“Eu nunca treinei tanto fisicamente quanto para esse filme”

SAN DIEGO – O boa pinta Aaron Eckhart é o tipo de estrela de Hollywood que tem procurado um filme que para colocá-lo na lista de atores do classe A . Suas feições, covinhas no queixo e um sorriso brilhante foram derretendo corações femininos desde que ele interpretou o namorado motociclista de Julia Roberts em Erin Brockovich. Em seguida, o seu papel protagonista ao lado de Gwyneth Paltrow em Possessão era sua chance ao grande estrelato já que o filme foi aclamado pela crítica. Mas, apesar de papéis como Harvey Duas-Caras em O Cavaleiro das Trevas e como par romântico de Jennifer Aniston em O Amor Acontece, tem sido um trabalho árduo para Eckhart encontrar o papel certo que o colocará como um dos grandes de Hollywood

Seu próximo filme, no entanto, pode ser o que ele procura. Frankenstein – Entre Anjos e Demônios é o remake altamente aguardado do clássico de terror de Mary Shelley em que Eckhart assume o papel principal de uma forma que nunca tinha sido até então. Seu Frankenstein é simplesmente chamado de “Adão”, uma criatura em busca de sua alma em um mundo hostil .

“Esta é uma extensão muito diferente da lenda de Frankenstein”, diz Eckhart . “É sobre o bem e o mal, sobre um homem amado, não desejado e condenado a vagar pela Terra por toda a eternidade. É a história de um monstro em busca de seu propósito na vida e também à procura de amor. Ele está em uma jornada universal e vivendo em um mundo diferente. Tentamos manter os elementos fundamentais do livro de Mary Shelley”.

Não há parafusos ou crânio achatado no Frankenstein de Eckhart , embora há uma abundância de cicatrizes visíveis ao torso do homem-monstro para criar a ilusão de uma criatura formada de vários cadáveres.

Nascido no Vale do Silício, vindo de uma família comum, o ator acompanhou o início da era do computador e viveu praticamente toda a infância mudando de cidades por causa do trabalho de TI de seu pai.

Seu primeiro contato com o teatro foi quando ele estudava na Inglaterra, aos 14 anos. Em seguida viveu na Austrália, onde foi educado em casa. Aaron trancou a faculdade para surfar no Havaí e esquiar nos Alpes franceses, e ainda sonha em voltar para a França um dia para viver em Paris. Depois de seu período sabático surf/ski , Aaron voltou para os EUA para estudar na Universidade Brigham Young , onde conheceu o diretor Neil LaBute, que mais tarde deu a Eckhart seu primeiro grande papel no longa Na Companhia de Homens.

Eckhart mora em Los Angeles e se envolveu com a atriz/modelo Molly Sims por dois anos até se separarem em novembro de 2009. No verão passado, ele foi visto atuando como o presidente dos EUA no filme Invasão à Casa Branca. Eckhart divide seu tempo entre casas em Malibu, Beverly Hills, e um rancho em Santa Barbara.

Aaron, o que nesta nova versão da lenda de Frankenstein te conquistou para você fazer parte do filme?

Eu amei o jeito que Mary Shelley contou a história. Ela é baseada na graphic novel de Kevin Grevioux e coloca Frankenstein em território muito gótico, criando uma estranha metrópole europeia. A do filme nos leva do passado ao presente e, mesmo que seja uma releitura do romance, ainda é uma história sobre um homem à procura de amor. Ainda é Frankenstein. Mesmo que o personagem seja chamado de Adão, ele ainda é um monstro.

Adão tem o poder da fala?

Oh, yeah. Sim, e muito. (risos) Mesmo em Frankenstein de Mary Shelley, ele é muito inteligente e é muito sensível. Ele pega as coisas no ar e aprende rápidamente. Na verdade, ele se apaixona por uma das meninas. Ele está em sintonia com o que está acontecendo. Uma das maldições de Frankenstein é que ele está a vagar pela Terra por toda a eternidade. Então nós achamos que ele deveria aprender algumas coisas ao longo do caminho.

Seu Adão/Frankenstein é forçado a lutar contra demônios e outras criaturas. Você treinou duro para este filme?

Eu provavelmente nunca treinei tanto quanto para este filme. Passei seis meses fazendo um trabalho hardcore na arte marcial filipina de Kali e apanhei bastante quase todos os dias. Eu gosto e me orgulho de em boa forma física, mas eu tinha que aumentar meus limites para este filme de modo que não haveria nenhuma dúvida sobre a aptidão física de Adão.

Eu não quebrei meu braço como eu fiz trabalhando em Battle: Los Angeles, mas eu fiquei bastante machucado neste filme. Tenho 45 anos e não está sendo nada fácil fazer esse tipo de trabalho físico extremo. Mas eu amo o desafio e tinha grandes instrutore. Mesmo assim eu sinto que eu tenho sorte de estar vivo depois de fazer esse trabalho. É uma coisa muito perigosa.

Há algum parafusos a cabeça do seu monstro?

(risos) Não há parafusos, mas muitas cicatrizes em meu corpo. Adão é feito a partir de vários cadáveres, o que o deixa com várias cicatrizes e costuras.

Você já expressou um certo grau de frustração no passado por não encontrar os papéis certos?

Minha preferência é por intensas histórias dramáticas. Filmes sobre relacionamentos onde você começa a explorar as emoções humanas em bruto. Eu era capaz de entrar nessa, quando eu fiz Reencontrando a Felicidade (co- estrelado por Nicole Kidman)  há alguns anos e também com O Expatriado. Estou tentando produzir coisas diferentes para que eu possa ter mais controle sobre a visão da história e desfrutar de uma maior responsabilidade para o meu desempenho. Todo mundo tem certos papeis neste negócio e ter o poder de controlar o seu destino é uma coisa muito rara e preciosa.

Muitas vezes acontece de você adicionar elementos para o seu personagem que você sente que são extremamente importantes e quando você vê o corte final do filme esses aspectos são deixados de fora inteiramente ou são severamente diminuídos. Isso pode ser frustrante. Uma vez eu interpretei um personagem que deveria sentir claustrofobia e eu demonstrei ter medo em diferentes cenas do filme, mas eles editaram o material que teria explicado o porquê dele ser claustrofóbico. [Balança a cabeça e não fala o nome do filme em questão.] É por isso que eu quero produzir e dirigir, eventualmente, para que eu possa ter o poder de moldar a história do começo ao fim.

Muitos de seus diretores e co-estrelas têm notado o seu senso de dedicação e intensidade quando você está trabalhando.

Às vezes eu desejo que eu pudesse diminuir um pouco isso, mas eu não conheço nenhuma outra maneira de trabalhar. Eu tento fazer experiências com meu personagem para deixa-lo o mais real possível para mim, a fim de chegar em um lugar onde eu preciso estar quando trabalho em um filme.

Cada papel tem um significado e uma responsabilidade para mim. Mesmo que seja um sci -fi ou um filme de ação, em que tudo é maior que a vida, se um personagem morre é um evento sério que eu tenho que reagir a como se fosse real. Em Reencontrando a Felicidade em que o meu filho morre ou assistindo meu batalhão em Battle: Los Angeles, eu tenho que atuar com uma realidade emocional. Se o meu personagem é apaixonado, eu tenho que ter a sensação e a experiência necessária para torná-lo tão real quanto eu puder.

Todo esse processo chega a ser exaustante?

Chega sim, mas de um jeito bom. Essa é a alegria em ser ator e criar esses personagens. Psicologicamente, você precisa convencer a si mesmo que você vai ser essa pessoa nos próximos três meses. Quando eu estou interpretando um personagem desagradável em um filme, eu vou ser um cara muito desagradável enquanto estou fazendo o longa. Ao passo que se eu estou interpretando um cara muito legal, como eu fiz em Sem Reservas, tinham meninas no set que pensavam que eu era o homem perfeito, porque é isso que eu estava tentando ser no filme. E quando eu estava sendo o pai de luto em Reencontrando a Felicidade, eu sei que eu estava mais irritado e desagradável, porque eu estava absorvendo a situação daquele homem.

Como sua vida mudou desde quando era um jovem começando na carreira há vinte anos?

Ninguém escreveu um livro sobre ser um ator ou a maneira de se comportar para com seus colegas atores. Eu me sinto como se eu tivesse vivido muitas vidas desde então. O Expatriado, por exemplo, eu gostaria de poder fazer esse filme de novo. Eu cometi muitos erros e eu sinto que eu sou um ator diferente, eu sou um ator melhor hoje. Há muita coisa que temos que aprender para se tornar um ator profissional.

O que você acha que você aprendeu sobre si mesmo nos últimos anos?

Isso é uma evolução ainda mais complicada… Eu aprendi muito sobre mim e o que eu quero da vida. É um processo contínuo. Eu acho que, como eu estou ficando mais velho, estou começando a pensar mais seriamente sobre relacionamentos e encontrar a mulher certa. Eu tive alguns relacionamentos sérios, mas infelizmente eles não duraram muito. Eu acho que é difícil ser capaz de encontrar a mulher certa quando você está lutando para construir a sua carreira e muito de sua atenção está focada no trabalho. Pelo menos essa tem sido a minha experiência.

Você é do tipo romântico incurável?

Eu acho que estou me tornando mais romântico e fascinado pela arte e o processo de seduzir uma mulher hoje do que eu estava nos meus vinte anos. Eu acho que muitos caras jovens têm um ponto cego quando se trata de sentimentos das mulheres. Então, nesse sentido, é definitivamente verdade que os homens se tornam melhores amantes em seus trinta e quarenta anos, porque nós aprendemos muito mais sobre as mulheres.

Você viveu em muitos países diferentes quando estava crescendo e passou a sua adolescência morando na Inglaterra. Atuar era algo que você sempre quis fazer?

Não. Eu originalmente queria ser um compositor. Atuar foi algo que aconteceu naturalmente um dia. Certa vez, em vez de ir ao rugby eu ouvi falar sobre um teste para uma peça de teatro, Charlie Brown, The Doctor Is In, e eu ganhei o papel principal de Charlie Brown. Assim, a partir dos 14 anos em diante decidi que atuar era o que eu queria fazer, mesmo que por cinco anos em Nova York eu não tenha conseguido um trabalho nem na TV, em nada. Não deu certo até que quando eu fiz 28 anos e tive o meu primeiro trabalho como ator. E só aconteceu porque o meu amigo de faculdade Neil LaBute me pediu para estar na versão cinematográfica de sua peça. Minha carreira demorou até tomar forma.

É verdade que você gostaria de voltar a morar na Europa de novo?

Vinte anos atrás tive a oportunidade de passar algum tempo no sul da França e de conhecer Paris. Desde então tem ficado na minha cabeça a ideia de voltar e viver lá por um tempo.