Me lembro até hoje da menina mais bonita da sala na minha época de escola. E ela tinha um traço de personalidade muito característico: agia de modo diferente com as pessoas. Com as amigas mais próximas, o “círculo interno”, ela era espontânea e legal; com as pessoas que ficavam no “círculo externo”, ela era arrogante, fria, em menor ou maior grau.

Mas eu sempre achei que isso fosse coisa da minha cabeça, que eu estava exagerando. Até achar este interessante estudo publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences, realizado pelo Dr. Reed-Tsochas, palestrante da Said Business School e pesquisador da complexidade dos relacionamentos humanos.

Ele fez uma pesquisa com 24 adolescentes nos últimos meses da escola, que progrediu até a entrada na faculdade e início do trabalho. Cada adolescente deveria listar seus amigos e fazer, como eu disse, “círculos de proximidade”, colocando quem eram os mais próximos e dizendo quanto tempo gastavam com eles. Além disso, os participantes também receberam celulares grátis, cujas contas foram avaliadas para saber quanto tempo gastaram no telefone com cada amigo.

A surpresa é que, mesmo dispondo de internet e tendo mais de 500 amigos no facebook, os seres humanos ainda têm um número limitado de amizades. De acordo com Robin Dunbar, um famoso pesquisador evolucionista britânico, o limite de amizades que o nosso cérebro aguenta é de 150.

No entanto, para amizades próximas, como mostra a pesquisa do Dr. Reed-Tsochas, esse limite cai drasticamente: apenas cinco.

Mas estes cinco amigos não são fixos. Quando os participantes do estudo mudavam da escola para a faculdade, os seus cinco melhores parceiros mudavam de posição, indo para o “círculo externo”, com os outros 150, enquanto novos amigos entravam no “círculo interno”. E os que ficavam no “círculo externo” também eram trocados e atualizados constantemente – sendo que algumas amizades se perdiam ao longo do tempo.

Lembra aqueles colegas com quem você estudou no primário? Ainda tem contato com algum deles?

De acordo com o pesquisador da Chester University, Dr. Sam Roberts, isso ocorre porque o cérebro humano tem um limite de tempo e, principalmente, de capital emocional que pode gastar com outros seres hummanos, em especial amigos e famílias, algo que pode até soar esquisito. No entanto, isto explica aquelas ocasiões em que uma pessoa se dedica loucamente a outra e esquece de todo o resto – família e amigos.

O interessante desta pesquisa, também, é que, embora o melhor amigo mude conforme a vida passa, o quanto você gasta de energia ou tempo com ele permanece o mesmo. Ou seja, você vai basicamente “atualizando” o seu melhor amigo.

E uma paixão pode tornar ainda pior o seu status de amizade. Por conta de um novo amor, o número tanto de amigos próximos como distantes pode diminuir por causa da quantidade limitada de capital emocional.

Quantos amigos já não foram perdidos para as namoradas?

Convidamos você a refletir sobre o assunto: faz sentido o estudo ou te soa uma grande furada?