Você já ouviu falar na Chia, a super-semente?

O título do texto já deixa claro que, nas próximas linhas, você encontrará uma propaganda fortíssima da chamada super-semente. Antes de começar o fraseado, porém, sinto a obrigação de dizer que chia é a palavra maia para “força”. E digo isso porque essa informação economizará, certamente, tempo para muitos leitores: nosso Editor de Comportamento, por exemplo, ficou convencido a comer a semente e saiu correndo ao mercado logo ao ler essa frase. Está certo que ele ingeriu doses altíssimas de energético (com pitadas de vodka) ontem e está acelerado até agora. Mas enfim. Se você ainda não seguiu o exemplo dele e correu para a feira, sugiro ler o resto do texto. A conclusão você já sabe qual será. Ainda assim, não custa nada conhecer os argumentos que te farão chegar a ela.

A semente de chia (planta de origem mexicana) era utilizada pelos povos pré-colombianos como alimento básico muito antes da chegada dos europeus nas Américas. Eles a usavam principalmente quando precisavam de energia e força para as longas jornadas, caças e batalhas. Reza a lenda que ingeriam somente um punhado da semente para uma caminhada de 24 horas – e mais nada. Eu não duvido nem um pouco. Em 1997, Cirildo Chacarito, um Tamahurama (povo indígena mexicano), ganhou uma corrida da Nike de 100 milhas (aproximadamente 160km), na Califórnia, calçando uma sandália de borracha que ele mesmo confeccionou. O segredo? Eu diria que é a chia – principal alimento da cultura Tamahurama.

A ingestão da chia fornece muita energia e resistência para o organismo por que ela é capaz de absorver mais de 12 vezes o seu peso de água (coisa que nenhuma outra semente ou grão pode fazer), o que proporciona uma forte retenção do líquido no corpo, favorecendo a hidratação e, consequentemente, a permanência de eletrólitos no nosso organismo (substância fundamental na comunicação elétrica entre as células). A forte concentração de proteína (cerca de 20% do seu peso) também é um fator importante para que o alimento seja uma das melhores fontes naturais de energia.

Como se isso não fosse o suficiente para passarmos a adotá-la em nossas refeições, estudos comprovam que ela faz muito bem à saúde, o que já era de se esperar. A semente de chia tem uma capa de gel à sua volta. Quando em contato com a água, essa capa se dissolve e forma uma substância gelatinosa – fenômeno que se torna possível por conta de fibras solúveis presentes na semente. Essa reação também acontece quando a chia se encontra no estômago. Uma vez que essa gelatina está no nosso órgão digestivo, os carboidratos são transformados em glicose lentamente, o que auxilia o aproveitamento do açúcar pelas células e faz com que ele não fique circulando improdutivamente pelo organismo. Por conta disso o alimento é indicado para o controle e a prevenção da diabetes.

O coração também é beneficiado pela ingestão da super-semente, que é muito rica em ômega-3, a gordura boa, que atua positivamente sobre a pressão arterial e o colesterol.

A chia favorece igualmente aqueles que querem perder peso. A explicação é muito lógica: a gelatina produzida no estômago deixa a digestão mais lenta; a grande quantidade de nutrientes supre muitas necessidades do corpo – esses dois fatores em conjunto tornam mais duradouro a sensação de saciedade após a ingestão da semente mexicana. Assim sendo, a vontade de continuar comendo some e você estará bem nutrido.

Os músculos não ficam fora da impressionante lista de benefícios trazidos pela Salvia Hispanica (nome original da planta). Como já foi dito, ela contém grande quantidade de proteína, e absorve e retém água, fatores que permitem que os nutrientes se transportem rapidamente para os tecidos e auxilie no aumento da massa muscular. De acordo com a nutricionista Bruna Murta, em uma entrevista à revista Saúde, o ideal é consumi-la depois do treino.

A semente de chia é fonte de:

  • Proteína (mais do que qualquer outra semente ou grão)
  • Cálcio (5 vezes mais do que o leite)
  • Potássio (2 vezes mais do que a banana)
  • Ferro (3 vezes mais do que o espinafre)
  • Magnésio (15 vezes mais do que o brócolis)
  • Ácido graxo ômega-3 (chega a ter mais de 8 vezes que a concentração do salmão)
  • Antioxidante

A chia pode ser consumida de diversas formas: como semente pode ser misturada com frutas, iogurtes, sopas, saladas; moída se torna uma farinha e pode ser utilizada em receitas de bolos e biscoitos; em forma gelatinosa pode substituir o ovo como o elemento aglutinador das receitas (coloque uma colher de sopa de chia triturada na água e deixe por 30 minutos); também é encontrada em forma de óleo. Consuma, diariamente, de 2 a 3 colheres de sopa do óleo ou 1 do grão ou da farinha. Para ver algumas receitas com a semente visite este link.

Apesar de parecer que podemos substituir todas as nossas refeições pela chia, por favor, não proceda dessa forma. Acrescente o alimento nas suas refeições e, de preferência, faça com acompanhamento de um nutricionista. Você é somente um cowboy, e não um Tamahurama.

Sua concentração de Ômega-3 chega a ser oito vezes maior que a encontrada no salmão