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Os 7 Pecados Capitais no mundo atual: a avareza

Basta apenas que eu o lembre das montanhas de dinheiro e moedas em que o rico Tio Patinhas mergulhava e a frieza do personagem Ebenezer Scrooge de Jim Carrey no filme Os fantamas de Scrooge para que você, hombre, saiba qual é o pecado a que hoje me refiro: a avareza.

Do latim avaritia, a avareza é o apego excessivo e descontrolado pelos bens materiais e pelo dinheiro. Uma pessoa avarenta assim como Tio Patinhas, que apesar de rico cobrava até mesmo seus netos por qualquer moedinha que os emprestava, é sinônimo de “vontade exagerada de possuir qualquer coisa”.

Não há limites para um avarento que deseja mais e mais. Pessoas, dinheiro, objetos, informação, não importa! Ele cobiça a tudo e todos, e tem grande medo de perder algo que possui, mesmo que seja recompensado por isso.

Na concepção católica, a avareza é considerada um dos sete pecados capitais, pois quem a possui prefere os bens materiais ao convívio com Deus. Neste sentido, o pecado conduz à idolatria, que significa tratar algo, que não é Deus, como se fosse um.

E foi pensando nesses avarentos acumuladores de roupas, dinheiro, móveis, objetos, tralhas e bugigangas que me deparei com a disposofobia.

A disposofobia – fobia em dispor das coisas – (ou “acumuladores compulsivos”) se remete a pessoas que acumulam assustadoras pilhas de inutilidades, deixando suas casas irreconhecíveis, em meio a muita sujeira e também doença. A condição causa espanto e estranheza.

Esta patologia consiste na aquisição ilimitada de objetos de pouca utilidade, muitas vezes já deixados no lixo por outras pessoas, como jornais, papeis velhos, peças quebradas. É um transtorno emocional com fortíssima repercussão comportamental e cognitiva, causando, para a pessoa que sofre da doença e para membros da família, prejuízo emocional, social, financeiro, físico e até mesmo legal.

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Os acumuladores compulsivos juntam grande quantidade de objetos, geralmente em completa desordem, ocupando áreas da casa ou do local de trabalho que fazem falta às demais pessoas. É comum que salas fiquem irreconhecíveis com seus móveis soterrados por aglomerados de coisas e sujeira, não sobrando espaço para mais nada na casa.

Tema este tão curioso, o canal de televisão Discovery Home & Health produziu uma série sobre esta patologia e inicia relatando o seguinte caso:

Um dos casos mais severos de acumulação extrema ou hoarding veio à luz em março de 1947, quando a polícia de Nova York foi chamada para investigar a descoberta de um cadáver em um edifício de três andares no Harlem. O lugar pertencia a dois irmãos idosos, Langley e Homer Collyer. Quando os agentes entraram no imóvel, ficaram estarrecidos com o que viram.

Montanhas de lixo chegavam até o teto, incluindo 14 pianos, um automóvel Ford modelo T e os restos de um feto de duas cabeças. Dentro de um sistema de túneis que usavam para andar entre os dejetos, jaziam os corpos sem vida dos idosos: um foi esmagado pelo lixo e o outro morreu de inanição.

A história dos irmãos Collyer é um dos casos mais extremos de hoarding já registrados nos Estados Unidos, mas é um fenômeno mais comum do que se imagina.

Você é um acumulador?

Homens colecionam bugigangas: vidros de perfume, selos, roupas e relógios. Mas há aquele seu vizinho que reúne pilhas de jornais e revistas velhas em casa e você já o pegou fuxicando o lixo alheio de seu prédio.

É importante que saibamos a diferença entre um colecionador e um acumulador. Aqui vão algumas dicas para atentar-se e facilitar o diagnóstico dessa estranha doença:

  • Recolher, acumular e empilhar bens e objetos que a maioria das pessoas joga fora, tais como sucatas, embalagens, jornais e revistas velhos, etc;
  • Incapacidade ou grande dificuldade e sofrimento quando é solicitado que jogue fora tais tralhas acumuladas;
  • Viver em condições precárias de higiene e em grande desorganização por conta do acumulo excessivo de bens e objetos;
  • Não permitir que alguém arrume, toque ou limpe essa desorganização;
  • Desvirtuar o espaço da casa da real finalidade a que se destina (cozinha para cozinhar, banheiro para tomar banho, quarto para dormir) para ocupá-lo pelos objetos acumulados;
  • Negar que seja exagerado o seu acúmulo de materiais;
  • Ter vergonha e constrangimento deste hábito e, mesmo assim, não conseguir controlar o impulso.

Notou a diferença hombre?

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É importante salientar que, como um doente, as pessoas acumuladoras compulsivas podem não ter senso crítico da anormalidade e morbidade de sua atitude, e por isso necessitam de atenção de vizinhos e parentes para diagnóstico e tratamento desta patologia.

Embora a acumulação não seja uma perturbação mental presente desde precocemente na vida da pessoa, em momento oportuno pode eclodir a doença como, por exemplo, após a morte de um familiar, ou uma experiência mais traumática.

A causa pode estar no cérebro

Stevens Tolin, autor da pesquisa Neural Mechanisms of Decision Making in Hoarding Disorder, pontua que pessoas com distúrbio de acumulação compulsiva apresentam diferenças na função cerebral quando comparadas à população geral.

Segundo Tolin, o cérebro desses doentes responde de maneira diferente – se comparado a outras pessoas quando são estimuladas a descartar objetos – em áreas ligadas à tomada de decisões que envolvam informações conflituosas e falta de certeza. O órgão também atua de forma diversa quanto à sensações como nojo, vergonha e outras emoções negativas fortes.

Juntas, essas regiões ajudam o indivíduo a decidir a importância dos objetos e assim descartá-los (ou não) com maior facilidade.

Como tratar?

Para o acumulador compulsivo não existe qualquer problema com o seu comportamento, sendo este sentimento de que “não há nada errado” parte do sintoma que faz a doença.

A acumulação compulsiva é um transtorno mental que foi reconhecido recentemente no DSM- 5 (manual de classificação psiquiátrica) e a pesquisa acerca dos melhores tratamentos está apenas no início. No entanto, alguns métodos têm tido um sucesso assinalável, como a psicoterapia e a medicação adequada.

O tratamento psicoterápico concentra-se em localizar as causas da acumulação compulsiva ligadas às raízes da ansiedade. Este método exige grande dedicação do paciente ao processo de recuperação, mas permite que um acumulador compulsivo readquira hábitos de vida normais.

Já a medicação utilizada no tratamento da acumulação compulsiva são similares às usadas por pacientes que sofrem de transtornos obsessivos compulsivos, como ansiolíticos (para controle da ansiedade) e antidepressivos.