Você compete secretamente com sua parceira?

Temos uma cesta de revistas no canto da sala. Tem as minhas revistas de moda (porque dá para gostar de moda e não ser fútil!) e as revistas de áudio e fotografia dele.

Sempre gostei que as minhas revistas de moda ficassem por cima – como se isso importasse tanto assim, né? Sei lá, achava que deixava a sala mais feminina.

Vez ou outra eu mexia na cesta de revistas e colocava as minhas gloss à vista, enfiando as revistas com microfones na capa embaixo de todas as outras. Eventualmente as encontrava à vista de novo, até que desisti.

Graças a essa minha encrenca tão patética quanto secreta (porque jamais revelei a ninguém), refleti, ruborizando em frente ao espelho, sobre aqueles relacionamentos em que as pessoas vivem tentando colocar as suas revistas por cima, em todas as situações.

Relações que mais parecem olimpíadas do que casamento, em que um precisa ganhar mais, ter mais amigos, ser mais querido, mais inteligente, mais bonito, mais viajado. Em que um nunca vibra pelo outro (a menos que a vitória do outro seja menor que a própria vitória).

Relacionamentos deste tipo me assustam porque não dá para conceber uma relação competitiva em que haja apoio mútuo, em que um torça pelo outro, apoie, dê força.

Porque, por uma lógica simples, ou a gente torce ou a gente compete. Não dá pra ter os dois.

E se você não torce, não vibra, não apoia, não chega junto… Você não ama.

Pode até gostar um pouquinho, querer estar perto, ser perdidamente apaixonado e etc, mas amor não.

O amor não dá espaço para competições de almas pequenas. O amor é espaçoso, toma o lugar do rancor, da mágoa, da competitividade. Não sobra espaço.

O meu amor não compete. Ele assiste, aplaude, vibra. Misturei as revistas na cesta. Algumas manequins maquiadas misturadas às matérias sobre acústica.

Depois de uma longa reflexão sobre amor e revistas de moda, eu respirei aliviada: eu realmente só queria uma sala mais clean.