Você acha que o Brasileirão deveria voltar ao mata-mata?

Thiago Sievers
Thiago Sievers Head de Parcerias

Mais uma vez o Atlético-MG surpreendeu. Na noite de ontem, quarta-feira (5), o time mineiro venceu por 4 x 1 o Flamengo e se classificou para a final da Copa do Brasil.

Até aí tudo bem, apenas uma goleada. Mas a forma como aconteceu foi incrível. Ainda mais por não ter sido a primeira vez.

O Atlético vencia por 2 x 1 até os 36 minutos do segundo tempo. Como o placar do primeiro jogo havia sido 2 x 0 para o Mengo, o alvinegro precisava de mais dois gols para se classificar.

Improvável? Não para os atleticanos.

Aos gritos de “Eu acredito!” da torcida, os jogadores do Galo conseguiram dois gols em 4 minutos, confirmaram a virada (o Flamengo começou vencendo a partida) e asseguraram a classificação para a finalíssima.

REPETECO

Fato (muito, absolutamente) semelhante já havia ocorrido na semana passada em jogo contra o Corinthians pelas quartas da mesma competição.

O Timão havia conseguido o mesmo placar que o Flamengo na primeira partida (2 x 0) e foi para Minas com certa tranquilidade.

No segundo jogo os paulistas começaram na frente, tomaram a virada, perdiam por 2 x 1 até os 28 do segundo tempo (não, eu não me equivoquei, é praticamente a mesma história) e foram castigados com os tentos derradeiros aos 29 e 41 minutos. Final da partida: 4 x 1 para o Atlético.

Ainda nessa espetacular noite de quarta-feira, tivemos o Santos jogando com o Cruzeiro na Vila Belmiro. Depois de sofrer uma derrota por 1 x 0 no Mineirão, o Peixe estava caminhando a passos firmes para a final com o placar favorável de 3 x 1. Mas o gol celeste aos 35 minutos decretou o fim da linha para os praianos na Copa do Brasil.

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Marcelo Moreno fez o primeiro do Cruzeiro

MATA-MATA X PONTOS CORRIDOS

E aí, está bom? Acho que essa única noite trouxe mais emoção do que o Campeonato Brasileiro 2014 inteiro.

Então voltamos à velha polêmica: mata-mata x pontos corridos?

Particularmente, penso que pontos corridos acaba com o que há de mais valioso no futebol: a emoção.

Esse estilo de campeonato torna a dinâmica das partidas muito chatas simplesmente porque elas não valem mais do que 3 pontos. Já no mata-mata, o nome diz tudo: a partida vale a permanência no campeonato.

Hoje estamos no momento mais emocionante do Brasileirão 2014, com o São Paulo em ascenção a 5 pontos do Cruzeiro que deu uma estagnada.

Entediante. É um campeonato entediante quando falamos de disputa por título.

Então, como recordar é viver, resolvi separar 5 viradas incríveis na história do Campeonato Brasileiro na época em que tinha mata-mata na segunda fase para amenizarmos a saudade. Só que não.

Mas antes, queremos saber,

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SANTOS x FLUMINENSE (semifinal, 1995)

O placar do primeiro jogo havia sido 4 x 1 para o Flu. Ou seja, o Peixe precisaria fazer 3 gols de diferença na partida de volta. E conseguiu o feito com uma das participações individuais mais brilhantes da história da competição protagonizada por Giovanni. O atleta fez dois gols, deu três assistências e registrou na história o clássico 5 x 2.

VASCO x FLUMINENSE (quartas de final, 1988)

Quando o Campeonato Brasileiro ainda era Copa União, Vasco e Fluminense protagonizaram uma partida que ficou para a história. O time das laranjeiras havia vencido a primeira partida por 1 a 0. Como o Vasco tinha se classificado em melhor posição, uma vitória simples o garantiria nas semis.

Contudo, o time cruz-maltino começou perdendo o jogo e teve que enfrentar a retranca tricolor. Com muita vontade os alvinegros arrancaram a virada e passaram a ser favoritos ao acesso à próxima fase. No entanto, para isso era preciso que eles segurassem o placar também na prorrogação. Não foi possível. Com um jogador a menos desde o segundo tempo, o Vasco não aguentou e tomou a virada do Flu, decretando o 3 a 2 para o tricolor.

PALMEIRAS x CRUZEIRO (quartas de final, 1998)

Nessa época o mata-mata era disputado em três jogos. Nas duas primeiras partidas cada equipe conquistou uma vitória pelo placar de 2 x 1. O conflito que definiria quem avançada na competição foi marcado para o antigo Palestra Itália – e o time mineiro precisava da vitória para prosseguir.

Logo no primeiro tempo, em 3 minutos, a raposa abriu 2 x 0, com dois gols de Marcelo Ramos, dando uma esperança real aos seus torcedores. No entanto, o alviverde empatou no segundo tempo, placar que levaria o Verdão às semis. E para piorar o meio-campista celeste Valdo foi expulso.

Contra todas as apostas, o inesquecível Fábio Júnior (que tem uma história e tanto contra o Palmeiras) decretou o 3 x 2 aos 43 minutos da etapa final, garantindo a vaga cruzeirense.

SÃO PAULO x BOTAFOGO (semifinal, 1981)

O primeiro jogo da disputa aconteceu no Maracanã e terminou com a vitória do Fogão por um placar simples – 1 x 0. Na partida de volta os cariocas conseguiram abrir uma vantagem considerável de 2 x 0 contra o tricolor. Tudo parecia muito bem encaminhado, afinal, seria preciso que o São Paulo fizesse 3 gols para prosseguir na competição.

Pois é aí que está a magia do futebol. Com um gol de Serginho Chulapa no fim do primeiro tempo e dois de Éverton na segunda etapa, o time paulista fechou o caixão do Botafogo com o placar de 3 x 2.

INTERNACIONAL x ATLÉTICO – MG (semifinal, 1976)

Nessa época o mata-mata do Brasileirão era disputado em jogo único. A partida, nesse caso, foi na casa do Inter, com a torcida marcando presença em peso. No entanto, foi o Galo que saiu na frente aos 30 do primeiro tempo. E até o último minuto os colorados ficaram roendo unha apreensivos.

O tento de empate saiu aos 28 da etapa final e a virada somente aos 45, em uma jogada histórica e maravilhosa: a tabela de cabeça entre Escurinho e Falcão que terminou com um arremate de primeira do craque da seleção. Final: 2 x 1 e Inter classificado para a final.

Essa foi a melhor campanha de um time na história do Campeonato Brasileiro: o Internacional aproveitou 84,1% dos pontos disputados.