Surfista de ondas gigantes: como é viver à beira da morte

“Eu tenho muito medo, muito medo. E muito respeito. Mas o que tenho mesmo é muito medo”.

Com essas palavras não dá para imaginar que Rodrigo Koxa, surfista “louco do bem”, enfrenta ondas gigantes que ultrapassam os 20 metros de altura. “Mas são elas que me motivam e me dão adrenalina. Fazem-me sentir vivo”.

Koxa vive à beira da morte sempre que entra no mar ao redor do mundo.

“Corro perigo de morrer todas as vezes que enfrento as ondas. É muito imprevisível. Mas é, ao mesmo tempo, muito gratificante e é minha filosofia de vida”, disse o morador do Guarujá, no litoral paulista, em entrevista ao El Hombre.

“Quando treino no Guarujá é tudo muito tranquilo, pego minha ondas pequenas e é uma delícia. Mas aí quando vejo que está por vir aquela formação de onda gigantesca em algum lugar do mundo, aí sim dá aquele grande frio na barriga”, explica Koxa, que monitora os mares ao redor do mundo para saber onde formará a onda gigante perfeita para cair no mar.

Ele nunca sabe quando acontecerá. “Eu fico esperando, mas quando aparece dá aquele medo de enfrentar. Sempre fico sabendo em cima e compro as passagens para o lugar ainda na adrenalina. É muito louco.”

Estes loucos enfrentamentos que o deixam à beira da morte deram ao brasileiro o recorde sul-americano de ondas gigantes surfando uma formação de 25 metros. Mas o sonho mesmo é o topo do mundo. Para isso, encarou o que pode ser a maior onda já registrada, em Nazaré, Portugal .

“Foi algo inacreditável. A gente ainda espera para surfar uma onda intermediária, mas aquelas eram gigantescas mesmo. Era perigo de vida real entrar naquelas ondas.”

Em novembro do ano passado Rodrigo fez uma sessão monstruosa no mesmo local em que Maya Gabeira quase perdeu a vida em 2013. Nesse dia o brasileiro disse que tomou a maior vaca de sua carreira. E ele relatou em seu Facebook exatamente o que passou:

Depois de pegar mais de 6 ondas, veio essa para acabar comigo.

Peguei a primeira da série sendo puxado pelo Kealii Mamala.
Tentei surfar bem a parte crítica da onda, porem em seu final, a onda me pegou…

Não consegui segurar a pancada da onda e caí…

Logo ao cair, senti minhas costas chacalhar com muita força, eu estava definitivamente numa situação sinistra, e desde o começo do perrengue, minha estratégia foi ficar bem calmo, pois e nao sabia quanto tempo e quantas ondas mais iriam vir na minha cabeça…

Como eu já havia conseguido surfar uma boa parte da onda, me senti mais tranquilo em relaçao as pedra…

Subindo do primeiro caldo, vi de relance o Andrew Cotton pingando numa bomba e BUMMM na minha cabeça…

Mais um tempão de baixo da agua, igual uma meia na maquina de lavar… Uhauauau

Ao subir desta, eu ja passei a enxergar tubo embassado ao meio de muitas estrilinhas… Nao consegui ver a terceira onda chegando e BUMMMM de novo!!!

Por um momento me senti muito fraco e nao via a hora daquelas ondas darem uma tregua…

Olhei, e vi o Andrew Cotton do meu lado, e de certa forma pensei, nao sou só eu que estou nessa situação…

Nisso, o Kealii me deu o sled e não tive forças para subir… NAO!!!!
e tóme mais outras…

Senti todo o power de Nazaré, do fundo ao inside…

Ao chegar na areia, eu só tinha uma certeza, eu havia sido ATROPELADO pela série de Nazaré…

Agradeci muito a Deus, e a toda esse equipe casca grossa que arriscam suas vidas para salvar as dos parceiros!!!

Junto dele estava também o surfista britânico Andrew Cotton, que não passou ileso pela fúria de Nazaré. Assim como o brasileiro, Andrew voou para fora da prancha e foi tomando uma onda gigante na cabeça atrás da outra. “No fim das contas levei umas três ondas gigantes na cabeça”, disse em entrevista ao Surfing Life.

Dá uma olhada no registro:

E Koxa pode passar em breve por algo semelhante ao que o colega Gabriel Medina passou no final de 2014, mas em sua categoria do surfe – o de ondas gigantes. Rodrigo competirá, em abril, o mundial de sua categoria, o XXL Billabong.

“É um campeonato de imagens”, explica. É isso mesmo, literalmente. Os surfistas registram as maiores ondas que surfaram ao redor do mundo e as inscrevem neste campeonato.

“Não é só porque inscreveu que estará competindo”, explica Koxa, que acrescenta que é preciso passar por um crivo.

O brasileiro passou e agora espera a sua quinta participação no torneio para, quem sabe, desta vez pegar o embalo do título de Medina e tornar-se mais um brasileiro campeão mundial de surfe.

“Já imaginou? É o que eu mais quero”, confessou Rodrigo para nós.

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