A obsessão dos grandes estúdios de Hollywood pelo “universo expandido”

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No ano passado, foi anunciado o reboot de Ghostbusters, trinta anos após o filme original. A notícia logo gerou polêmica, ao receber críticas machistas e descabidas contra a composição do novo elenco, contando com quatro protagonistas mulheres – Kristen Wiig, Melissa McCarthy, Leslie Jones e Kate McKinnon.

A verdade é que a maioria dos fãs recebeu muito bem a notícia desse novo filme, mas, meses depois, uma nova polêmica surgiu quando foram revelados os planos da Sony de transformar a série numa franquia, expandindo seu universo com um filme paralelo protagonizado por homens e talvez outros spin-offs.

Muitos se perguntaram se Ghostbusters tem condições de virar, de fato, uma franquia de sucesso. Alguns dizem que foi uma espécie de plano B da Sony para competir com os “universos cinematográficos” de suas concorrentes, já que as tentativas de expandir o universo do Homem-Aranha com filmes do Venom, da Tia May ou do Sexteto Sinistro acabaram sendo deixadas para trás, principalmente após o acordo da companhia com a empresa criadora do personagem, que levará o super-herói ao Universo Cinematográfico Marvel, enquanto sua história na Sony será reiniciada mais uma vez.

O desejo da Sony de entrar na onda do que pode ser chamado de “universos expandidos” é compreensível. Suas principais concorrentes têm grandes franquias com sequências, spin-offs e sequências dos spin-offs.

A Warner detém os direitos dos personagens da DC e, após a trilogia do Cavaleiro das Trevas, iniciou seu Universo Cinematográfico DC, que apresentará diversos filmes centrados em personagens solo ou em equipe, como o Batman, Super-Homem, Mulher Maravilha, Aquaman, Shazam, Lanterna Verde, Liga da Justiça e Esquadrão Suicida.

X-Men já ganhou vários filmes bem diferentes

A Fox tem os X-Men, que já contaram com a trilogia original, os filmes solo do Wolverine e os longas que mostraram o passado de Magneto e Xavier, além das possibilidades futuras de filmes do Deadpool, do Gambit e/ou do X-Force.

Mas não para por aí. O Quarteto Fantástico (Fantastic Four), que será lançado ainda em 2015, dividirá o mesmo universo dos X-Men, podendo, no futuro, dividirem até um mesmo filme.

Tanto o Homem-Aranha quanto os X-Men e o Quarteto Fantástico pertencem à Marvel originalmente. Mas, nos cinemas, enquanto esses primeiros ficaram sob o poder da Sony e da Fox, a Marvel conseguiu manter para si os direitos cinematográficos de outros heróis e criar o Universo Cinematográfico Marvel.

Pertencendo agora à Disney, a empresa fez primeiro os filmes solo de Homem de Ferro, Hulk, Thor e Capitão América, para depois uni-los como os Vingadores. O projeto deu mais certo do que se podia imaginar, tornando-se a maior franquia da história do cinema – isso porque faz só sete anos que o primeiro filme foi lançado, e muitos outros virão por aí, nos próximos anos. Além de várias séries de televisão, como as já em andamento Agents of S.H.I.E.L.D e Agent Carter.

E a Disney ainda tem outra mina de ouro nas mãos, agora: o universo de Star Wars, que muitas vezes é considerado como o verdadeiro e único “Universo Expandido”, ganhará uma nova trilogia a partir deste ano, além de filmes solos que poderão surgir sobre alguns personagens.

Star Wars talvez seja a obra mais clássica com universo expandido

Mas a história dos personagens e lugares criados para Star Wars não se limita aos cinemas. Séries animadas, livros, quadrinhos, jogos e outras coisas foram criadas há muito tempo, ampliando o universo criado por George Lucas.

Como o próprio Star Wars prova, a ideia de expansão de universos não é algo tão recente assim, e não é o único exemplo. Há mais de dez anos, a série Lost desafiou seus espectadores a continuarem desvendando os mistérios fora dos episódios, através da internet.

Há mais de quinze anos, Matrix usou animes, quadrinhos e até videogames para não limitar todo o complexo universo criado pelos Wachowski a apenas três filmes.

Mas com o sucesso comercial de X-Men e, principalmente, a bem sucedida ideia do Universo Cinematográfico Marvel, os universos expandidos tornaram-se quase que uma obsessão para os grandes estúdios de Hollywood. O que pode trazer muita coisa boa, como provaram os Vingadores, mas também pode dar início a muitos projetos duvidosos, como um filme sobre a Tia May do Homem-Aranha.

O que nos resta é esperar os próximos lançamentos e aí sim conferir quão boa ideia cada um deles foi.

Até Tia May pode ganhar um filme

CD Vallada

Formado em cinema pela FAAP, o paulistano CD Vallada foi colunista do Portal Higi e hoje traz suas análises da indústria cinematográfica ao El Hombre.

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