Les 3 Brasseurs mostra que a França também sabe fazer cerveja

Se há algo que não podemos negar é a vocação da França em produzir vinhos e queijos. Tanto que o país conta com mais de 15 regiões produtoras da bebida e é chamado de “terra dos mil queijos” por conta de seus inúmeros tipos do laticínio.

Mas a cerveja também tem vez no país do croissant e a prova disso é que em novembro uma tradicional microcervejaria francesa desembarcou em São Paulo para mostrar que também sabe produzir a bebida. Essa é a Les 3 Brasseurs, que recebeu o El Hombre para contar como está sendo o contato com o público brasileiro, quais os desafios no país e muito mais.

Mas, antes, vamos voltar um pouco no tempo para contar quem é a Les 3 Brasseurs. Fundada em 1985, na cidade de Lille, a microcervejaria teve origem quando três mestres cervejeiros resolveram empreender juntos.

O objetivo era vender a cerveja no mesmo local de produção, nascendo assim o conceito de “brewpubs”, que rapidamente se espalhou pelo mundo. Tanto é assim que a Les 3 Brasseurs conta com quase 50 casas espalhadas não só na França (com 27 endereços) como também pelo Canadá (com 15 endereços), nas ilhas da Nova Caledônia (Oceania) e de Réunion (no Oceano Índico), no Taiti e agora em São Paulo.

O ambiente foi inspirado em uma antiga fábrica para manter a aura das primeiras casas com a marca “3B”. Essa atmosfera é mantida pela decoração que conta também com um caminhão Ford de 1928, que foi adaptado para servir como balcão. Até mesmo a torneira dos banheiros entrou no clima e recebeu o formato de uma torneira de chope.

É curioso pensar que francês sabe produzir cerveja. Mas o mestre cervejeiro da casa – e brasileiro – Wellington Aristides Silva explica que a França tem muitas microcervejarias com influências tanto da Alemanha (ao sul) quanto da Bélgica e da Inglaterra (ao norte).

“As cervejas francesas vão desde as lagers até cervejas mais aromáticas, frutadas e encorpadas que não deixam nada a dever para as de outros países e harmonizam bem com a gastronomia local”, pontua ele.

Wellington, que estudou na Alemanha e também já trabalhou em uma cervejaria em Frankfurt, explica que houve adaptação das receitas originais levando-se em conta o paladar brasileiro. “Pegamos todos os IBU’s [índice que mede o amargor da cerveja] e fomos reduzindo junto com o corpo da cerveja. Mas já recebemos muitos pedidos para deixar as cervejas mais amargas e, por isso, a receita já passou por novas adequações”.

O cardápio da bebida conta com quatro opções: a Blonde (mais clara e leve com 4,7% de teor alcoólico), a Blanche (de trigo com 4,7% de teor alcoólico), a Ambrée (toques de caramelo com 6,2% de teor alcoólico) e a Itaim Pale Ale (menos amarga e aromática com 5,7% de teor alcoólico, homenageia o bairro paulsita).

A Blanche já recebeu o selo Fourquet de ouro no concurso do Museu Francês da cervejaria em 2011 e a medalha de ouro no Mundial da Cerveja de Montreal em 2006. Já a Ambrée ganhou a medalha de prata no concurso Geral Agrícola de Paris em 2012.

As cervejas são servidas em copos de 300 ml, 500 ml ou um litro. Para grupos há opções de três ou cinco litros. Ainda há a possibilidade de pedir um metro de cerveja com 10 tulipas com sabores escolhidos pelo cliente.

Já o chope é servido em copo de 250 ml e os clientes podem pedir a “paleta de degustação” com os quatro minichopes. Os valores variam de R$ 6,50 por 250 ml dos chopes até R$ 125 por cinco litros da Itaim Pale Ale. A cerveja também serve como base para alguns drinques.

Em relação ao cardápio, o gerente da casa, Joy Veronez, explica que ele foi incrementado com toques brasileiros e também tem pratos mais elaborados como os hambúrgueres e a flamme – exclusividade da casa.

“Uma massa fina, sem fermento, a base de cerveja e é preparada com vários sabores no formato quadrado. É o filho do casamento entre a pizza e o crepe”, nos contou Laurens Defour, diretor geral da cervejaria no Brasil. Os preços vão de R$ 29 por uma tradicional Marguerita até R$ 65 por meio metro com até oito sabores.

Eles ainda oferecem um serviço bem bacana: o cliente que é o “motorista da vez” ganha água e refrigerante por conta da casa durante toda a noite.

“Temos um bafômetro na porta e uma tabela que mostra o que acontece se um policial te pegar embriagado. Se o cliente estiver sem condições de dirigir oferecemos o serviço de Drive People em que um motorista leva o cliente até em casa com o carro do cliente. Um motoqueiro vai seguindo e traz de volta o motorista. Para um raio de 30 km são cobrados R$ 30 e acima disso cobra-se R$ 10 por km. E isso também tem na França”, conta o gerente.

Onde fica? Rua Jesuíno Arruda, 470 (Itaim Bibi – São Paulo/SP)

Como falar com a casa? (11) 3167-4145

E para mais informações? www.les3brasseurs.com.br

As cervejas da casa

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