a ganhar um peso desagradável, de necessidade para os outros.

Outra situação que pode levar as pessoas a caírem nesse terrível cenário é um relacionamento infeliz que não se dissolve. O casal vai vivendo, transando, cada vez mais sem vontade – mas vai indo assim, porque é assim que tem que ser.

Péssimo, não? Tanto uma quanto a outra situação. Não há nada pior do que enxergar no sexo uma dever.

Um estudo recente publicado no Journal of Economic Behavior & Organization, que, aliás, já falamos sobre, procurou verificar a relação entre frequência sexual e felicidade.

Os pesquisadores trabalharam com 128 pessoas que transavam entre uma vez por mês e três vezes por semana. Os voluntários foram divididos em dois grupos: em um os casais continuaram transando normalmente, e no outro os casais dobraram a frequência sexual.

E, então, surpreendentemente descobriu-se que os casais que transam menos são mais felizes.

Ahn, como assim?

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Calma, se a conclusão da pesquisa aponta uma realidade bem estranha e duvidosa, a explicação a torna bastante plausível.

O pessoal que fez a pesquisa, ao tentar entender o porquê disso, compreendeu que, ao pedir para os casais aumentarem a frequência de sexo que faziam, mudaram o motivo pelo qual eles transavam. Ou seja, os casais passaram a se relacionar não mais pelo prazer, de forma espontânea, mas por uma obrigação.

Sacou?

Sexo é algo essencialmente natural. Se acontece por algum fator artificial, vamos dizer assim, então a armadilha está armada para aprisionar nossa felicidade na cama.

A Nathali já escreveu aqui no El Hombre sobre a situação do sexo obrigatório em relacionamentos de longa data. E ela disse algumas palavras sábias por lá:

Na tentativa de se adequar aos padrões sexuais – porque sim, amigo, até o sexo obedece a padrões – muitos casais se perdem nos malabarismos para tornar uma relação morna de longa data numa paixão mais ardente que a de Scarlet O’hara.

Procura-se grandes fantasias e orgasmos múltiplos e ganha-se, em vez disso, o peso da obrigação de se construir uma vida sexual tesônica.

O que fazer então nesses casos? Tirar o peso da obrigação das costas. Não se sentir no dever de alcançar uma performance ideal – ou mesmo de simplesmente transar – pode fazer com que o prazer surja naturalmente. E aí é só deixar o corpo fazer o trabalho sem grandes preocupações.

Se você tem algum problema que te incomoda com relação ao sexo, das duas uma: ou é de origem fisiológica ou de origem psicológica. Nesse segundo caso, que é muito comum, a saída é compreender as ideias que rodam na sua cabeça. Para isso, terapia de autoconhecimento.

Para aproveitar todos os benefícios que uma boa transa tem a oferecer, é preciso se libertar do sentimento de obrigação.