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sábado, julho 13, 2024
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10 sinais de depressão em crianças para ficar atento

Em 2021, uma parcela alarmante de 20% das crianças nos Estados Unidos na faixa etária entre 12 a 17 anos atravessou episódios graves de depressão. O semblante da depressão em crianças desenha-se com nuances distintas das vistas em adultos, reflexo das diferentes fases da vida.

“Tomemos como exemplo” propõe a Dra. Louise Metcalf, psicóloga e visionária à frente da Gheorg, associação de ajuda a crianças com ansiedade, “uma criança que outrora se deleitava em construir universos no Minecraft mas que, de uma hora para outra, perde o encanto pelo jogo. Se esta criança se mostra constantemente irritada, triste ou distante, estes são indícios concretos de que podemos estar diante de um quadro de depressão infantil”.

Outros sintomas que podem indicar a presença de depressão em menores incluem:

  • Uma queda inexplicável no desempenho escolar;
  • Relatórios de conduta negativa;
  • Lágrimas frequentes;
  • Retração do convívio social;
  • Alterações significativas no padrão de sono;
  • Expressões de inaptidão ou autoculpabilização;
  • Desinteresse por atividades acadêmicas, esportes ou hobbies antes prazerosos;
  • Inclinação ao uso de substância e a comportamentos de risco;
  • Manifestações recorrentes sobre morte ou suicídio;
  • Fugas;
  • Irritabilidade;
  • Variações no apetite.

Ademais, segundo a Academia Americana de Psiquiatria Infantil e Adolescente, é mais comum que crianças, em comparação a adultos, reportem queixas físicas, como dores de cabeça e estômago.

BARREIRAS AO RECONHECIMENTO DA DEPRESSÃO INFANTIL

Identificar a depressão durante a transição da infância já é, por si só, um desafio. Contudo, existem fatores adicionais que podem obscurecer o diagnóstico da depressão infantil. Cyrell Roberson, psicólogo escolar, aponta as disparidades culturais como um elemento influenciador na percepção e no reconhecimento dos sintomas depressivos em crianças:

Pesquisas indicam que a irritabilidade, frequentemente observada em adolescentes brancos, é comumente encarada como sintoma de depressão. Por outro lado, a mesma atitude em crianças negras é interpretada como disruptiva. Isso pode desencadear um sentimento de desesperança, visto que os problemas subjacentes não são devidamente identificados ou tratados.

QUAIS SÃO AS CAUSAS DA DEPRESSÃO EM CRIANÇAS?

A depressão é um distúrbio cerebral que envolve alterações na função e na estrutura do cérebro. Embora suas causas exatas permaneçam um enigma para a ciência, é um consenso que uma combinação de fatores genéticos, ambientais e psicológicos pode desencadear seu desenvolvimento.

A literatura médica registra casos de depressão em crianças com tão somente 3 anos de idade, embora a prevalência maior se dê entre adolescentes de 12 a 17 anos. Além dos fatores genéticos, certas circunstâncias podem ampliar o risco de uma criança vir a sofrer de depressão. Como aponta Metcalf:

Os gatilhos podem ser extremamente variados, tornando complexa uma explicação precisa; contudo, eventos traumáticos familiares certamente elevam as chances de ocorrência da depressão infantil.

Entre esses eventos, ela destaca:

  • Uma perda na família;
  • Situação de sem-teto;
  • Mudanças drásticas de moradia, como a busca por asilo;
  • Violência doméstica;
  • Abuso;
  • Bullying por parte de colegas.

Não apenas eventos de vida adversos figuram entre os possíveis catalisadores da depressão infantil. Estudos indicam que a condição pode ser mais comum em crianças que convivem com:

  • Uma visão de mundo naturalmente pessimista;
  • Problemas de sono;
  • Doenças crônicas, como diabetes;
  • Outras condições de saúde mental, como transtornos de ansiedade;
  • Uso de substâncias;
  • Uso de medicamentos.

A probabilidade de desenvolver depressão também é maior entre crianças que possuem um vínculo de apego inseguro com seus cuidadores primários. Conforme uma meta-análise de múltiplos níveis realizada em 2019, o apego inseguro a cuidadores emergiu como um preditor de depressão entre crianças. (Nota: temos um texto no El Hombre sobre estilos de apego).

O apego inseguro é um conceito psicológico que descreve relações entre crianças e cuidadores marcadas por ansiedade e incerteza, frequentemente provocadas pela ausência, distanciamento emocional ou abuso por parte dos cuidadores.

CONVERSANDO COM SEU FILHO SOBRE DEPRESSÃO

Se você está se perguntando quando é o momento adequado para conversar com seu filho sobre depressão, Roberson sugere que se faça as seguintes perguntas a respeito da criança:

  • Os dias ruins começaram a superar os dias bons?
  • Ele está sofrendo de insônia ou dormindo excessivamente?
  • Tem dificuldade para acordar para a escola?
  • Há evidências de pouca concentração em casa ou na escola?
  • Ele já não se interessa ou demonstra prazer nas atividades de costume?
  • Distanciou-se da família e amigos?
  • Existem mecanismos de enfrentamento mal adaptativos, como o uso indevido de substâncias?

Se a resposta para qualquer uma dessas perguntas for “sim”, talvez seja o momento de iniciar uma conversa sobre depressão. Pois, segundo Metcalf:

Os pais podem ajudam os filhos ao facilitar um ambiente confortável para que eles falem sobre seus pensamentos. Não evite o assunto nem mesmo se os pensamentos de seu filho forem sombrios. Diga a ele que é natural se sentir assim de vez em quando, mas que todas as emoções são passageiras.

Ela então sugere construir um ambiente acolhedor fazendo com que toda a família compartilhe três coisas boas que aconteceram naquele dia, ou três coisas de que gostaram naquele dia. Para o cuidador, ela recomenda fazer questão de incluir algo positivo sobre a criança que está experienciando depressão.

À medida que se torna confortável falar sobre pensamentos e emoções, abre-se a porta para que os cuidadores possam discutir sobre depressão.

OPÇÕES DE TRATAMENTO PARA A DEPRESSÃO EM CRIANÇAS

Conforme dados nacionais, apenas 60% das crianças que vivenciaram um episódio depressivo maior em 2021 receberam tratamento.

“Se seu filho apresentar sintomas persistentes de depressão que parecem simplesmente não desaparecer, busque sempre ajuda profissional. Tente não esperar mais do que um mês,” recomenda Metcalf. “Além disso, se seu filho expressar o desejo de terminar com a própria vida ou estiver se automutilando, não entre em pânico, apenas procure ajuda profissional o mais rápido possível.”

A depressão infantil e a depressão adulta são tratadas utilizando abordagens de psicoterapia e medicação. A psicoterapia, também conhecida como terapia de conversa, utiliza diferentes frameworks para abordar as causas subjacentes da depressão, ao mesmo tempo em que ensina as crianças maneiras eficazes de lidar com sentimentos negativos no dia a dia.

A terapia cognitivo-comportamental (TCC) e a psicoterapia interpessoal (IPT) são dois métodos terapêuticos comprovadamente eficazes no tratamento da depressão infantil.

Além da psicoterapia, os sintomas da depressão em crianças podem ser tratados com medicamentos como antidepressivos para ajudar a aliviar os sintomas incapacitantes.

COMO A DEPRESSÃO É DIAGNOSTICADA EM CRIANÇAS?

O que diferencia a depressão da experiência típica da infância é a duração dos sintomas e como eles impactam o dia a dia. Diferentemente das experiências cotidianas que causam flutuações emocionais, a depressão envolve mudanças debilitantes no pensamento e no comportamento que persistem por longos períodos.

Conforme o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, quinta edição, (DSM-5), o diagnóstico de depressão em crianças e adultos é estabelecido após a presença de 5 ou mais dos seguintes sintomas durante o mesmo período de 2 semanas:

  • Humor deprimido constante, que pode se manifestar como irritabilidade em crianças;
  • Diminuição constante do interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades;
  • Perda de peso significativa, que pode se manifestar como incapacidade de atingir o peso esperado em crianças;
  • Distúrbios do sono;
  • Inquietação ou lentidão no movimento físico;
  • Fadiga constante ou baixa energia;
  • Sentimentos constantes de inutilidade ou culpa inadequada;
  • Dificuldade de concentração e tomada de decisão;
  • Ideação suicida.

Para um diagnóstico, pelo menos um dos sintomas deve ser humor deprimido ou diminuição do interesse/prazer. Os sintomas devem causar prejuízo notável em áreas importantes do funcionamento e não podem ser atribuídos a outra condição ou substância.

Se seu filho apresentar sinais de depressão, considere buscar uma indicação para diagnóstico de um profissional médico qualificado, como um terapeuta, psicólogo ou psiquiatra.

Esse texto foi publicado originalmente no site PsychCentral.

Camila Nogueira Nardelli
Camila Nogueira Nardelli
Leitora ávida, aficcionada por chai latte e por gatos, a socióloga Camila escreve sobre desenvolvimento pessoal aqui no El Hombre.