Como planejar suas finanças | Maestria Financeira #4

Olá, senhores! Este é o quarto capítulo de uma série de 6 artigos que André Massaro, um dos maiores educadores financeiros do Brasil, está produzindo para ajudar os leitores do El Hombre a conquistarem a tão sonhada independência financeira. Fique ligado para não perder nenhum capítulo desta série.

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Por ANDRÉ MASSARO

Aqui estamos para mais uma etapa da nossa “saga” da maestria financeira. E vamos falar do planejamento financeiro, que é a arte e a ciência de saber de onde seu dinheiro vem, para onde ele vai e como podemos fazer com que sobre dinheiro para concretizar nossos objetivos.

E quero chamar sua atenção para uma coisa importante: este artigo vem imediatamente após um artigo sobre “o pesadelo das dívidas”. E isso porque, idealmente, ANTES de partir para o planejamento financeiro, é importante que você já tenha as suas dívidas (se as tiver) e suas causas (lembrando que dívidas não são o problema, e sim a consequência) devidamente mapeadas.

Mas, se não tiver feito isso, o processo de planejamento financeiro vai te ajudar a fazer esse mapeamento. Mas o ideal é que você já tenha identificado e sanado as CAUSAS do endividamento, pois, do contrário, seu planejamento financeiro vai ser como aquelas dietas que a gente promete fazer no ano novo: um plano destinado a dar errado.

O processo de fazer um planejamento financeiro parece complexo, mas ele é simples (porém, é “trabalhoso”). Só que os benefícios de viver com uma vida financeiramente “em ordem” são enormes e difíceis de mensurar. Com finanças bem planejas (e um pouco de disciplina), você vai ter uma vida melhor, mais confortável e vai reduzir drasticamente sua chance de sofrer com angústias, ansiedade e ”perrengues” por causa de dinheiro.

Por onde começar o planejamento financeiro

No mundo da tecnologia, existe uma expressão em inglês popular que diz garbage in, garbage out. Em tradução livre, significa que, em um processo qualquer, se você colocar “lixo”, o resultado vai ser lixo…

Essa frase cai como uma luva no planejamento financeiro, pois a qualidade de seu planejamento é exatamente igual à qualidade dos dados que você insere nele.

Os dados que você precisa, para planejar as finanças, são dados sobre o dinheiro que você recebe e o dinheiro que você gasta. É “de onde o dinheiro vem” e “para onde o dinheiro vai”. E esses dados são a matéria-prima do seu planejamento financeiro. Se os dados estiverem “zoados”, o planejamento será igualmente zoado…

Por isso, o PRIMEIRO PASSO é você definir uma ferramenta para fazer seus registros financeiros.

E, talvez, você esteja se perguntando agora: “Mas isso significa que eu vou ter que registrar cada gasto meu?”. A má noticia é: sim, significa… Pelo menos no começo, até você estar com as finanças absolutamente em ordem e rodando no “piloto automático”.

Se você deixar de registrar alguma informação, seus dados vão ficar inconsistentes e aí… Já sabe: Garbage in, garbage out.

Por isso, comece pelos registros financeiros. Use uma ferramenta para registrar (não confie na memória). Pode ser um aplicativo, uma planilha ou até mesmo um caderninho, mas use uma ferramenta.

Se não tiver uma ferramenta de preferência, fica a dica de uma planilha de planejamento e controle financeiro (feita por mim) bastante completa, gratuita, fácil de usar, com exemplos e instruções.

A coleta de dados

Uma vez que você definiu uma ferramenta, é interessante você passar um período só “coletando dados”, anotando cada entrada e cada despesa.

Idealmente, esse período deve ser de dois a quatro meses. Assim, você terá um retrato bastante realista de como é a sua vida financeira e, se for como a maioria das pessoas que faz isso, você terá uma surpresa ao final desse período.

Isso porque a maioria das pessoas “acha que sabe o quanto gasta”. Mas quando elas colocam isso no papel (ou numa planilha), na grande maioria das vezes, acabam tendo uma surpresa e descobrem que gastam bem mais do que acreditavam!

Essa é uma das razões pelas quais é tão importante usar uma ferramenta de controle: Ela nos mostra aquilo que nossa memória não registra…

O planejamento financeiro: comece pelas despesas

Depois que você já tem um volume de dados que te permita entender melhor suas próprias finanças, o próximo passo é analisar, detalhadamente, suas despesas.

O interessante de começar pelas despesas (e não pelas receitas) é que, sobre elas, nós temos algum controle. Podemos, por exemplo, tomar a decisão de gastar menos ou, simplesmente, não gastar.

Já sobre as receitas, não temos 100% de controle. Ninguém consegue ganhar mais dinheiro simplesmente por um “ato de vontade” do dia para a noite.

Mas, enfim… A ideia, ao analisar as despesas, é identificar oportunidades de reduzir ou cortar despesas e, idealmente, sem que isso implique em sacrifício ou perda de qualidade de vida.

E saiba que é possível SIM cortar despesas sem impactar na qualidade de vida. Isso porque boa parte das nossas despesas são, pura e simplesmente, DESPERDÍCIO DE DINHEIRO, que não te agregam nada e não te trazem prazer algum.

Por exemplo: imagine que você pague a mensalidade da academia e nunca vai (ou vai lá “fazer turismo” de vez em quando… e não obtém nenhum benefício). Se você cortar essa despesa, o impacto em sua qualidade de vida será… ZERO!

Afinal, você não ia na academia mesmo… Pelo contrário, sua qualidade de vida vai até aumentar, pois vai sobrar mais dinheiro para as coisas que você realmente gosta.

Para entender melhor suas despesas, é interessante classifica-las em grupos. Uma das formas mais comuns de classificar despesas é entre despesas fixas e despesas variáveis.

As despesas fixas são aquelas que não são associadas ao consumo – você paga o mesmo valor, independentemente de quanto consumir. É o caso, por exemplo, de um serviço de streaming – se você ficar o mês inteiro assistindo, ou se não assistir uma única vez, o valor será o mesmo.

As despesas variáveis são o oposto – são aquelas que estão diretamente ligadas ao consumo. Um exemplo clássico é a alimentação. Se você comer menos, ou consumir produtos mais baratos, vai gastar menos.

Então, para começar a botar ordem nas despesas, o caminho mais rápido é identificar aquelas despesas variáveis onde você pode, de imediato, reduzir gastos. Com isso, já começa a sobrar algum dinheiro para você ir fazendo arrumações mais profundas na sua vida financeira.

As receitas: o dinheiro que entra

Para sobrar mais dinheiro, só tem duas coisas que podem ser feitas: gastar menos ou ganhar mais.

Em um mundo ideal, a gente resolveria nosso desequilíbrio financeiro ganhando mais e sem sacrificar os gastos. Mas, no mundo real, a gente não consegue sair ganhando mais dinheiro com um “estalar de dedos”.

O aumento das receitas é uma coisa importante e que devemos buscar, mas sempre tendo em mente que é algo de mais longo prazo e que não temos controle sobre o processo.

Por exemplo, você pode fazer um programa de estudos e capacitação profissional para aumentar sua renda em um ano, mas não há nenhuma garantia de que, em um ano, você terá um aumento ou um novo trabalho que te pague mais.

Por isso, para reequilibrar as contas, no curto prazo o caminho é mexer nas despesas. Mas, no longo prazo, o ideal é aumentarmos as receitas (o que envolve ações de desenvolvimento pessoal e profissional) e irmos vivendo mais “folgados” com as despesas.

Sobrar dinheiro é o objetivo

O objetivo “supremo” do planejamento financeiro é fazer com que sobre dinheiro.

Se você tem dívidas, você precisa fazer sobrar dinheiro para poder eliminar suas dívidas (por isso é importante entender suas dívidas antes de fazer o planejamento).

Se você NÃO tem dívidas, você precisa fazer sobrar dinheiro para ir construindo um patrimônio que vai te trazer LIBERDADE FINANCEIRA – que vai te permitir viver com qualidade, sem ter que se preocupar com as contas que vencem amanhã e sem ter que se submeter a coisas que você não quer fazer, simplesmente por precisar dinheiro.

Últimas (e importantes) palavras sobre planejamento financeiro

Fazer um planejamento financeiro é fácil. A parte difícil é viver conforme o planejamento… É mais ou menos como fazer uma dieta ou deixar de fumar: qualquer um sabe o que precisa ser feito, mas entre “saber o que fazer” e simplesmente “fazer” há uma grande distância…

Por isso, tenha em mente que o planejamento financeiro não é uma coisa agradável de se fazer, mas ele é daquelas coisas que são desagradáveis no curto prazo mas, no longo prazo, vão te permitir viver uma vida muito mais tranquila e com muito mais qualidade.

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André Massaro é autor, consultor, professor e palestrante especializado em Finanças, Investimentos, Economia e Tomada de Decisões. É um dos mais conhecidos e experientes educadores financeiros do Brasil e, mais que isso, é alguém que acredita que o dinheiro não é tudo, mas a liberdade financeira é o caminho para a liberdade pessoal. Site: www.andremassaro.com.br