Gritos do underground para a multidão | Som na Caixa #2

Nesta edição, apresentamos importantes lançamentos da cena underground, como os discos de Sleater Kinney, uma das principais bandas do pós-punk feminino, e também da já popular The Black Keys – ambas têm quase uma década de diferença, mas seus estilos conversam e continuam atuais. Novidade: todas as bandas mencionadas aqui estarão à disposição no Spotify, em uma playlist com o mesmo nome desta coluna.

Vocês que têm bandas de garagem, mandem seu material para o e-mail [email protected]:

The Black Keys

Dupla americana (vocalista/guitarrista Dan Auerback e baterista/produtor Patrick Carney) de Akron, Ohio, que segue os estilos garage/indie rock e surgiu em 2001. Influência sonora: White Stripes e Led Zeppelin. Depois de um hiato de quatro anos, lança seu nono álbum de estúdio – ”It’s Rock”, mais cru que o anterior, lembrando o estilo dos primeiros trabalhos. Este disco sela o fim da parceria com o famoso produtor Danger Mouse. Disponível na íntegra no Spotify.

Sleater Kinney

Surgida em 1994, referência do rock alternativo americano, uma das bandas mais importantes do movimento Riot Grrrl. Seu estilo dialoga muito com o punk rock feminino. Esse estilo e sua sonoridade fizeram com que muitas bandas se inspirassem nelas. O novo trabalho sucede o “No cities to love”, de 2014, que marcava o retorno das meninas (tinham ficado desde 2006 sem gravar juntas). O novo álbum, intitulado “The Center Won’t Hold”, mostra um outro caminho sonoro mais eletrônico e elaborado e menos cru e garage, predominante nos anteriores.

Tom Yorke

Terceiro álbum solo do vocalista do Radiohead (uma das principais bandas do rock alternativo), intitulado “Anima”, é um disco predominantemente eletrônico, mas com muita textura, emocional e retrospectivo, que flerta em alguns momentos com “Kid A” (quarto álbum de sua banda). Estranhos cartazes espalhados por várias cidades do mundo foi uma das formas de divulgação do disco, bem como um curta-metragem produzido pelo premiado diretor de cinema Paul Thomas Anderson (“Sangue Negro”, “Trem Fantasma”), com a trilha sonora do álbum, a ser exibido no Netflix.

Memória

No dia 6 de junho, morreu o criativo e talentoso Dr. John (20/nov/1941 – 6/jun/2019). Com seu modo carnavalesco e teatral, levou cor abundante ao rock, folk, psicodélico e jazz, estilos pelos quais o cantor, guitarrista e pianista transitava. Sua música e arte mantiveram vivo o espírito renegado da música de Nova Orleans, mesmo quando a cidade estava debaixo d’água. Dr. John gravou 30 álbuns de estúdio, entre os quais merecem destaque “Gris Girls”, “In the Right Place”, “The Sun, Moon & Herbs” e “Locked Down”.