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9 erros clássicos de arbitragem que a nova regra do futebol evitaria

Thiago Sievers
Thiago Sievers Head de Parcerias

A essa altura você já deve ter acompanhado a notícia de que a FIFA autorizou o uso de recursos tecnológicos com vídeo para auxiliar os árbitros de futebol. Já falamos sobre essa grande novidade do esporte.

Eu, particularmente, estou bastante satisfeito com a medida, apesar de saber que vai demorar um pouco para que seja aplicada e mais ainda para que se adapte à dinâmica do futebol.

No entanto, não dá mais para continuar abrindo mão da tecnologia e observar os juízes se equivocando grandemente nas partidas. Há quem diga que isso faz parte do futebol — o que não temos como negar. Mas a realidade é que não precisa fazer parte. Simples assim.

Como será a aplicação dessa novidade ninguém sabe. Mas, analisando a história do esporte, podemos ter uma ideia de que grandes injustiças poderiam ser evitadas com a ajuda desse recurso.

Então resolvemos separar 9 erros de arbitragem clássicos e decisivos que a nova tecnologia poderia ter evitado de acontecer.

Se isso é bom ou não, aí já é do gosto do freguês.

#9 Pênalti Colorado

(Corinthians x Internacional no Brasileiro de 2005)

Corinthians e Internacional jogavam no Pacaembú em busca da liderança do Campeonato Brasileiro de 2005 (aquele mesmo dos escândalos de arbitragem). O jogo estava empatado e já na reta final quando Fábio Costa cravou sua chuteira nas pernas de Tinga dentro da área.

Pênalti, certo? Não para Márcio Rezende de Freitas que, além de não anotar a falta, ainda deu cartão amarelo ao jogador colorado, que já havia recebido um e foi expulso de campo. (Assista a partir do minuto 3:30 do vídeo.)

  • Auxílio da regra: revisão de pênalti no primeiro lance e cartão no segundo.

#8 Fúria mundial

(Coreia do Sul x Espanha na Copa do Mundo de 2002)

A Espanha enfrentava a Coreia do Sul na Copa de 2002 e o jogo das quartas de final estava empatado em 0 x 0 na prorrogação. No tempo normal um gol espanhol já havia sido mal anulado, no entanto, o lance ocorrido depois foi bem mais grave.

Um cruzamento na linha de fundo realizado por Joaquín encontrou a cabeça de Morientes e a bola foi para o fundo do gol (seria um gol de ouro) — mas o bandeirinha disse que a bola saiu em tiro de meta. Viajou legal.

A partida foi para os pênaltis e a Coreia venceu com seu goleiro defendendo uma cobrança em que se adiantou mais do que Rogério Ceni nos seus tempos áureos de cara de pau.

  • Auxílio da regra: revisão de gol.

#7 Animal criminoso

(Palmeiras x Corinthians no Paulista de 1993)

Era o segundo jogo da final do Campeonato Paulista de 1993 entre Palmeiras e Corintinhas. No primeiro o Timão havia vencido por 1 x 0 e no segundo o Verdão vencia pelo mesmo placar até o final da última etapa – quando aconteceu o lance em questão.

Edmundo e Paulo Sérgio estavam travando uma rivalidade quente, que vinha desde os comentários extra campo, e num lance na lateral o animal levantou as suas pernas em um carrinho criminoso. O lateral corintiano, esperto, pulou para não ser acertado — porque se fosse, como ele mesmo diz, hoje estaria em cadeiras de rodas.

O juíz deu apenas um amarelo para Edmundo e o Palmeiras goleou o Corinthians por 4 x 0 se sagrando campeão. Se o atacante tivesse sido expulso, como obviamente deveria ter sido, a realidade do jogo poderia ter sido outra que não o atropelamento verde.

A regra diz que a revisão é para cartão vermelho dado — mas, aí FIFA, fica a dica para lances que deveria haver expulsões.

  • Auxílio da regra: revisão de cartão.

#6 O passo malandro

(Brasil x Espanha na Copa de 1962)

Quem não se lembra da malandragem de nosso lateral esquerdo Nilton Santons no jogo do Brasil contra a Espanha válido pela fase de grupo da competição? O jogo estava 1 x 0 para os espanhois quando o atleta fez uma falta dentro da área. Malandro e ágil, ele deu um pequeno passo para que seu pé ultrapassasse a linha e ele ficasse fora da área.

Resultado: falta e não pênalti. Para piorar, no cruzamento o craque Puskas fez um gol de bicicleta que o juíz anulou. O motivo? Até hoje não se sabe ao certo.

  • Auxílio da regra: revisão de pênalti no primeiro lance e de gol no segundo.

#5 A luva negra

(Flamengo x Grêmio no Brasileiro de 1982)

Era o terceiro jogo da final e o Grêmio, que jogava contra o Flamengo, precisava apenas de um empate para ser campeão. O jogo estava 1 x 0 para o time carioca quando a bola foi alçada em sua área e o jogador tricolor Baltazar cabeceou para o gol.

A bola teria ultrapassado a linha se não fosse a mão salvadora de Andrade. Segundo O Globo, depois de muito tempo o goleiro Raul disse que uma “luva negra” havia salvado o Rubro-Negro aquele dia.

  • Auxílio da regra: revisão de gol.

#4 Porrada em Wright

(Fluminense x Bangu no Carioca de 1985)

José Roberto Wright poderia ter sua integridade preservada se a nova tecnologia estivesse funcionado no longíquio ano de 1985. O jogo era válido pela final do Carioca de 85 entre Fluminense e o grandioso Bangu.

O jogo estava 2 x 1 para o Tricolor até os acréscimos do segundo tempo, quando Claudio Adão recebeu um lançamento e ia sair cara a cara com o goleiro. O gol estava praticamente anotado se o jogador não tivesse recebido uma gravata do zagueiro Vica.

Wright, muito longe do lance, não anotou o pênalti e logo foi cercado pelos jogadores do Bangu e também comissão téncica. E como a época era outra, o bicho pegou para o juíz, que encerrou a partida no meio da confusão mesmo e deve ter tomado muito cascudo.

  • Auxílio da regra: revisão de pênalti.

#3 Erro triplo

(Botafogo x Santos do Brasileiro 1995)

Botafogo e Santos decidiram o Brasileiro de 1995 – e a final foi catastrófica em termos de arbitragem. Tudo o que aconteceu foi errado.

Primeiro, Túlio marcou um gol impedido e fez o Fogão sair na frente. Depois o Santos empatou a partida com um lance em que Capixada claramente colocou a mão na bola.

Por fim, o único gol válido, marcado por Camanducaia, foi anulado pelo trapalhão Márcio Rezende de Freitas que anotou um impedimento inexistente. Incrível!

  • Auxílio da regra: revisão de gol.

#2 O gol que nunca aconteceu

(Inglaterra x Alemanha na Copa de 1966)

Final de Copa do Mundo. Não apenas isso: prorrogação de final de Copa do Mundo. O jogo era entre Inglaterra e Alemanha e valia o troféu mais valioso do planeta. Eis que aos 10 minutos do primeiro tempo o atacante inglês Geoff Hurst cabeceou a bola para o gol. A redonda bateu na trave e na linha, e o juíz, depois de alguns segundo, anotou o tento.

Mas ele errou: a bola claramente não ultrapassou o limite do campo. O lance ficou marcado na história do futebol até pela importância.

Mas muitas anos depois os ingleses sofreriam na pele as dores de uma injustiça, ao ver um gol de Lampard mal anulado nas oitavas da Copa de 2010.

  • Auxílio da regra: revisão de gol.

#1 A “Mão de Deus”

(Inglaterra x Argentina na copa de 1986)

Em jogo válido pelas quartas de finais da Copa do Mundo de 1986 a Argentina enfrentou a Inglaterra e aconteceu um dos lances mais marcantes de todos os tempos no futebol: a “Mão de Deus”.

O primeiro gol dos hermanos foi marcado por Maradona com a mão. Quando questionado no final da partida ele disse: “Um pouco com a cabeça e um pouco com a mão de Deus”. O jogo terminou 2 x 1 para os argentinos que se classificaram.

Curiosidade: o segundo gol foi aquela arrancada espetacular de Dieguito.

  • Auxílio da regra: revisão de gol.