Dura realidade: a carne processada oferece o mais alto risco de câncer

Thiago Sievers
Thiago Sievers Head de Parcerias

Está cada vez mais difícil enganar nossas consciências e degustar tranquilamente um bom bacon com salsicha no café da manhã.

Não é de hoje que a ciência vem armando seu arsenal contra o consumo de carne – mas é de hoje (mais especificmente de segunda-feira) que a Organização Mundial da Saúde (OMS), maior instituição sobre saúde do mundo, deu um duro golpe na dieta dos apaixonados por esse tipo de comida.

A entidade publicou um relatório essa semana afirmando que as carnes processadas como bacon, salsicha, linguíça, salame e presunto estão altamente ligadas à incidência de câncer.

E não é brincadeira!

Vinte e dois cientistas de 10 países se reuniram na Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), na França, para realizar uma grande revisão de estudos publicados nas últimas décadas relacionando carne e câncer.

Após examinar mais de 800 pesquisas, chegaram a conclusão que a carne processada tem altíssima ligação com câncer, principalmente câncer colorretal. A ligação é tão grande que eles incluíram esse produto no Grupo 1 de produtos cancerígenos, que reune aqueles que são sabidamente carcinogênicos.

Para você ter uma ideia, eis outros fatores que estão nesse grupinho: tabaco, amianto, exposição solar e fumaça de diesel.

Pesado, não?

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Isso não quer dizer necessariamente que bacon é tão ruim quanto cigarro – apenas que esses dois fatores ofereceram evidências fortes suficientes de estarem relacionados à doença.

E não pense que você precisa se entupir de carne processada para correr esse risco. Os caras falaram que 50g por dia pode aumentar o risco de câncer colorretal em 18%. Isso equivale a duas míseras fatias de bacon!

A grande diferença da carne processada para os outros fatores de risco do Grupo 1, no entanto, é que não precisamos excluí-la de nossas vidas. Tirá-las da rotina já é suficiente. Ou seja, vez ou outra pode desfrutar do prazer do bacon.

De acordo com dados da OMS, a carne processada causa cerca de 34 mil mortes por ano. Pois é, por essa a gente não esperava. Ainda assim, é bem menos do que o milhão de vidas que o cigarro encerra anualmente.

Quanto à carne vermelha, alerta amarelo. A revisão classificou-a no Grupo 2, onde estão os fatores provavelmente carcinogênicos. Isso porque eles não encontraram evidências seguras da relação carne vermelha x câncer. Mas…

Resumindo, senhores, peguem leve no bacon, presunto, salame e familiares. E se você tiver algum amigo inglês, passe essa notícia para frente, porque só no english breakfast o coração já pede arrego.