fbpx
Goffi ganhou uma das etapas do campeonato b

Gabriel Goffi, o Kid Poker

Pedro Nogueira
Pedro Nogueira Editor-Chefe

No jargão do poker, nosebleed stakes é o apelido que se dá às mesas cujas apostas são extremamente elevadas. Em português simples e direto, são os “cacifes que fazem o nariz sangrar”. Nessas partidas insanas, em que mãos de seis dígitos chegam a ser disputadas, há um jogador que se destaca dos demais: Gabriel Goffi. Aos 23 anos, o paulista de Pindamonhangaba já rodou o Brasil para jogar nas mesas mais altas do país.

“Quando sento em um jogo caro, me sinto como um jogador de futebol entrando num estádio lotado”, ele conta para mim, quando nos encontramos para a entrevista num bar da Vila Madalena, em São Paulo. “É uma sensação ótima. Claro que, no começo, eu sentia a pressão. Afinal, é muito dinheiro. Mas me acostumei. Hoje fico confortável apostando valores altos.” Quando aprendeu a jogar cartas, quatro anos atrás, ele jogava em partidas modestas de 1/2 reais. Conforme foi ganhando, subiu gradativamente até chegar aos high stakes. Todo o dinheiro que Goffi arrisca na mesa, conquistou ali mesmo.

“Hoje jogo mais na internet”, ele conta. “Não está fácil encontrar um bom high stakes ao vivo no Brasil ultimamente. Por isso estou investindo o meu tempo no poker online, onde a action é sempre forte.” Na internet, ele joga no site PokerStars sob o apelido de “verve.oasis”, uma homenagem às duas bandas inglesas. “A variância é muito grande nesses jogos caros”, diz Goffi. “Às vezes você perde, não tem escape. Mas um bom jogador vai sempre estar para frente no longo prazo. Isso é o que importa.”

As transações financeiras realizadas nos sites de poker são feitas, basicamente, por meio de carteiras eletrônicas como o Neteller. É simples: você transfere o dinheiro da sua conta bancária para esse serviço; depois dele para o site de poker; e então é só entrar na mesa. Jogar no crédito? Impossível. Na hora de sacar seu lucro, basta percorrer o caminho inverso.

Durante a entrevista, penso na imagem que Hollywood construiu ao longo dos anos do jogador de high stakes – e em como Goffi foge dela. Ele não tem o sotaque enrolado de um gângster russo; não anda com uma Colt Peacemaker no bolso como um rancheiro texano; e não usa o smoking made in Savile Row típico dos espiões britânicos. Goffi pode ser definido, acima de tudo, como um cara normal. Estatura média; cabelo preto e olhos claros; não é gordo, tampouco magro; vestido de Armani e Diesel, mas sem peças extravagantes.

Toda a sua normalidade, porém, acaba no momento em que senta numa mesa de poker. Porque, quando há ficha no pano, Goffi está numa categoria à parte, até mesmo comparado aos melhores jogadores do Brasil. Há no país uma lista respeitável de profissionais de alto nível. Entre eles Alexandre Gomes e André Akkari, que já ganharam eventos da prestigiada World Series of Poker, uma espécie de copa do mundo do carteado. Nenhum deles, porém, arrisca-se em mesas tão caras quanto àquelas frequentadas por Goffi.

“Você precisa estar confortável com os valores ou vai ficar louco”, diz Goffi. “Em um high stakes, você não pode pensar no valor real das fichas, deve vê-las como peças dentro de um jogo. Senão, vai deixar o medo transparecer. E é exatamente isso o que seus adversários querem, ver o medo na sua cara. Só que gosto de inverter a situação, de deixa-los em spots difíceis também. E não importa quanto dinheiro o cara tenha no banco, todo mundo fica desconfortável com algum valor. Assim que descubro o número dele, é quando o meu verdadeiro jogo começa.”