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Você conhece o primeiro smartphone do mundo, criado há 20 anos?

Pedro Cohn
Pedro Cohn Diretor de Negócios

Na sociedade em que vivemos, é difícil alguém não ter um smartphone. E não é apenas por capricho, mas o gadget se tornou essencial em nossas vidas profissionais.

Mas, como bem sabemos, nem sempre foi assim. Tanto é que o primeiro smartphone da história nem sequer fez sucesso.

Trata-se do Simon, um aparelho da IBM que começou a ser comercializado em 16 de agosto de 1994. Portanto, acabou de completar 20 anos.

O primeiro aparelho que uniu o serviço de telefonia celular à tecnologias de computação era um trambolho, naturalmente. Ele pesava 500 gramas e mal cabia no bolso de seus donos.

Naquela época não havia o termo smartphone ainda. Portanto, ninguém chamava o Simon assim e ele acabou sendo conhecido como o “primeiro e verdadeiro comunicador pessoal”.

E ele é tão importante para a história da tecnologia que o Museu de Ciência de Londres tem um exemplar do aparelho em exibição na ala da tecnologia. O histórico gadget fará parte da exposição “Era da Informação”, que abrirá as portas em outubro e contará com mais de 800 itens que construíram a comunicação nos últimos 200 anos.

A curadora Charlotte Connelly explica o porquê desse destaque todo ao Simon:

No início dos anos 90 os PDAs (personal digital assistant) estavam fazendo muito sucesso. Eram pequenos aparelhos que você carregava consigo, se conectavam a seu computador e faziam coisas que lhe ajudavam a gerenciar contatos e arquivar alguns documentos. Esse foi o primeiro aparelho a colocar essas duas coisas (o celular e o PDA) em uma mesma caixa e, ainda que não tenha sido um sucesso comercial por diversos motivos, ainda é o primeiro desse tipo.

Pois é, como Connelly registrou, o Simon não obteve sucesso nas vendas. Apenas 50 mil unidades do aparelho foram comercializadas.

O valor inicial era de US$ 899 (algo em torno de 1500 dólares hoje). Mas depois que a IBM viu que o negócio não ia bem, o preço caiu para US$ 599 (aproximadamente 950 dólares atualmente). Ainda assim diversas unidades ficaram empacadas e o triste fim foi a destruição, já que ninguém se interessava pelo smartphone (frase curiosa, não?).

Apesar do fracasso, o Simon apresentava algumas características interessantes, como o touch screen (tinha, inclusive, uma caneta para auxiliar no toque). Além disso, o equipamento possibilitava que seus donos tivessem acesso a calendário, agenda, calculadora, relógio, bloco de notas e permitia que eles até mesmo enviassem fax.

Só que essas ferramentas parecem não terem tido um apelo muito grande, já que dois anos foram suficientes para que o Simon desaparecesse. E isso muito por conta de suas limitações inconvenientes.

O aparelho tinha uma bateria que funcionava por apenas uma hora de ligação (e você reclamando) e especificações técnicas de fazer uma calculadora de escola se gabar: 1MB de RAM e um cartão de memória de 1.8MB.

Para termos de comparação, o iPhone 6 tem 1 GB de RAM e até 128GB de armazenamento interno.

Além disso, ele operava em apenas 15 estados americanos. Ou seja, os outros 35 ficavam apenas na vontade – ou não.

Mas, apesar de tudo, o Simon foi o pai de todos os smartphones. Ele foi o primeiro celular que aceitou o funcionamento de aplicativos, uma ideia genial.

Portanto, merece nosso reconhecimento nesse ano que marca as 2 décadas do surgimento de um conceito que mudaria o mundo.