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A voz que traduz fragrâncias
No estúdio de Luis Jordão, o silêncio é interrompido pelo som de frascos sendo abertos. São mais de 2.500 perfumes na coleção, cada um com uma história e um lugar na memória.
Do outro lado da tela, mais de 100 milhões de visualizações no YouTube dão escala ao seu legado. Aos 34 anos, ele é uma das maiores vozes da perfumaria nacional, com 500 mil inscritos no canal e 1,3 milhão de seguidores no Instagram.
Essa autoridade não nasceu ao acaso. Luis iniciou sua jornada na perfumaria aos 19 anos, como borrifador na porta das lojas. Desde então, as fragrâncias se tornaram mais do que um simples trabalho para ele — viraram um hobby, um propósito, uma paixão.
“Eu me apaixonei pelas histórias”, diz Luis. “Foi isso que me pegou. A vida de empreendedores como Calvin Klein, Ralph Lauren, Coco Chanel, Christian Dior… Fiquei fascinado por tudo aquilo.”
Ao longo dos seis anos seguintes, atuou como promotor de vendas, treinador olfativo e representante comercial. Quando lançou o canal, em 2016, não estava começando — estava colocando em palavras tudo o que já tinha aprendido fora das câmeras.
“Os perfumes mudaram a minha vida”, diz ele. “Eu comecei do zero e hoje tenho minha casa, minha empresa, minha família. Foi por causa da perfumaria que conheci também a minha esposa. Sinto uma gratidão eterna aos perfumes. Por isso, faço o meu trabalho com tanto amor e propósito.”
Parte do fascínio que Luis exerce em seus seguidores vem da forma como descreve o invisível. Suas resenhas não se limitam a notas ou classificações técnicas: são construções imagéticas, quase cenas.
Ao falar de um cítrico aquático, por exemplo, ele não recorre apenas aos acordes olfativos, mas à sensação de um galho esquecido na areia, ainda úmido do mar, enquanto alguém bebe uma caipirinha de limão sob o sol. É nesse tipo de analogia que o perfume atravessa a tela e se torna experiência.
Com seus 15 anos de estrada, Luis Jordão tornou-se daquelas influências reais e autênticas, porque nunca tratou o perfume apenas como um produto — mas como cultura. E isso, nenhum algoritmo fabrica. ◼︎














