Sua empresa merece (ou não) mais investimentos?

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Todo empreendimento requer investimentos.

Por isso, ao criar uma empresa, os sócios injetam um capital que será considerado o investimento inicial. Ao longo dos anos o negócio continuará a requerer investimentos periódicos a fim de garantir sua sobrevivência, crescimento e melhoria. Naturalmente, quando um investidor aplica parte de seu dinheiro em um empreendimento, ele alimentará expectativas quanto ao retorno. O payback (prazo de retorno) e o ROI (retorno sobre o investimento) são índices de importância decisiva para se avaliar a viabilidade do negócio.

Muitos investimentos começam a dar retorno depois de dois anos ou mais.

Essa realidade impõe ao empreendedor a necessidade de aguardar com paciência o momento adequado de usufruir dos ganhos financeiros proporcionados pela empresa. Enquanto não chega esse tempo, a ordem é continuar investindo e reinvestindo no fortalecimento e consolidação do negócio.

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(MAIS: Aplique a fórmula de Mick Jagger e Keith Richards aos negócios)

O dia a dia tem nos mostrado uma dura realidade, porém: nem todas as histórias de investidores que tinham boas ideias, dinheiro e aproveitaram oportunidades aparentemente “excelentes” têm um desfecho feliz. A mortalidade de empresas é um mal que tem afligido muitos negócios em seus primeiros anos de vida. Os prejuízos são enormes. Por isso, é necessário que tratemos do tema desinvestimento com a mesma naturalidade que se fala em investimento.

Infelizmente não é isso que acontece.

O desinvestimento é visto como tabu, pois geralmente se reveste de sentimentos negativos ligados à derrota, incapacidade de levar o sonho adiante, erros de planejamento, falta de persistência, dentre outros. Tudo isso não passa de preconceito. Há várias circunstâncias em que o desinvestimento será a melhor saída. Algumas delas, inclusive, são decisões inteligentes e sensatas.

Há sinais que apontam o momento adequado para desinvestir:

#1 Quando parte do negócio não está correspondendo às expectativas

Para uma rede de pontos de venda, uma filial deficitária pode ser alvo de um corte. O mesmo pode ocorrer com um produto que dá sinais de estagnação e obsolescência. O desinvestimento, em casos como esses, será parcial. Quem administra a empresa deverá agir tal qual um jardineiro que vai podando os galhos e ramos secos e infrutíferos a fim de que eles não prejudiquem futuro e o crescimento da planta.

#2 Para aproveitar oportunidades de valorização do negócio

Há empreendedores que montam empresas novas ou recuperam aquelas à beira da falência e as fazem desenvolver de tal forma que valorizam significativamente o negócio. Quando a empresa chega no auge de seu ciclo evolutivo, eles resolvem desinvestir. Parece ser algo estranho? De modo nenhum. É uma estratégia para fechar negócio enquanto o patrimônio consegue obter um excelente preço de venda. É importante frisar que, em casos como esse, não há uma relação de sentimentalismo, nem de apego exagerado à empresa. Ela é vista como (mais) um produto que pode será oferecido ao mercado no momento oportuno.

#3 Caso o negócio se torne inviável

Este é o caso do empresário que vai liquidar a empresa após constatar que não adianta tentar remediar problemas crônicos e crescentes. As razões podem ser várias: pessoais, familiares e também econômicas. Quando o crescimento para, os balancetes mensais insistem em fechar no vermelho e as injeções de capital externo são insuficientes para cobrir os rombos financeiros, é hora de tomar a decisão de desinvestir. É preciso deixar a vaidade, o orgulho e a preocupação com a aprovação social de lado e fazer o que é imperativo: estancar os prejuízos antes que seja tarde demais.

Conheço gente que se comporta como os capitães de navios dos filmes-catástrofe: permanecem impassíveis e resignados a bordo, enquanto o barco submerge. Realmente, pode parecer bonito, poético e sentimental para o contexto do enredo. No entanto, quando transpomos a situação para um negócio que está no mundo real, temos que ser pragmáticos para buscar a solução mais prática, rápida e indolor. Com o tempo, todos chegarão à conclusão de que, em função das circunstâncias, o recuo foi a decisão mais prudente e madura, fruto de uma visão estratégica que conseguiu alcançar com clareza as ameaças e cenários sombrios no longo prazo.

Diferente de um capitão com o seu navio, você não precisa afundar com a sua empresa

Flávio Emílio Cavalcanti

Flávio Emílio Cavalcanti é professor universitário, consultor organizacional, administrador e mestre em Gestão de Recursos Humanos.

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