Rain Man

“Rain Man”: um clássico sempre atual

Entre clássicos como “Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador” até “Temple Grandin”, o papel da sétima arte passou de entreter e divertir para a inevitabilidade de levantar questionamentos, gerar reflexões e desenvolver o espírito crítico. Com isso, ao longo dos anos várias produções têm sido criadas sobre as mais diversas temáticas e o universo da saúde mental está bem representado em alguns deles.

“Rain Man”, por exemplo, é um filme emblemático que, através de um drama com toques de comédia, faz o espectador sentir tudo ao mesmo tempo. Vai muito além do autismo e retrata a realidade de viver com as diferenças do outro.

Lançado em 1988, nomes como Barry Levinson, Barry Morrow e Ronald Bass passaram esta história do papel para as grandes telas de cinema, comprovando a importância da mensagem do filme nas bilheterias, já que foi a produção mais assistida no seu ano de estreia. Além disso, em “Rain Man” você pode encontrar não só uma grande história, como também um grande elenco de atores, com Tom Cruise e Dustin Hoffman nos papéis principais.

Para quem não conhece a história de “Rain Man”, a mesma gira em torno da relação entre dois irmãos que acabaram de se conhecer. Após a morte do pai de Charlie Babbitt (Tom Cruise), o personagem descobre que a maior parte da herança foi deixada a uma figura desconhecida para ele. Charlie decide então viajar até um hospital psiquiátrico e descobre que o outro herdeiro é Raymond (Dustin Hoffman), o seu irmão mais velho autista e com síndrome de Savant, ou seja, um indivíduo com capacidades extremamente desenvolvidas em detrimento de outras. Apesar de não se conhecerem e das motivações de Charlie não serem as melhores, a relação dos irmãos acaba por evoluir e tornar-se uma bonita história de superação e de empatia.

Inspirado por Kim Peek, “Rain Man” destacou-se no cinema pela sua abordagem ao autismo de uma forma muito delicada, respeitosa e sem qualquer banalização. Reconhecida como uma das primeiras produções de larga escala a desenvolver este tema, o filme consegue representar de maneira fiel não só a inocência, comportamentos e facetas do autismo, como também as diferentes formas de lidar e conviver com alguém autista.

(Assistido hoje em dia, “Rain Man” é também uma grande lição do progresso do tempo e das mentalidades. Cerca de trinta anos atrás, o mundo ainda não sabia lidar com os transtornos mentais, então era uma prática comum internar os autistas em hospitais psiquiátricos, na maioria das vezes para a vida inteira.)

Porém, o filme vai além destas questões e é repleto de grandes momentos de puro entretenimento que conquistaram audiências nos quatro cantos do mundo. Entre eles estão as divertidas cenas passadas em jogos de mesa de cassino que, atualmente, estão ao alcance de todos uma vez que é possível participar totalmente online e até gratuitamente nestes jogos. No filme, os irmãos dão vida a uma cena em que jogam blackjack e, pelas capacidades de Raymond, protagonizam uma contagem de cartas marcante para o cinema.

Um filme que requer atenção e comprometimento do espectador, a qualidade de “Rain Man” é comprovada pela aclamação da crítica e inúmeras premiações ao longo dos tempos. Vencedor do Oscar de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator (atribuído a Dustin Hoffman) e Melhor Roteiro, a produção foi além da Academia e chegou a vencer um Globo de Outro e um Urso de Ouro.

Efetivamente, “Rain Man” é o pacote completo: um filme comovente e que dá muito que pensar, mas também se assume divertido e com uma certa leveza. Com um grande grau de atualidade, ver esta produção nos dias de hoje continua a fazer total sentido. Prometemos que você não vai ser o mesmo depois de assistir à história destes irmãos.