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O fim da obsolescência: FIFA finalmente aprovou a tecnologia no futebol

Thiago Sievers
Thiago Sievers Head de Parcerias

A FIFA se livrou do comando obsoleto de Joseph Blater e Michel Platini e, pronto, o futebol deu um grande passo em direção ao progresso. Não pela saída dos dois por si só – o que já é uma beção -, mas por algumas mudanças nas regras do futebol que foram autorizadas pela entidade máxima nesse sábado.

Sob comando do novo presidente da entidade, Giani, Infantino (eleito dia 26 de fevereiro), aconteceu no dia 5 uma reunião em Cardiff (País de Gales) com membros da FIFA e da IFAB (órgão que regulamenta as regras do esporte) para conversar sobre algumas normas do futebol.

E como Salvio Spinola comentou no Bate Bola da ESPN, a ausência de Blater e Platini tornou a conversa muito mais fácil entre os presentes e culminou na aprovação de algumas mudanças importantíssimas nas leis do esporte.

A mudança mais relevante ficou por conta da permissão para o uso do replay pelos juízes. Finalmente! Esperava por esse dia há algum tempo e, sinceramente, não tinha muitas esperanças de vê-lo chegar assim, do nada.

O futebol estava (e ainda está, na verdade, porque as mudanças precisam ser aplicadas) se tornando obsoleto, negando orgulhosamente a aceitar o bendito auxílio da tecnologia em nome, sei lá, da tradição, mas em detrimento do acerto, da justiça.

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Não foi o primeiro passo nesse sentido. O recurso tecnológico da linha do gol, que informa se a bola entrou ou não no gol, já está sendo utilizado na Europa. No entanto, ainda não é uma realidade mundial.

Mas a questão do replay avança ainda mais nessa polêmica discussão (não sei o porquê da polêmica, na verdade. É tão óbvio os benefícios da tecnologia para o futebol).

A partir de agora haverá um juíz de vídeo que poderá alertar o árbitro dentro de campo sobre ocorrências que tenham escapado de suas observações (ou mesmo que ele tenha errado).

Da mesma maneira, o juíz principal poderá acionar o vídeo (por meio de um tablet que ficará fora de campo) se tiver dúvidas. A decisão final, no entanto, ainda é do árbitro dentro das quatro linhas, que continua sendo a autoridade máxima.

O replay poderá ser utilizado para as seguintes ocorrências:

  • Determinar se um gol foi legal ou não;
  • Rever casos de expulsões;
  • Marcação de pênaltis;
  • Identificação de um jogar advertido (às vezes o juíz pune o atelta errado).

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É, eu sei, não é lá tanta coisa – mas é um  grande começo e que pode fazer muita diferença.

Infelizmente, o caso que talvez mais seria beneficiado com a adoção dessa tecnologia não foi englobado no pacote: os impedimentos. Os replays não serão utilizados para impedimentos duvidosos, a não ser que seja uma situação clara de gol.

Outras três determinações ainda foram tomadas:

  • A saída de bola não precisa mais ser para frente, pode ser para qualquer direção;
  • Os jogadores agora podem ser atendidos dentro de campo em situações de falta advertida com cartão;
  • Os jogadores podem ser expulsos antes da bola rolar.

Alguns outros assuntos também foram levantados, como o fim da punição tripla (pênalti, cartão vermelho e suspensão em caso de impedimento ilegal de um gol claro) e uma quarta substituição em jogos que forem para a prorrogação.

Ainda não há uma data exata para colocar as regras em prática, mas as federações de todo mundo já podem colocá-las em teste em seus campeonatos. Inclusive, a CBF e diversas outras federações já pediram autorização para testes, quem sabe até no Brasileiro desse ano mesmo.

Mas a ideia é que em no máximo 2018 as mudanças sejam implantadas oficialmente no mundo todo.

Enfim, é um começo. Um ótimo começo! Ainda demorará para vermos essas mudanças adotadas oficialmente nos campos do mundo todo – mas é um sinal de novos tempos. Um sinal que aguardávamos ansiosamente.

Eu, particularmente, estou feliz nem tanto pelas regras em si, mas por aquilo que essas decisões representam: um abandono do velho e ultrapassado pensamento que atravanca o progresso do esporte. Essas serão as mudanças nas regras do futebol mais relevantes de sua história, ousaria dizer. E logo após a saída de figuras que representavam a obsolescência.

Agora aguardemos para que o futebol brasileiro siga o mesmo caminho, substituíndo seus dirigentes paspalhões.