A ideia de um comentário relacionado à violência do futebol – obviamente motivado pelo que aconteceu na Arena Joinville, neste último domingo – me entusiasmou a tentar encontrar, de certa forma, uma luz no fim do túnel para o problema. Entretanto, o encarei como um grande desafio; como poderia despertar o interesse sem ser sensacionalista em virtude das fortes imagens do lamentável ocorrido e, sobretudo, com algo pouco explorado exaustivamente pela mídia nesta semana? E qual a solução para o fim do problema? Resposta: a nossa presidenta Dilma Rousseff precisa ser mais Margareth Thatcher.

Tentei encontrar em muitas matérias e debates esportivos um caminho para a melhoria do nosso futebol ao menos por ora. Acredito que achei. Foi quando li sobre o que a ex-primeira-ministra britânica entre os anos de 1979 e 1990 e líder do Partido Conservador Margareth Tchatcher – a Dama de Ferro – colocou em prática para pôr fim ao hooliganismo na Inglaterra. Vamos ao exemplo de sucesso inglês.

A década de 1980 ficou marcada pela selvageria nos estádios britânicos – fato que vimos presente em nossas arenas pelo Brasil em 2013. (Já foram mais de 160 registro de mortes relacionadas ao futebol no Brasil, o maior índice do mundo). Vale lembrar que as torcidas organizadas inglesas da época eram dominadas por violentos fanáticos que bebiam próximos dos estádios e com dardos, socos ingleses, facas ou até mesmo armas de fogo, promoviam uma verdadeira carnificina antes, durante e depois das partidas. Lembra-te algo? É muito igual ao que vemos ainda por aqui, não é?

Com estes vândalos tomando conta do estádios, as tragédias se sucediam por lá. Em 1985, o tradicional estádio Valley Parade, doBradford City, pegou fogo, o que resultou em 56 mortos e expôs a frágil estrutura dos centenários estádios britânicos até então. No mesmo ano ocorreu outro trágico fato. Em Heysel, na Bélgica, durante a final da Liga dos Campeões da Europa, seguidores de Liverpool e Juventus entraram uma verdadeira guerra nas arquibancadas. Foram ao todo 38 mortos e 454 feridos (270 hospitalizados). Os torcedores dos Reds levaram a culpa pelo massacre. Como consequência, os clubes do país foram suspensos de competições internacionais durante cinco anos – o Liverpool acabou pagando seis.

Foi aí que o governo interveio para a melhoria do esporte. A “Dama de Ferro” sugeriu a criação da carteira de identidade dos torcedores de futebol (National Membership Scheme) no Football Spectators Act (FSA), em 1989. Algo que aqui no Brasil também já foi testado, sem êxito até o momento, já que a impunidade reina no país.

Entretanto, a prévia solução inglesa não teve êxito. Alguns meses após a divulgação do FSA, ocorreu a maior tragédia do futebol britânico. Em jogo da semifinal da FA Cup entre Liverpool e Nottingham Forest, no estádio de Hillsborough, do Sheffield Wednesday, 96 torcedores do Liverpool morreram massacrados contra as grades que separavam a arquibancada do campo. Foi a gota d’água.

Com o propósito de apurar os motivos da tragédia, o governo de Tchatcher chegou a conclusão de que o problema não seriam apenas os torcedores, mas as estruturas dos estádios. Assim, para evitar que novas tragédias se repetissem estabeleceu-se uma série de recomendações, como: redução da capacidade dos estádios, aumento dos preços dos ingressos, instalação de assentos em todos os locais das arenas, retirada dos alambrados para evitar esmagamentos, distribuição de tarefas entre autoridades na organização dos jogos e câmeras monitorando os passos dos torcedores, desde a parte externa dos estádios até as tribunas. O antigo projeto de cadastramento de torcedores fora abandonado, já que fora visto que não tinha eficiência prática no combate à violência.

Em razão das novas exigências, os clubes ingleses se organizaram e na temporada 1992/1993 criaram a “Premier League” que atualmente é o campeonato de futebol mais valioso do mundo. Com as regras impostas até hoje, o futebol inglês passou a ser modelo quando se fala em controle da violência nos estádios. Não aguento mais mortes ou brigas em estádios de futebol. Vamos seguir o exemplo da Dama de Ferro. Mais vidas não podem ser perdidas, muito menos barbáries como a da Arena Joinville. Dilma, seja mais Thatcher!