A essa altura você já deve saber que a cidade de Orlando, nos Estados Unidos, foi palco de mais uma barbárie humana. Na madrugada do dia 12 um homem de 29 anos entrou numa balada e abriu fogo contra todos que estavam por lá, matando 50 pessoas e deixando outras dezenas feridas.

A balada em questão foi a Pulse, famosa por servir para reuniões da comunidade gay. Omar Siddique Mateen, o terrorista, morreu em combate com a polícia. Ele tinha identificação com o Estado Islâmico, mas seu pai chegou a dizer que não acha que sua ação tenha sido motivada por questões religiosas, e sim por questões homofóbicas.

Mais uma vez a história da intolerância terminou com vítimas. E o que eu me pergunto é: quantas situações como essa mais teremos que ouvir noticiar para pararmos e refletirmos sobre nossa postura frente à homossexualidade?

Por favor, olhe essa imagem:

SPERRFRIST 11.12.13 6.00UhrKen Duken / Kostja Ullmann

Sabe por que ela te incomoda? Eu também não sei. Mas eu sei porque ela me incomoda! Isso é fruto de um princípio estabelecido na humanidade, um princípio irracional de que um homem não deve se envolver afetuosamente com outro homem.

E essa ideia foi tão radicalmente absorvida pela sociedade que vivemos que já tomou conta de camadas profundas do nosso aparelho psicológico. Tanto é que sentimo-nos desconfortáveis ao observar situações como a da imagem acima.

Só não se sente assim quem já se propôs à reflexão tema desse texto e já empreendeu uma batalha íntima contra esses conceitos colocados involuntariamente em nosso modo de ver a vida. Isso porque todos nós nascemos escravos dos princípios sociais.

Você acha que é livre para enxergar o mundo como bem quer? É nada! Pelo menos até se reconhecer com esse direito.

Quando crianças não temos capacidade de discernimento — vamos nos apropriando das informações daqueles que estão ao nosso redor, independente de nossa vontade. Os pequenos questionam muito, claro, mas, bem ou mal, vão aceitando o que lhe dizem. Somente mais tarde desenvolvemos capacidade para seguirmos nosso próprio caminho filosófico.

O problema é que muitas vezes não questionamos nada e vamos seguindo com o barco.

Questione-se consigo mesmo “qual o problema de dois homens ou duas mulheres se envolverem?” e não encontrará respostas razoáveis. Todas as alegações serão infundadas de coerência simplesmente porque não há — não há problemas.

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Aceitar pensamentos homofóbicos, por menores que sejam, é apenas um sinal de que estamos seguindo com o barco sem nem mesmo perceber qual a direção que ele está tomando.

Mas a realidade está aí para nos mostrar. Dessa vez, na forma de uma chacina americana. É essa a direção que você quer tomar?

Talvez você considere que a homofobia esteja caracterizada apenas em atos extremos como xingamentos ostensivos, agressões ou carnificinas. Mas não, está presente em pequenos gestos, como um desconforto diante de um casal gay demonstrando afeto, a utilização de conceitos relativos à homossexualidade de forma pejorativa, a aversão à imagem de um homem nu e por aí vai.

São graus diferentes que caracterizam uma mesma ideia: preconceito frente ao homossexualismo.

Mas o clima muda, senhores, e os ventos começam a soprar em outras direções já há algum tempo. É inevitável que o barco mude seu rumo, porque nós, como seres humanos, não nos conformamos com a irrazoabilidade. Mas isso não acontecerá sem a nossa contribuação.

Portanto, fica o convite: reflita sobre como você lida com o homossexualismo — e não espere outro atentado para fazer isso.