Os maiores tenistas de todos os tempos

Abençoados somos nós, fãs de tênis, pela oportunidade de ver Federer, Nadal e Djokovic juntos em quadra, pois o mundo vive hoje a sua Era de Ouro do tênis.

Nunca uma geração de tenistas foi tão dominante quanto essa. Mas surge a questão: quem é o maior deles? E eles já superaram todos os outros jogadores da história?

Para elaborar uma ranking mais objetivo possível, usamos como parâmetro principal os números de cada jogador. Mas também colocamos em perspectiva o contexto histórico de suas vitórias, pois os grandes campeões são medidos pelos seus rivais.

(Os três títulos de Senna na F1, por exemplo, foram alcançados em cima de pilotos muito mais duros do que os sete de Schumacher.)

Mas no final das contas, esse tipo de discussão sobre o GOAT — como dizem os ingleses “Greatest Of All Time” — sempre acaba tendo um grau de subjetividade. Então convidamos vocês, queridos leitores, a discutir o ranking na sessão de comentários depois. Vamos lá?

1# ROGER FEDERER (18 Grand Slams)

O primeiro da lista é praticamente unânime: Roger Federer. Ele é o maior vencedor de Grand Slam com 18 títulos; é o recordista em semanas como 1º da ATP com 302; e isso tudo jogando numa geração que inclui Nadal e Djokovic.

Sua longevidade no esporta também impressiona. Agora em 2017, aos 35 anos, ele já ganhou o Aberto da Austrália e dois títulos de Masters Series.

Não bastassem seus números, a forma como Federer os conquistou também é digna de menção. Ele é um jogador agressivo (ao contrário de Nadal e Djokovic, que dependem muito da defesa) e com golpes plasticamente belos, tipo o seu backhand de uma mão.

Se alguém quiser tirar Federer deste posto, terá que suar muito a camisa.

2# RAFAEL NADAL (15 Grand Slams)

49111

Rafael Nadal é o maior jogador da história do saibro. E nunca um atleta foi tão dominante numa única superfície quanto ele: são 10 títulos em 13 edições de Roland Garros disputados, com aproveitamento de 98% de vitórias. Surreal, não?

Mesmo sendo especialista em saibro, Nadal conseguiu ganhar dois títulos na grama da Wimbledon, dois no cimento do US Open e um nas quadras sintéticas do Australian Open, atingindo 15 conquistas ao todo, atrás apenas de Federer.

Detalhe? As conquistas de Nadal vieram na época em que Federer, o maior da história, estava em seu ápice. Seu retrospecto, por sinal, é bem positivo contra o suíço: 23 vitórias e 14 derrotas.

Numa comparação com Djokovic e Federer, o espanhol tem uma vantagem: só ele atingiu o chamado “Golden Slam”, que inclui vencer os quatro torneios de GS — Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open — mais a medalha de ouro nas Olimpíadas. Para Federer e Djokovic faltam o ouro.

Isso sem contar que ele é o recordista em títulos de Masters Series, a segunda série mais importante do tênis, empatado com Djoko. Ambos têm 30 trofeus

Aos 31 anos, Nadal voltou aos dias de glória, depois de sofrer com várias lesões. Sendo assim, ele ainda tem tempo para perseguir o recorde de Grand Slams de Federer e esquentar a discussão do GOAT.

3# BJORN BORG (11 Grand Slams)

APP2000070129516

Por que o sueco Bjorn Borg ficou em terceiro lugar na lista, apesar de ter 11 Grand Slams, enquanto Sampras e Djokovic possuem mais? A resposta é simples. Ele conquistou tudo isso antes dos 26 anos, quando se aposentou precocemente ainda no auge.

Para se ter ideia, na temporada de 1981, a sua última, ele foi campeão de um Grand Slam, fez final de dois e não disputou o quarto.

Aliás, Borg nunca disputava o Aberto da Austrália. Ele fez apenas uma aparição, aos 17 anos, e depois nunca mais voltou para lá. Então você pode imaginar até onde teria chegado sua lista de troféus caso ficasse na ativa até uns 30 anos e jogando todos os Grand Slam possíveis?

Sua porcentagem de vitórias em Grand Slam é a mais alta entre todos os jogadores desta lista: ele saiu vitorioso em 89% das partidas disputadas.

E se você acha que isso foi feito em cima de adversários fracos, saiba que ele viveu a primeira Era de Ouro do tênis, com John McEnroe e Jimmy Connors, dois dos maiores jogadores da história, no circuito com ele.

No começo dos anos 1990, Borg tentou voltar ao tênis, mas aí já estava em idade avançada e ainda usava uma raquete de madeira, enquanto os outros jogadores possuíam os avançados modelos de grafite. Não deu certo, mas nem isso conseguiu manchar sua épica carreira dos anos 1970.

4# PETE SAMPRAS (14 Grand Slams)

120329074351-sampras-wimbledon-2000-horizontal-large-gallery

Antes da geração Federer-Nadal-Djokovic despontar, a grande discussão entre o maior tenista da história era entre Pete Sampras e Borg. O americano tinha ao seu lado o recorde de Grand Slams, com 14 títulos, que acabou sendo tomado por Federer e Nadal.

Mas a chegada deles não diminuiu o tamanho de Sampras no tênis. Sampras ficou 286 semanas como número 1 do mundo, recorde batido apenas por Federer depois.

Tenista mais dominante dos anos 90, ele ganhou sete vezes Wimbledon, o torneio mais prestigioso do circuito. Ficou faltando em seu currículo um título em Roland Garros. Com seu jogo agressivo de saque e voleio, Sampras nunca conseguiu chegar mais longe do que na semifinal do lento saibro francês.

E sabe aquela história de que os grandes campeões são medidos pelos seus rivais? Ele bateu de frente 34 vezes na carreira — muitas vezes em finais — com seu compatriota Andre Agassi, outro gigante do tênis, detentor de oito Grand Slams.

5# NOVAK DJOKOVIC (12 Grand Slams)

_65537400_160157351

Novak Djokovic dominou o circuito nos últimos anos, mas parece que o cansaço físico e mental o atingiram em 2017, com resultados pouco animadores.

Mas como ele é jovem — tem 30 anos — ainda há muito tempo para se recuperar e aumentar a coleção de Grand Slams, que já conta com 12 títulos.

Vale notar, também, que o retrospecto de Djoko é positivo contra seus dois maiores rivais: 23 x 22 versus Federer e 26 x 24 versus Nadal.

Outro fato é que Djoko tem a maior premiação em dinheiro na história do tênis, com US$ 108 milhões, além de dividir com Nadal o recorde de Master Series, com 30 cada.

OUTROS JOGADORES DIGNOS DE MENÇÃO

130226163940-us-tennis-mcenroe-horizontal-large-gallery

Seria injusto fazer uma lista dos maiores tenistas da história e não citar certos nomes. Começo pelos americanos John McEnroe (7 Grand Slams / foto acima) e Jimmy Connors (8) que fizeram com Borg dos anos 1970/80 a primeira Era de Ouro do tênis.

O tcheco Ivan Lendl (7) e o alemão Boris Becker (6) também merecem uma menção, por ajudaram a moldar o “power tennis” que conhecemos hoje, cheio de golpes fortes, velozes e precisos.

Andre Agassi (8) foi outro mito, que brilhou com Sampras nos anos 90, uma das rivalidades mais fascinantes na história do esporte.

O britânico Andy Murray (3) também merece elogios. Ele só não ganhou mais títulos porque tem a concorrência mais forte da história: Djokovic, Federer e Nadal. Mas ainda assim faturou três Grand Slams, o ouro olímpico e pode ir ainda mais longe..

Por fim é impossível não lembrar Gustavo Kuerten (3), que mesmo com tantas lesões, sagrou-se tricampeão de Rolando Garros e foi um dos maiores jogadores de saibro da história. Com seu talento e carisma, foi um verdadeiro herói para os brasileiros e os franceses.

OS MITOS ANTERIORES À ERA ABERTA

Rod-Laver

O tênis teve grandes jogadores anteriores a 1970 também. Por que não citei nenhum deles antes? Achei mais adequado separá-los numa categoria à parte, pois eles disputaram o circuito num momento anterior e bem diferente da Era Aberta.

Para quem não sabe, até 1967 os torneios de Grand Slam não permitiam a participação de tenistas profissionais, que ganhavam dinheiro para jogar. Em 1968 essa filosofia foi abandonada e, assim, teve início a chamada Era Aberta que conhecemos hoje.

Naquele tempo viveu o australiano Rod Laver (11 Grand Slams / foto acima), um mito das quadras. No começo dos anos 60 ele ganhou 6 títulos de Grand Slam, incluindo todos os 4 na temporada em 1962; então ficou 5 anos sem disputá-los porque se profissionalizou; e quando a Era Aberta nasceu faturou mais 5 troféus, sendo os 4 da temporada de 1969.

Provavelmente Laver teria atingido mais de 20 conquistas de Grand Slam, caso não tivesse passado os 5 anos de seu auge fora de Wimbledon, Rolando Garros, US Open e Australian Open. Se a lista fosse geral, ele brigaria com Federer e Borg pelo posto de número #1. Mas por serem épocas tão diferentes, achei mais adequado separar a fase pré-profissional do tênis da Era Aberta.

Aí temos também o americano Don Budge (6), que ganhou 6 de seus 11 Grand Slams disputados e depois se profissionalizou. As vitórias foram consecutivas, por sinal. E o australiano Roy Emerson (12), único homem da história a ganhar os 4 Grand Slams em simples e dupla.

Há outros jogadores lendários como Bill Tilden (10), que dominou o tênis na década de 1920, e Fred Perry (8), o grande nome dos anos 30. Eles plantaram a semente do que o esporte virou hoje. E caso estivessem vivos, ficariam felizes em saber que o presente e futuro do tênis está em ótimas mãos.

Post atualizado em 11/06/2017