Curiosidades do mundo do automóvel – Parte 3: Regionalismos

Tropicalização. Para quem não conhece, este é o termo utilizado pelas montadoras para definir o processo pelo qual todos os automóveis produzidos no exterior passam antes de serem vendidos no Brasil. É comum vermos nas revistas especializadas fotos de lançamentos recheados de firulas tecnológicas que simplesmente “somem” quando estreiam suas versões nacionais por aqui.

O fato é que inúmeras variáveis contribuem para tais mudanças, desde o custo de produção até o gosto do público. E em alguns casos, as alterações vão ainda mais além. São processos como este que geram os chamados “regionalismos”.

Os regionalismos são comuns em todas as partes do mundo e às vezes obrigam os fabricantes a fazerem verdadeiros malabarismos para manterem suas linhas em conformidade com os mercados e não perderem a clientela. Seja por força de lei ou apenas por traços culturais, o automóvel é um dos bens de consumo que mais se adapta em função do consumidor.

Alguns regionalismos são amplamente conhecidos, como a posição do motorista no lado direito (adotada em países como Austrália, Inglaterra e Japão) ou a não-obrigatoriedade de se ter duas placas (adotada nos Estados Unidos). Outras são menos conhecidas e algumas extremamente curiosas.

E este é o tema da terceira parte da nossa série sobre curiosidades: o regionalismo.

  • Monza

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O Chevrolet Monza, um modelo amplamente conhecido pelos brasileiros, teve uma vida de sucessos por aqui chegando até a virar símbolo de status. Menos para os proprietários portugueses e espanhóis. Tudo porque, lá na Europa, o Monza era vendido pela Opel com o nome de Ascona e, nesses países, “ascona” é um conhecido apelido para o pênis. Isso mesmo! A zoação era tanta que muitos tinham vergonha de dizer que tinham um na garagem.

Em contrapartida, temos o Toyota Carina. Vendido em dezenas de países, o nome “carina” em croata significa “pênis avantajado”. É como o Citroën Picasso, que aqui no Brasil rende piadas até hoje, mas no resto do mundo tem apenas o nome associado ao famoso pintor.

  • Honda Fit e Mercedes Vito

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O Honda Fit também passou por uma saia justa parecida, só que com o outro sexo. Quando chegou ao mercado em 2001, ele veio com o nome de Fitta. O caso é que na Suécia e na Noruega essa palavra é um termo chulo usado para definir a vagina. Esse mesmo deslize foi cometido pela Mercedes-Benz quando lançou por lá o Mercedes Vito, uma minivan pouco menor do que o Sprinter. O termo “vito” também era usado com a mesma finalidade.

O Honda mudou de nome para Jazz, com o qual ele é conhecido no mundo todo até hoje (menos aqui, onde ele virou apenas “Fit”). O Mercedes não teve a mesma sorte. Continua até hoje com o mesmo nome, assim como o compacto japonês da Mazda batizado de LaPuta, que por motivos óbvios constrangia a comunidade latina na Europa.

  • Buick LaCrosse e Mitsubishi Pajero

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O Buick LaCrosse, um dos modelos mais confortáveis já produzidos pela marca americana, também traz uma particularidade no nome. Na França, a palavra “LaCrosse” significa “masturbação”. Os americanos entenderam errado a tradução e imaginavam que o termo significava “solitário” (pensando bem, uma coisa até tem a ver com outra).

Enquanto isso, aqui no Brasil nós temos a Mitsubishi Pajero que é vendida nos países de origem hispânica com o nome de “Montero” ou “Shogun” pelo mesmo motivo. Lá por aquelas bandas, “pajero” é o singelo nome que se dá aos praticantes da arte do onanismo – vulgo masturbação.

  • A estratégia alemã

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A alemã Volkswagen utiliza uma forma criativa para nomear seus modelos – tentando ao máximo fugir do problema do duplo sentido. A maioria dos automóveis deles são batizados com nomes alusivos a fenômenos eólicos. É uma forma de associar aos carros a ideia de velocidade e fluidez. O Passat leva esse nome em função do vento alísio (persistente) homônimo que cruza a Europa, de leste para oeste. O Bora é um vento que sopra no mar Adriático. Golf, Jetta, Polo e Eos seguem a mesma característica.

  • Alguns dados regionais

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Na Albânia, 80% dos carros registrados são da marca Mercedes-Benz e Hong-Kong é a cidade onde existe a maior concentração de modelos da Rolls Royce per capita em todo mundo. Sinal das mudanças políticas e financeiras que têm transformado o planeta nos últimos 20 anos.

No Reino Unido, o Ford Fiesta foi o carro mais vendido por quatro anos seguidos. Foram comercializadas mais de 400.000 unidades neste período. Detalhe sórdido: ele vem infinitamente mais completo do que o nosso campeão de vendas aqui no Brasil, o VW Gol.

  • Engarrafamento no Reino Unido

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Ainda se falando em Reino Unido, estima-se que durante todo o curso de suas vidas os motoristas britânicos gastem em média 99 dias presos em engarrafamentos. Coletivamente, é um dado assustador: são mais de 960 milhões de horas perdidas em meio ao tráfego. Ironicamente eles também usam muito pouco seus automóveis. Esta mesma pesquisa descobriu que, durante toda sua vida útil, as máquinas passam 90% do tempo estacionadas.

  • Bafômetro na França

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Na França – por mais incrível que pareça – todo condutor deve obrigatoriamente portar um bafômetro. Esta lei foi criada em 2012 e previa uma multa de 11 euros para aqueles que fossem parados e não tivessem o aparelho. Em Janeiro de 2013 o governo francês suspendeu o pagamento dessa multa até segunda ordem, mas a lei ainda existe.

  • Adesivos de idosos no Japão

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Do Japão vem mais uma das muitas lições de educação e respeito aos mais velhos. Lá todos os automóveis de motoristas idosos com idade a partir de 75 anos recebem um adesivo chamado de Koreisha na parte de trás para identificá-los. É uma forma de alertar os demais para que tenham mais paciência com os vovôs e vovós ao volante.

  • Lança-chamas na África do Sul

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Na África do Sul, a BMW equipa alguns de seus modelos top de linha com lança-chamas. Pode parecer mentira, mas não é. Durante algum tempo alguns vídeos foram veiculados pela internet mostrando o funcionamento do dispositivo e muitos acharam se tratar de uma farsa. No entanto, o aumento da violência e o número alarmante de sequestros no país fizeram surgir essa demanda. Geralmente este kit é instalado juntamente com a blindagem do veículo. Agora imaginem algo assim por aqui…

  • Hegemonia japonesa

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O automóvel é o produto industrializado mais reciclado em todo o mundo. Após ir para o ferro-velho, quase tudo nele é reaproveitado e acaba virando peças ou matéria-prima para novos carros. É praticamente uma obrigatoriedade visto que existem mais de 1 bilhão de automóveis em utilização no planeta hoje.

Um em cada quatro carros fabricados vem da China. Ao todo, são produzidos 60 milhões de carros por ano, o que dá uma média de 165.000 unidades por dia. A maior montadora do mundo, a Toyota (que desbancou a americana Chevrolet após 77 anos de hegemonia), produz em um dia 13.000 carros. Para efeito de comparação, a italiana Ferrari neste mesmo tempo produz apenas 14. Atualmente o Toyota Corolla é o carro mais vendido em todo mundo (27,5 milhões de unidades).

  • Ursinho para agentes de trânsito na Inglaterra

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A maioria dos agentes de tráfego britânicos levam consigo ursinhos de pelúcia. Parece brincadeira, mas é um item que muitos deles usam como um recurso de segurança tão importante quanto o equipamento tradicional. Eles são utilizados para confortar crianças em caso de acidentes de trânsito que envolvam os pequenos. É uma forma simples, mas eficiente, de ajudar no trabalho dos socorristas.

Semana que vem falaremos sobre tecnologia.