O que é falácia? Aprenda a evitar os raciocínios equivocados

Você provavelmente já ouviu a palavra falácia em algum lugar. Mas você sabe exatamente o que ela significa? Trata-se de um raciocínio equivocado que, apesar de simular a verdade, é logicamente incoerente. Os argumentos falaciosos são particularmente perigosos, uma vez que estão amparados, muitas vezes, no senso comum. Isso faz com que sejam bastante persuasivos às pessoas.

É óbvio que devemos, ao máximo que pudermos, evitar tais argumentos. Mas como fazer isso? Antes de qualquer outra coisa, saiba que utilizar uma falácia deliberadamente é um ato de desonestidade. Mas mesmo de maneira inconsciente ela é ruim. Afinal, uma pessoa inteligente não deseja estabelecer um argumento sobre falsas premissas, né? Por isso hoje vamos ensinar a detectar quatro tipos clássicos de falácia, para não cair mais nessas armadilhas:

1# GENERALIZAÇÕES

Um dos tipos mais comuns de falácia, utilizado por praticamente todos, é aquele no qual generalizamos um caso isolado.

Exemplo: “Eu conheci dois caras que estudam Economia e eles são muito chatos. Caramba, como os economistas são desagradáveis…”

Exemplo: “Alguns dos homens mais ricos do mundo largaram a faculdade, como Bill Gates e Steve Jobs. Talvez abandonar a faculdade que estou cursando seja uma boa ideia também.”

Nós temos a tendência a dar um peso excessivo às experiências que aconteceram conosco; às pessoas que conhecemos; e às figuras mais presentes na mídia. Mas, quando nos concentramos apenas nesses exemplos, acabamos ignorando o fato de que o mundo não se limita a isso. Fazemos uma generalização incorreta.

A melhor maneira de evitar esse tipo de falácia é buscando estatísticas e dados que apoiem ou refutem a sua hipótese inicial. Por exemplo, pesquisas indicam que aqueles que possuem um bom desempenho na faculdade costumam receber salários mais altos do que aqueles que abandonam o curso. Melhor continuar matriculado então, né?

2# CAUSAS FALSAS

Nesta situação, partimos do pressuposto de que, como “X” é uma possível explicação para “Y”, então deve ser a sua causa.

Exemplo: “Eu tirei uma péssima nota na minha primeira prova de anatomia. Isso significa que eu não entendo nada a respeito de anatomia e que jamais poderei entender”.

Exemplo: “Meu último relacionamento terminou porque eu sou ciumento demais. Isso sem dúvida alguma significa que jamais terei um bom relacionamento, porque eu sou assim e jamais mudarei”.

Às vezes, acabamos caindo na tentação de utilizar a causa falsa porque é muito mais fácil acreditar que as coisas encontram-se fora do nosso controle. Assim, não existe nada a ser feito, então não precisamos nos esforçar para aprimorar a nós mesmos.

O melhor modo de evitar essa espécie de falácia é reconhecendo que, em geral, os eventos possuem múltiplas causas, e sempre existe algo que possamos fazer para melhorar as coisas.

3# ATITUDE BAJULADORA

É comum acreditarmos que seremos aceitos pelas pessoas que admiramos — ou pelos grupos nos quais gostaríamos de entrar — se concordarmos com todas as coisas que eles dizem.

Exemplo: “Algumas pessoas da igreja que frequento afirmam que os professores de biologia e de filosofia são perigosos porque encorajam o ateísmo. Portanto, é melhor eu evitar essas aulas.”

Exemplo: “Ouvi um pessoal da empresa dizendo que o cara do RH é um picareta. Eu não o conheço direito, mas deve ser verdade. Vou começar a ignorá-lo a partir de agora.”

É raro admitirmos que cometemos esse tipo de falácia. Você já ouviu alguém dizer: “Oh, eu acredito no que meus amigos acreditam”? Aposto que não. No entanto, sentimos uma necessidade psicológica bastante intensa de nos identificarmos com as pessoas mais próximas a nós. Isso pode nos levar a acreditar em coisas que não são legítimas.

No intuito de evitar esse tipo de falácia, pratique a auto-reflexão crítica. Pergunte a si mesmo se realmente acredita nessas coisas — ou se a verdade é que está simplesmente tentando se encaixar em um grupo. Lembre-se que é saudável discordar das pessoas às vezes.

4# HORIZONTE APOCALÍPTICO

Essa é uma falácia que inclui uma imensa carga de dramaticidade. De acordo com ela, um determinado fato – por assim dizer, o evento “A” – culminará necessariamente no “B”, no “C” e no “D”. Em geral, o final previsto é sempre trágico e pessimista.

Exemplo: “Eu disse algo insensível para ela. Agora, ela vai me odiar até o final da vida. Nós nunca mais seremos amigos e eu ficarei sozinho para sempre.”

Exemplo: “Se eu tirar uma nota baixa nessa disciplina, eu não conseguirei me formar, nunca arrumarei um emprego e morrerei na miséria.”

Para evitar esse tipo de falácia, que é extremamente comum, basta fazermos uso de nossa racionalidade. Será que as consequências serão realmente tão extremas? Provavelmente não. Então tente se acalmar para pensar com mais clareza.

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