Os equipamentos da academia não estão te deixando forte

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Com o título polêmico eu quero fazer com que você, leitor, pense exatamente nas escolhas que faz quando treina. Talvez aconteça com você de suportar toneladas na academia, mas mal conseguir levantar da cadeira sem se apoiar.

Isso porque força é um conceito muito amplo. Poderíamos dividi-la em dezenas de tipos, como força de resistência, força máxima e etc.

Mas o ponto central desse texto não se refere a nenhum tipo específico de força, e sim ao fato de muitas pessoas não conseguirem transferir a força da academia para o “mundo real.”

Quando pensamos em exercer força numa atividade funcional, temos que considerar movimentos integrados, que envolvam membros superiores e inferiores, como, por exemplo, escalar, empurrar um objeto pesado.

Nessas atividades é preciso integrar os esforços das pernas com uma estabilidade do tronco, utilizando também as forças dos membros superiores, seja para agarrar e puxar ou para empurrar.

Vamos pensar na escalada como exemplo. O simples movimento de escalar não envolve somente a força de puxada, é mais complexo do que isso. É preciso agarrar, puxar, estabilizar o tronco com algum grau de flexão lateral para então receber auxílio de membros inferiores.

Nesse caso, por mais forte que sejam seus membros inferiores e a sua puxada, se você não possuir nenhuma força ou resistência na pegada não vai conseguir ir muito longe.

Já no caso de empurrar um carro, não podemos considerar apenas o movimento de empurrar no plano horizontal, como acontece com o supino. É preciso que haja estabilidade dos ombros, peitoral, tríceps, tronco, além da ativação dos membros inferiores.

Ou seja, carregar muito peso no supino não garante nenhum sucesso na tarefa de empurrar um carro,

“Mas e se eu treinar todas as musculaturas?”, você pode estar se perguntando.

O fato de treinar o corpo todo, como, por exemplo, fazer uma cadeira extensora, uma cadeira flexora, um abdominal e um supino, não vai garantir sucesso em empurrar um carro, pois a questão não é simplesmente exercitar todos os músculos envolvidos nessa ação, mas é, principalmente, a transferência de uma tarefa (musculação) para a outra (atividade funcional).

Vamos a mais um exemplo para ilustrar o que quero dizer.

Ao fazer o abdominal você estimula a função de flexão do tronco; já no caso de empurrar o carro você precisa de força de estabilização. Fazendo os exercícios mencionados acima para as pernas você treina a parte anterior e posterior da coxa; mas ao empurrar o carro você precisa da co-contração, ou seja, contrair ambas partes ao mesmo tempo.

Para pessoas em nível iniciante, os equipamentos são ótimas opções por trazerem segurança. Mas mesmo se você já é intermediário ou avaçado, não existe nenhum problema em complementar seu treinamento com movimentos em equipamentos.

Só é preciso ter em mente que a parte principal de seu treino deve ser baseada em movimentos livres e multiarticulares, pois eles são mais eficientes estética e funcionalmente.

Ricardo Wesley

O educador físico Ricardo Wesley trabalha há 10 anos com treinamento físico. Ele é especialista em Fisiologia do Exercício; tem MBA em Gestão & Estratégia Empresarial; é mestre em Ciências da Reabilitação e doutorando em Imunologia.

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