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Qual é o melhor lugar para o ciclista na rua?

Thiago Sievers
Thiago Sievers Head de Parcerias

É bastante comum que o ciclista se esprema na sarjeta ao pedalar pela cidade. O movimento constante (e de certa forma ameaçador) dos outros veículos fazem com que eles se sintam tão mais seguros quanto mais longe do meio da rua. Contudo, esse é um pensamento instintivo – e nem sempre o instinto é mais valioso do que a razão.

O cicloativista William Cruz dá uma dica eficiente no site Vá de Bike: ande na linha do 1/3 da faixa. Ou seja, a cerca de 90 centímetros da sarjeta, mas o número preciso depende da largura da faixa. O raciocínio que envolve a ideia é tão clara quanto inusitada.

Ao andar bem próximo da calçada, o ciclista promove uma situação onde o motorista não sente a necessidade de fazer uma ultrapassagem com o mínimo de espaço seguro apontado pelo bom senso. (Porque o que diz a lei, um metro e meio, é algo ainda impraticável no aperto das ruas brasileiras.) Dessa forma, a pessoa dentro do carro não mudará de faixa ao passar pela bicicleta – apenas jogará o automóvel um pouco para a esquerda, o mínimo possível para não passar por cima do infeliz.

Acontece que os motoristas provavelmente desconsideram que um veículo, ao passar muito próximo e em velocidade considerável, pode assustar quem está em cima de duas rodas não motorizadas, e que isso tem o potencial de provocar um desequilíbrio no ciclista. Sem falar  do risco iminente de um esbarrão do retrovisor do carro com o guidão da bicicleta – o que certamente o desequilibrará, podendo lançá-lo até mesmo para o meio da pista.

(MAIS: 10 dicas para andar de bicicleta em São Paulo)
(MAIS: Você conhece as bikes públicas paulistanas?)

Portanto, nada de sarjetas.

Pedalando um pouco à esquerda dela, o ciclista força que carros, ônibus e caminhões esperem a hora certa para ganhar espaço na faixa ao lado para fazer a ultrapassagem, dando assim uma margem mais segura para a bicicleta. Além disso, o veículo mais vulnerável terá algum espaço à sua direita para poder escapar no caso de alguma “fina” tirada pelos automóveis.

Mas Cruz, inteligentemente, alerta para que não fiquemos na metade da faixa – o que poderia provocar (com mais facilidade) a ira dos motoristas naturalmente estressados.

Se o motorista ver você andando tranquilamente no meio da faixa (mesmo sendo um direito do ciclista de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro) vai te achar um folgado e provavelmente acionará a buzina sem pestanejar. Mas se você estiver ali, na linha do 1/3, estará exercendo o seu direito com mais delicadeza. Provavelmente ele vai te achar apenas um desengonçado em busca de segurança — e não um folgado sem noção. Assim, fará a ultrapassagem apenas com uma leve impaciência.

Com certeza buzinas surgirão. Mas que ciclista não está acostumado a ouvi-las constantemente? E, convenhamos, ter segurança é muito mais importante do que se atentar às impaciências de um indivíduo nervoso – porque, afinal, esse assunto vai muito além dos aspectos legais.

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É mais importante ter segurança — do que atender às impaciências dos motoristas