Honra, coragem e compaixão: 9 ensinamentos do Bushido, o código samurai

Antes de mais nada, o que seria o Bushido?

Nada mais do que o célebre código de conduta estabelecido entre os samurais, nobres guerreiros do período feudal japonês, consistindo, nas palavras de Inazo Nitobe, erudito e diplomata japonês, em uma espécie de noblesse oblige da classe guerreira.

Transmitido oralmente ao longo dos séculos e manifestando uma forte influência budista e confucionista, conhecer o Bushido é fundamental a todo homem que se preze

E qual exatamente seria a sua importância para nós, leitores contemporâneos? Bem, ele não só nos auxiliará a compreender a cultura japonesa com maior precisão como também nos levará a entrar em contato com determinados conceitos – como a gentileza, a honra, a lealdade e o autocontrole – que muitas vezes deixamos de lado, mas que precisamos recuperar a todo custo.

Todos esses princípios estão ligados entre si. A lealdade não existe sem a honestidade, que por sua vez é degradada quando não se une à compaixão, que deve por ela ser temperada. Isso mostra que a união entre as qualidades é essencial, e que é só através da dominação de uma delas que temos capacidade de adquirir a outra.

Reunimos aqui alguns dos princípios essenciais do Bushido. Quanto mais conseguirmos transportá-los para todas as instâncias de nossas vidas, melhor.

A HONRA

O senso de honra, que implica na consciência de sua dignidade pessoal e de seu valor, é o que mais importa ao samurai, que deve estar ciente de seus deveres e privilégios.

Isso pode ser aplicado com perfeição às nossas vidas pós-modernas. Que conheçamos os nossos deveres e os nossos privilégios, os equilibremos de maneira adequada e, com isso, vivamos da maneira mais satisfatória possível.

A HONESTIDADE

A honestidade consiste no poder de agir segundo a razão, sem hesitar – morrer quando o certo é morrer, e lutar quando o certo é lutar.

Na contemporaneidade, podemos fazer uso da retidão em nossas vidas pessoais, como quando identificamos o momentos certo para encerrar um relacionamento romântico, e em nossas vidas profissionais, reconhecendo as medidas capazes de nos proporcionar maior êxito.

A CORAGEM

A coragem, irmã da honestidade, é uma característica que devemos cultivar a todo custo. Um ato de coragem, segundo um dos príncipes de Mito, é “viver quando é necessário viver, e morrer quando é necessário morrer”.

Isso significa que nem todo ato impulsivo é um ato de coragem. Embora muitos pensem que estamos sendo corajosos quando nos lançamos nos braços da morte, isso só será algo valoroso caso tivermos um bom motivo para fazê-lo.

Cultivar a coragem não é o bastante; devemos reconhecê-la e admirá-la nos demais. Há o exemplo de dois senhores feudais, Kenshin e Shingen, que lutaram por quinze anos. Ao saber da morte de seu rival, Kenshin chorou amargamente pela perda daquele a quem classificou como “o mais perfeito dos inimigos”.

A COMPAIXÃO

Vamos seguir a lógica confucionista. Se você cultivar a virtude, as pessoas o seguirão. As propriedades virão com essas pessoas. As propriedades o tornarão rico. A riqueza dará a  você o benefício de utilizá-la para propósitos elevados. “A virtude é a raiz, e a riqueza é a consequência”, disse o sábio chinês.

A compaixão, porém, não é incondicional. Para que seja útil, ela deve ser temperada pela gentileza e pela justiça.

A GENTILEZA

A gentileza, que consiste na manifestação da consideração pelos sentimentos daqueles que nos cercam, é a expressão máxima das virtudes sociais. Ela exige, segundo a especialista em etiqueta Florence Hartley, atenção especial às delicadezas e cerimônias que possuem a capacidade de satisfazer tanto ao próximo quanto a nós mesmos.

Para os samurais, a sua importância reside no fato de que o exercício progressivo das maneiras corretas faz com que as partes e faculdades de uma pessoa se harmonizem, o que expressa o mais completo domínio do espírito sobre a carne.

A ERUDIÇÃO

Poucas coisas são mais relevantes do que o conhecimento, desde que aquele que o obtém o assimile e o manifeste em seu caráter e em seus atos.

A SINCERIDADE

Com frequência, fazemos promessas que não temos intenção de cumprir. Em numerosas ocasiões, contamos pequenas mentiras – sob o pretexto de que são inofensivas e que não prejudicarão ninguém.

A um samurai, isso é vergonhoso. A “palavra de um samurai” era vista como algo sólido,  inquebrantável, tão valorosa quanto um contrato por escrito, ou ainda mais do que isso.

Diferentemente da doutrina cristã, no Japão feudal a mentira não era vista como pecado, mas como símbolo de fraqueza e covardia, o que era duplamente vergonhoso.

O AUTOCONTROLE

O autocontrole nasce da união entre a força moral, que exige a aceitação do sofrimento e da desgraça sem um único gemido, e a gentileza.

Quando não possuímos o mais perfeito autocontrole – que consiste, em resumo, na capacidade de não perturbar a serenidade alheia com a manifestação de nossas próprias dores e tristezas, assim como de calcular com precisão todos os nossos atos e palavras – corremos o risco de cometer os mais graves equívocos.

A LEALDADE

Os laços de lealdade são fundamentais em qualquer sociedade, mas sua função é ainda mais importante em um contexto violento, incerto e perigoso. Devemos lealdade àqueles que nos são preciosos, como os membros de nossa família e os nossos amigos, e àqueles que a quem nos comprometemos ser leais.