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O maior duelo da história do poker: Moss vs Greek

Pedro Nogueira
Pedro Nogueira Editor-Chefe

Quando Nick “The Greek” Dandalos chegou em Las Vegas, no fim da década de 1940, corria a história de que ele quebrara todos os high rollers da costa leste dos Estados Unidos. Nick teria faturado milhões jogando dados e cartas – e perdido quase tudo nas corridas de cavalos.

Como qualquer apostador do país, Nick chegou a Vegas em busca de ação.

E ninguém melhor na cidade para providenciá-la do que Benny Binion, o dono do cassino Binion’s Horseshoe.

The Greek propôs que Benny armasse uma maratona de pôquer high stakes entre ele e qualquer outro jogador da região. O escolhido foi o texano Johnny Moss, o mais talentoso jogador que Benny conhecia.

Conta a lenda que, quando o convite chegou a Moss, ele estava jogando pôquer em Odessa havia 72 horas – sem dormir. Mesmo assim, pegou o primeiro avião para Vegas e foi direto do aeroporto para o Horseshoe, onde Benny Binion armara uma mesa no meio do cassino para chamar a atenção dos turistas.

Assim começaria uma das partidas mais famosas de história do pôquer, que é considerada o embrião da World Series of Poker (WSOP) moderna.

Nick Dandalos, natural de Creta, tinha 65 anos. Era formado em filosofia e gostava de recitar poesia. “Ele faz Omar Sharif [um galã de Hollywood] parecer um motorista de caminhão”, comentou seu amigo Jimmy Snyder. “Nick era maravilhoso com as mulheres.”

Já Moss era 23 anos mais jovem e, na escola, não chegara ao colegial. No começo de sua carreira de apostador, Moss era famoso por suas trapaças. Mas em 1951, quando enfrentou Nick, já havia se reformado e jogava limpo.

Apesar de ser teoricamente um heads up, o jogo era aberto para quem quisesse entrar. Mas o buy-in mínimo era de US$ 10 mil (cerca de US$ 85 mil hoje, calculada a inflação) e todos os parceiros que se arriscaram não duraram mais do que dois ou três dias.

Nick abriu uma boa vantagem sobre Moss no começo do jogo.

Em uma famosa mão de 5 Card Stud, Moss tinha as cartas  6-9-2-3 abertas e um nove fechado. As abertas de Nick eram 8-6-4-J. Com mais de US$ 100 mil no pote, Nick apostou US$ 50 mil e Moss voltou de all in.

Nick colocou seus últimos US$ 140 mil na mesa e disse: “Acho que tenho que pagar, porque acredito que minha carta fechada seja um valete.” Ao que Moss respondeu: “Se você tem mesmo um valete, vai ganhar um belo pote.”

Ele tinha e puxou US$ 500 mil. Um detalhe é que Nick só fez seu par milagroso na última carta, depois de pagar duas apostas altas de Johnny Moss.

Durante os 5 meses seguidos que o duelo durou, Moss e Nick praticamente só deixavam a mesa para dormir. Isso em intervalos de quatro ou cinco dias. E muitas vezes The Greek ia direto do pôquer para os craps [dados] enquanto o seu adversário descansava.

Numa ocasião, Johnny voltava de um cochilo quando encontrou Nick nos dados. “O que você vai fazer, Johnny, desperdiçar a sua vida dormindo?”, disse Nick.

Em meados de maio, depois de uma maratona incrível, Nick estava entre dois e três milhões no negativo. Ajustada a inflação, uma cifra na casa dos US$ 20 milhões.

Ele então disse ao seu adversário uma frase que se tornaria célebre em Vegas: “Senhor Moss, tenho que deixar você ir.” E assim terminou o duelo mais incrível da história do pôquer.

Nos anos seguintes, Benny Binion continuou a promover partidas de high stakes em seu cassino, apesar de nenhuma ter chegado próxima ao prestígio daquela entre Johnny Moss e Nick Dandalos.

Duas décadas depois, Binion mudou o formato da exibição e reuniu os 7 melhores jogadores do país na mesma mesa. O nome que o jogo recebeu? World Series of Poker, que está rolando hoje em Vegas e, no ano passado, reuniu nada menos do que 6 683 jogadores e um prêmio de US$ 62,8 milhões no evento principal.

Fonte: Champion of Champions — The Authorized Biography of Johnny Moss