Plataformas de créditos online crescem no Brasil durante a pandemia

São muitos os costumes e comportamentos que têm mudado na cidadania por causa da irrupção do Coronavírus desde o começo deste ano. As principais mudanças são percebidas no jeito de interagir entre as pessoas, na realização de atividades do dia a dia e na diminuição no deslocamento nas cidades.

Um exemplo icônico dos câmbios está no aumento extraordinário de pessoas que começaram a utilizar bicicletas como meio para chegar ao trabalho ou se locomover a diversos pontos. De fato, de acordo com a Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike), as vendas registraram um aumento de 118% entre o 15 de junho e 15 de julho se comparado com o mesmo período do 2019. Esta nova escolha das bikes como meio de transporte se justifica na intenção de evitar aglomerações em meios como ônibus ou metrô no decorrer da reabertura das cidades brasileiras.

Mesmo que o crescimento das bikes seja importante, as principais repercussões da Covid-19 no país, e na América Latina, estão ligados à internet. Estes dados foram recolhidos numa pesquisa feita por uma das maiores plataformas de estatísticas do mundo, Statista, junto com a Comscore. Neste campo, o distanciamento social veio consolidar o crescimento do comércio eletrônico na América Latina: durante a pandemia a taxa de vendas por este meio subiu 130% no Brasil, e 230% na região latinoamericana.

Para tomar real dimensão do boom dos e-commerce, podemos analisar algumas cifras comunicadas pela Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm): o faturamento somado desde janeiro deste ano atingiu a marca de R$ 41,92 bilhões até agosto, um crescimento de 56,8% em relação aos primeiros oito meses de 2019. Já em termos de acessos aos sites, em setembro as maiores lojas eletrônicas registraram 1,21 bilhão de acessos.

Se destaca ainda o rendimento das fintechs como um jeito de incorporar a população sem banco ao sistema bancário na região. No ano passado, o crescimento do uso do serviço financeiro digital foi de 64% no Brasil. Dentre aqueles que as utilizaram, 141 mil foram usuários de pagamentos digitais, 110 mil utilizam plataformas para empréstimos alternativos e 41 mil para finanças pessoais.

A chegadas das fintechs (termo utilizado para falar das companhias financeiras com base tecnológica) já tem alguns anos no país. Mesmo assim a pandemia veio dar uma acelerada na utilização delas por causa da afluência de dois fatores definitivos: a maior necessidade de financiamento para aqueles com dificuldades econômicas durante a crise, e a intenção de ficar em casa para evitar ocasiões de contágio.

Acontece que um dos benefícios mais valorados pelos usuários é a possibilidade de contratar um crédito online de fácil acesso especialmente para brasileiros cujos perfis normalmente ficam por fora dos padrões exigidos pela banca tradicional para adquirir serviços financeiros. Na maioria das fintechs, obter um empréstimo costuma ser mais rápido e simples, com eliminação da maioria da burocracia própria dos bancos. Este fenômeno ainda está fazendo com que as instituições históricas tenham se adaptado também na procura de conservar os seus clientes (habilitando o outorgamento de empréstimos 100% online, por exemplo).