“A arte nos permite ver de onde viemos como seres humanos”

LOS ANGELES – George Clooney é um homem com alguns segredos. Ele é muito mais complexo do que suas atuações sugerem e do que suas entrevistas apontam. Ele tem uma notória fama por trollar seus colegas no set de filmagem e até mesmo seu pai. Ele tem uma visão cínica e até mesmo triste de ver a vida, observando que ele “não acredita em finais felizes”.

Mas, ao mesmo tempo, esse ator de 52 anos também acredita que você deve “tentar viver a boa vida, enquanto há tempo” e está determinado a deixar sua marca, fazendo filmes com significado. Embora seja um solteirão confesso, cujas relações parecem nunca superar a marca de 3 anos, George não hesita em admitir o quanto as mulheres significam para ele.

“Eu tenho um grande apreço por mulheres – elas são uma grande parte da minha vida”, diz Clooney. “Eu cresci me apaixonando com as atrizes de filmes antigos. Eu realmente me apaixonei com a jovem Elizabeth Taylor em Um Lugar Ao Sol e com Audrey Hepburn em A Princesa e o Plebeu. Eu também nunca esquecerei a imagem de Grace Kelly quando ela sai da água em Ladrão de Casaca. Você não pode imaginar uma mulher mais bonita do que isso. É uma loucura como ela é linda. É de Tirar o fôlego”, diz o ator.

Clooney também adora filmes com uma mensagem. Seu novo longa é Caçadores de Obras-Primas, que fala sobre uma missão secreta feita pelos aliados nos últimos estágios da Segunda Guerra Mundial. O objetivo é salvar grandes tesouros de arte saqueados pelos nazistas que estavam em perigo de destruição.

George fez o trabalho triplo como diretor, ator e co-roteirista. Filmado em Berlim, ele traz para o seu trabalho uma visão séria e moral, interpretando um soldado veterano chamado de Frank Stokes (baseado na vida do tenente comandante Frank Stout) que liderou um pelotão heroico de curadores, historiadores de arte, e os soldados dispostos a arriscar suas vidas para salvar grande parte do patrimônio cultural da Europa. Essa unidade do exército inclui também Lt James Rorimer (Matt Damon), um especialista em arte medieval que tem uma relação com uma espião francesa (Cate Blanchett) para ajudar a resgatar as obras-primas roubadas. Bill Murray, John Goodman e Jean Dujardin também co-estrelam o filme.

Clooney divide seu tempo entre sua casa em Los Angeles (que pertenceu a Clark Gable), onde dirige um Porsche Carrera preto, e sua mansão em Lake Como, Itália, que lhe dá a chance de fazer suas amadas viagens de moto cross-country.

George, por que você quis fazer Caçadores de Obras-Primas?

É uma daquelas histórias extraordinárias de valor humano que muitas vezes não recebem a atenção que merecem. Hitler queria construir um Museu Führer e durante a Guerra tinha unidades nazistas para coletar milhões de peças de arte de toda a Europa. Foi o maior roubo de arte da história.

Mas quando a maré da guerra começou a virar, o meu personagem, George Stokes, chegou para o General Eisenhower com um plano para recuperar e proteger esses tesouros. Eisenhower também percebeu que missões de bombardeio norte-americanos teriam que evitar a destruição de museus europeus e monumentos ou os EUA teriam sido visto como o vilão no fim da Guerra e durante o processo de reconstrução.

Seu companheiro no filme,  John Goodman, diz que ele se sente mal que você não pode andar na rua como qualquer outra pessoa.

É parte do preço que você paga para trabalhar neste negócio. Eu estou acostumado a isso e não é algo que realmente me incomoda. Exceto em momentos quando estou na Itália e quero relaxar no meu barco (no Lago de Como) e, mais cedo ou mais tarde, vem um monte de paparazzi me seguindo.

Seu personagem Frank Stokes é baseado no verdadeiro Tenente Comandante Stout, que liderou um grupo de historiadores de arte e curadores em uma missão perigosa. Por que isso foi tão significativo?

Ele entrou em uma caça ao tesouro em nome da cultura europeia. Foi um ato totalmente altruísta dedicado a preservar grandes obras de arte que permitem que as sociedades definam seu passado e sua identidade coletiva.

Stout e o resto da equipe colocam suas vidas em risco para salvar grandes obras e defende-las.

A maioria dos homens que faziam parte da missão eram caras de meia-idade, estudiosos e especialistas em arte, que não tinham qualquer experiência militar, mas ainda queriam se envolver.

Você arriscaria sua vida para salvar um objeto de grande valor?

Se a minha casa está pegando fogo e posso perder algo profundamente pessoal para mim sim. Gosto de ver a bandeira que foi estendida sobre o caixão do meu tio George, que ainda esta dobrada em um triângulo. Eu provavelmente morreria tentando resgatá-la.

Como Stout e outros especialistas em arte viam sua missão?

Os homens que foram na missão de resgatar esses tesouros artísticos entendiam que essas obras eram de importância cultural inimaginável e refletem a identidade europeia e a própria história do mundo.

A arte é a linha do tempo de nossas vidas e nos permite traçar as nossas origens e ver de onde viemos como seres humanos. Esses objetos são tudo o que temos de nosso passado coletivo.

Você espera que seu filme ajude a encorajar os líderes militares em guerras futuras a prestar atenção para a preservação da arte, apesar da destruição que as guerras envolvem?

Nós devemos ser lembrados de que nós (os EUA) não fizemos isso no Iraque. Eles perderam muito do seu patrimônio nacional que estavam em museus (em Bagdá) e foram completamente saqueados.

Você chamou Cate Blanchett para trabalhar neste filme com você. Ela é sua amiga?

Eu admirava Cate por anos e eu tive muita sorte de ela querer fazer parte do filme. Cheguei a conhecê-la quando nós trabalhamos em O Segredo de Berlin juntos (que Clooney também dirigiu) e eu sempre quis fazer outro filme com ela. Para mim, Cate é uma das duas maiores atrizes vivas do cinema, junto com Meryl Streep.

Você se tornou próximo de várias atrizes ao longo dos anos?

Eu sou amigo de Julia (Roberts) há muito tempo. Eu também comecei a conhecer Meryl (Streep) ao longo dos anos e eu a amo. E eu estou feliz por Sandy Bullock (com quem co-estrelou em Gravidade). Então, eu tive o prazer de conhecer um monte de mulheres maravilhosas, realmente talentosos que estão se saindo muito bem atualmente.

Você sempre defendeu que você não vai se casar de novo e que não está querendo começar uma família. O que você procura em um relacionamento?

O que eu diria é: todos na vida estão à procura de felicidade, paz e alegria. Eu certamente estou em busca disso na minha vida ao longo dos anos – e sempre vou continuar essa busca, de alguma forma ou de outra.

Seu pai Nick Clooney é uma das figuras mais importantes da sua vida. Você o colocou em um pequeno papel no filme. Ele faz o seu personagem já bem mais velho. Ele gostou dessa experiência?

(risos) Ele não estava muito feliz com a ideia. Eu convidei meus pais para virem no set de filmagem na Alemanha (NE – o filme foi rodado em Berlim e arredores) . Meu pai tinha servido no exército por lá durante os anos 50 e eu tinha uma ideia de que ele poderia interpretar meu personagem como um homem mais velho.

Eu fiz uma brincadeira com ele ao mostrar um corte brusco do filme, quando estávamos na Itália. Na cena, ele sai das escadas e vai em direção a luz da igreja. Em seguida o filme acaba. Depois, a primeira coisa que aparece na tela é: “Em memória de Nick Clooney”.

Meu pai quando viu isso disse: “O que há de errado com você? ” Eu disse: “Você sabe, pode levar muito tempo até o filme ser lançado. É muito mais barato tirar isso do que colocar depois de pronto. Ele achou que foi bem engraçado (sorrisos).”