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Como o videogame está virando profissão

Pedro Cohn
Pedro Cohn Diretor de Negócios

Com torneios que hoje oferecem premiações milionárias, os jogos eletrônicos têm tudo para virar esporte da mente, a exemplo do pôquer.

O COD Championship Series rendeu US$ 400 mil à equipe campeã

Há quem diga que videogame é coisa de criança. O que talvez essas pessoas não saibam é que existem campeonatos profissionais que distribuem milhares de dólares — ou até mesmo milhões — para os seus participantes. Um exemplo é o Call of Duty Championship Series, que ocorreu no começo deste mês no Holywood Paladium, em Los Angeles, Califórnia. O evento contou com 32 times dos 5 continentes e rendeu US$ 400 mil à equipe campeã, a Fariko Impact, formada por 4 rapazes dos EUA.

A primeira impressão que tive ao assistir os confrontos foi de que os caras não jogavam tão bem; conseguia me ver enfrentando-os sem ficar muito para trás. O único problema seria adaptar meu jogo ao Xbox, uma vez que eu costumo jogar no computador — a plataforma que ficou responsável por rodar as partidas foi o videogame da Microsoft, já que a empresa patrocinou o evento. Mas conforme o torneio ia avançando às fases finais, eu percebi que talvez ficaria meio deslocado naquela turma. Ou bem deslocado.

A partir da semifinal, algumas jogadas realmente me surpreenderam. Uma delas foi desenhada no mapa Hijacked no modo hard point: na parte de baixo do navio um jogador chamado Parasite, da equipe Envyus, matou seis adversários em menos de 20 segundos. Da maneira que a jogada foi realizada, eu precisaria de alguns meses de treino pesado para fazer algo parecido (veja o vídeo no fim do texto).

O evento, contudo, não põe os holofotes nas qualidades técnicas dos jogadores, mas sim no que realmente significa o mundo dos jogos eletrônicos hoje em dia. Há algum tempo o pôquer era visto como uma atividade clandestina — e realmente era. Mas depois de muito esforço de quem pratica o esporte (sim, o pôquer é aceito hoje como um esporte de mente, a exemplo do xadrez) sua imagem vem ganhando respeito para quem quer que seja. Acreditamos que o videogame tem potencial para seguir o mesmo caminho. E não apenas por crença pura, mas pelo que os fatos vêm mostrando. Inclusive, a atividade tem até uma denominação: eSports.

O mercado de game cresce assustadoramente e a consequência disso é um investimento brutal das empresas. Dessa forma, cada vez mais veremos eventos do porte do Call of Duty Championship acontecerem e assim os jogadores vão ganhando importância e credibilidade nesse universo. Somando um e um, fica claro que a profissionalização do eSports é iminente. Portanto, não se assuste se seu filho lhe falar que quer ser um jogador de COD quando crescer.