Por que todo homem deveria apoiar a igualdade dos gêneros

Mãe. Namorada. Irmã. Filha. Esposa. Amiga. Avó. Não importa o parentesco ou a relação. Todos nós, homens, temos as mulheres de nossas vidas. Em geral no plural. Ou às vezes no singular. Não importa o número. São aquelas mulheres que, só de imaginá-las sofrendo, isso nos faz sofrer tanto quanto.

Nós a amamos e faríamos de tudo para protegê-las. Mas a realidade é que nem precisamos ir tão longe assim. “Tudo” é uma palavra tão vaga quanto ampla. Se queremos fazer algo que realmente importa pelas mulheres da nossa vida, o caminho é simples: lutar pela igualdade do gênero.

As mulheres não precisam de nós, homens, para sustentá-las, protegê-las ou qualquer outra coisa da natureza. Elas são tão fortes e capazes quanto nós. Às vezes até mais. Por que precisariam disso, então? A única coisa que elas precisam — e merecem — é de uma sociedade igualitária. E nós, que estamos dispostos a fazer tudo por elas, nem isso estamos oferecendo.

Saiu hoje na “Folha de S.Paulo” uma pesquisa revelando que uma a cada três brasileiras foi vítima de violência no último ano. Os dados incluem “ser espancada, xingada, ameaçada, agarrada, perseguida, esfaqueada, empurrada ou chutada”. Como chegamos a esse ponto?

VIOLÊNCIA SEXUAL

Isso sem contar a violência sexual. Oficialmente, uma mulher é violentada a cada 11 minutos no país. E saiba que o número piora, porque ele só leva em consideração as mulheres que prestaram queixa à polícia. Segundo estudos, 90% das vítimas não fazem boletim de ocorrência. Conclusão? Provavelmente o dado real é quase um estupro por minuto.

Não bastasse essa realidade, algumas pessoas ainda insistem em culpar a vítima, que “usava um shortinho curto demais” ou “bebeu muito” ou “estava sozinha fora de casa tarde”. Como se liberdade fosse sinônimo de culpa.

Divulgação / Elle

Eddie Redmayne / Divulgação “Elle”

A mulher pode estar de vestido, roupa social, lingerie, burca, biquíni, pelada — não importa. A roupa não é um convite para o estupro. Tampouco ela estar bêbada ou na rua sozinha ou qualquer outro fator circunstancial. Existe um único culpado pelo estupro: o agressor.

Se os homens têm medo de serem estuprados na prisão, as mulheres têm esse medo o tempo inteiro. E isso mostra a sociedade opressora na qual elas vivem.

SEXISMO VS FEMININO

O sexismo também está presente no mercado de trabalho. Você sabia que as mulheres ganham em média 74,5% do salário dos homens, mesmo em cargos que são da mesma posição?

Muitos homens fazem careta ao ouvir a palavra “feminismo”. Mas não deviam. O feminismo não defende privilégios para as mulheres e, sim, a igualdade nos direitos. Não é pedir muito.

Está na hora de refletir sobre o machismo e de tomar uma atitude.

Um primeiro passo simples e eficiente, que todo homem pode colocar em prática ainda hoje, é aposentar as piadas e expressões machistas que às vezes usamos de brincadeira. Elas podem parecer inocentes, mas ajudam a perpetuar uma cultura que não deveria ter espaço em nossa sociedade.

Outro hábito que merece a aposentadoria imediata: as cantadas e secadas descaradas na rua. “Vocês, homens, nunca vão entender o medo de quando um carro começa a diminuir a velocidade e encosta para falar gracinha”, comentou uma garota no Twitter na época em que aquele estupro coletivo no Rio de Janeiro virou manchete.

Imagino que ninguém queira as mulheres da sua vida vivendo em estado permanente de medo e alerta, certo? Quer fazer algo significativo por elas? Lute pela igualdade do gênero. Elas merecem isso. E as outras mulheres do mundo também.