Desde o seu nascimento em 2006, a Le Labo não seguiu o caminho tradicional da indústria de perfumes. Fundada por dois amigos franceses nos Estados Unidos, a marca nasceu como uma ruptura consciente com a lógica do luxo industrial, apostando em processos artesanais, narrativa autoral e uma relação mais íntima entre perfume e pessoa.
A proposta nunca foi criar fragrâncias para agradar multidões, mas desenvolver aromas com identidade, capazes de marcar momentos e criar vínculos emocionais. Essa visão ajudou a transformar a Le Labo em uma das perfumarias de nicho mais influentes do século XXI. Veja abaixo 8 curiosidades da marca.
A Le Labo foi criada em Nova York por Fabrice Penot e Eddie Roschi, dois profissionais da indústria da beleza que se conheceram trabalhando para grandes grupos do setor. Ambos compartilhavam uma frustração com a padronização crescente dos perfumes de luxo e decidiram seguir outro caminho.
Embora seja frequentemente associada à energia urbana nova-iorquina, a marca carrega uma herança profunda da cidade de Grasse, no sul da França. Foi lá que os fundadores tiveram contato direto com a tradição clássica da perfumaria, aprendendo sobre matérias-primas, técnicas e o papel do perfumista como artesão. Essa combinação entre savoir-faire francês e espírito contemporâneo americano moldou o DNA da Le Labo desde o início.
Desde sua primeira loja, a Le Labo adotou uma abordagem que vai na contramão do ritmo acelerado da indústria. Os perfumes são preparados manualmente, muitas vezes no momento da compra, diante do cliente.
Cada frasco recebe uma etiqueta personalizada com o nome do comprador, a data e o local de produção. O gesto reforça a ideia de que o perfume não é apenas um produto, mas um objeto pessoal, quase íntimo. Essa filosofia slow também se reflete na comunicação discreta, na ausência de campanhas tradicionais e na valorização da experiência acima do volume de vendas.
Os perfumes da Le Labo seguem uma nomenclatura direta e quase técnica. Cada fragrância leva o nome do ingrediente principal, seguido por um número que indica quantos componentes compõem a fórmula. O Santal 33, por exemplo, é construído a partir de 33 ingredientes, enquanto o Bergamote 22 utiliza 22 matérias-primas diferentes. Essa escolha elimina romantizações e coloca o foco na composição em si. É uma assinatura que reforça o caráter minimalista da marca e sua transparência criativa.
Poucos perfumes alcançaram o status cultural do Santal 33. Nascido da evolução do Santal 26 (uma vela e spray de ambiente icônica da marca), o aroma foi adaptado para a pele após a reação espontânea de clientes que desejavam “vestir” aquele cheiro. Rapidamente, o Santal 33 passou a ser associado a um estilo de vida específico: urbano, artístico, cosmopolita e sofisticado sem ostentação. Em Nova York, ele se espalhou de forma quase orgânica, tornando-se presença constante em galerias, estúdios criativos e ambientes ligados à moda. Mais do que um best-seller, o perfume ajudou a consolidar a imagem da Le Labo como marca cult.
A coleção City Exclusives é um dos exemplos mais claros da estratégia da Le Labo de valorizar a escassez. Cada fragrância é criada para uma cidade específica e vendida apenas naquele local durante a maior parte do ano. Esses perfumes funcionam como retratos olfativos de lugares e atmosferas urbanas, conectando aroma e memória de viagem. Uma vez por ano, durante um período limitado, a marca libera a venda global dessas criações. O modelo reforça o caráter quase colecionável dos perfumes e fortalece o vínculo emocional com o consumidor.
Em 2014, a Le Labo foi adquirida pelo grupo Estée Lauder Companies. A notícia gerou receio entre os fãs mais fiéis, que temiam uma descaracterização da marca. Na prática, o que se viu foi uma expansão controlada. A Le Labo manteve sua estética, seu discurso e seus processos, usando a estrutura do grupo para alcançar novos mercados sem abrir mão da identidade original. O caso se tornou um exemplo raro de como uma marca de nicho pode crescer sem perder sua essência.
Com o tempo, a marca expandiu seu portfólio para incluir velas, sabonetes, loções e produtos para casa. Todos seguem a mesma lógica de formulações cuidadosas, embalagens simples e foco sensorial. A ideia é que o cheiro esteja presente no cotidiano, não apenas na pele. O perfume passa a fazer parte do ambiente, do ritual e da memória. Essa visão amplia o papel da fragrância dentro do estilo de vida contemporâneo.
A Le Labo ajudou a redefinir o conceito de luxo na perfumaria moderna. Em vez de brilho, excesso e campanhas grandiosas, a marca aposta em silêncio, tempo e profundidade. Ao tratar o perfume como uma experiência pessoal e não como um símbolo de status, ela influenciou toda uma geração de marcas e consumidores. O resultado é um novo olhar sobre o que significa exclusividade no mundo dos aromas.