O espírito oposto de duas desclassificações

Thiago Sievers
Thiago Sievers Head de Parcerias

Ontem aconteceram as primeiras desclassificações da Copa do Mundo. Austrália, Camarões e Espanha – sim, a atual campeã – já têm os passaportes carimbados de volta.

E então ficou provado que uma desclassificação na Copa do Mundo pode ser recebida de diferentes formas. Diante de uma mesma situação duas equipes podem ir para casa em estado de espírito absolutamente diferentes diante daquilo que fizeram em campo.

E certamente esse é o caso de Austrália e Espanha.

A seleção da Oceania não fez uma primeira partida muito interessante, é verdade. O Chile levou os três prontos na primeira rodada com certa tranquilidade.

Mas, surpreendentemente, não foi assim no segundo jogo.

Diante da seleção da Holanda, vice-campeã mundial e que acabara de golear a respeitada Espanha, os australianos eram desacreditados por todos. Se a Fúria havia perdido de 5 a 1 para Robben e companhia, qual seria o placar desse jogo? Um massacre estava desenhado.

Mas a Austrália fez brilhar a luz do futebol no Beria-Rio. Com uma organização questionável mas muita – muita – vontade, os caras foram capaz de virar a partida em cima dos holandeses. E ainda por cima com mais volume de jogo e levando mais perigo à meta adversária. Foi fantástico.

Depois de sofrer o empate, eles ainda tiveram uma oportunidade real de passarem a frente novamente. Mas a chance foi desperdiçada e, no contra-ataque do mesmo lance, o goleiro Ryan foi infeliz diante do chute de Depay que decretou o placar de 3×2 para os laranjas.

O resultado, no entanto, não ofuscou o brilho da seleção australiana, que protagonizou um dos melhores (se não o melhor) jogos da Copa. Não em termos técnicos, com certeza, mas pela surpresa e emoção proporcionada. Ali esteve presente a alma do futebol.

Assim, os aussies não poderiam ir para casa sem o nosso sincero agradecimento pelo espetáculo e com o desejo de dever cumprido por ter enfrentado a melhor seleção da Copa até agora no mesmo nível. Fizeram o melhor que podiam.

Mostraram o espírito guerreiro.

Não podemos dizer a mesma coisa da Espanha.

Apática, desorganizada, com um sistema defensivo lamentável, sem brilho, a seleção europeia tomou 7 gols em dois jogos e fez apenas 1, que ainda se originou de um pênalti inexistente.

Com o talento e entrosamento de seus jogadores (a seleção é formada, basicamente, por atletas do Real e Barça), se a Fúria tivesse metade da vontade que a Austrália teve em jogar futebol, já estaria classificada. Afinal, essa é a geração espanhola mais vitoriosa da história do futebol no país.

Mas vão para casa. E merecidamente.

Mostraram o espírito indolente.

Agora as duas equipes se enfrentam pela última rodada da primeira fase na segunda-feira, às 13h. Não posso prever outro resultado que não uma acossada australiana nos apáticos espanhois. E que assim seja