O dedo mais rápido do Shopping Eldorado

Pedro Nogueira
Pedro Nogueira Editor-Chefe

Nunca corri mais do que 4 quilômetros na vida, sou um freguês eterno do meu irmão no kart e até mesmo em Need For Speed minha habilidade deixa a desejar. Mas, quem diria, após 26 anos sendo chamado de “marcha lenta”, “braço-de-ferro” e “canela chumbada” pelos meus adversários, descobri que não sou uma negação total no quesito velocidade. No autorama, pelo menos, consigo me virar.

A Gillette convidou o El Hombre para um duelo de autorama entre jornalistas, no último sábado. E apesar da minha capacidade automobilística deixar a desejar, eu era o único apto a acordar às 9h30 em pleno fim de semana para o embate.

Não pense você, no entanto, que sou um rapaz de hábitos saudáveis e diurnos. A explicação é outra: minha namorada foi para Londres fazer um curso de moda. Sem balada ou namorada para entreter minha noite de sexta-feira, restou a mim engatar numa maratona de Dexter no Netflix até cair no sono, antes mesmo da meia-noite.

Chegando ao Shopping Eldorado, o palco da disputa, fiquei surpreso com o tamanho do autorama; calculei algo em torno de 5×8 metros. Pois é. Se você é do tipo que acha que autorama é coisa de criança, ficaria em choque ao ver aquela máquina. Definitivamente, é um brinquedo de gente grande.

O grid era formado pelo elegante Guilherme Marques (Cotidiano Masculino), os velozes Rodrigo Caminitti e Lucas Daniel (New Race), o popular Jorginho Cury (Felix Amargo) e o temido Ciro Junior (Ketchum), além deste que vos escreve.

E há de fazer-se um parêntese para o nosso treinador, Santiago Vicente, dono da maior empresa de autorama da América Latina (Slot Car) e campeão da modalidade no Brasil em diversas ocasiões. Ele nos deu dicas valiosíssimas para a corrida, sem as quais provavelmente meus colegas e eu ainda estaríamos até agora suando para manter o pequeno carro na pista.

As regras do duelo eram, segundo Santiago, as mesmas do campeonato brasileiro. Seriam 8 corridas de 5 minutos cada, com os corredores se revezando pelas 8 pistas (ou fendas, na gíria do esporte) do circuito. Quem desse mais voltas ao final desta intensa epopeia ficaria com a glória na frente de uma exaltada torcida formada por 17 transeuntes do Shopping Eldorado.

Para a decepção do povo, que gritava “Ciro, Ciro, Ciro” a plenos pulmões, o representante da Ketchum teve problemas técnicos (cof, cof) desde a primeira corrida e nunca saiu da última posição da tabela. Jorginho também não fez jus a sua pinta de Fernando Alonso, mas o público feminino não ligou para seus resultados anêmicos e o assediou sem parar durante o evento inteiro.

E como a equipe do New Race parecia mais interessada na parte técnica daqueles pequenos carrinhos, que tinham a forma de uma caixa de gilete e chegavam a 60 km/h, o caminho ficou aberto para Guilherme e eu disputarmos a vitória curva a curva.

Na primeira etapa, houve um empate com 72 voltas exatas para cada. Depois pulei à frente e assim fiquei até a quarta corrida, quando peguei a fenda roxa e tomei um ferro de proporções homéricas. Meu rival assumiu a ponta e a segurou até a última batalha. Mas para ele fechar com o título, ainda precisava passar pela temida pista roxa.

Sua vantagem era substancial. Mas numa manobra digna de Dick Vigarista, subornei a organização do evento, com a promessa do telefone das nossas Timeline Girls, para colocar Ciro ao lado dele. Não deu outra. Num intervalo de 5 minutos, Ciro, conhecido nos bastidores do automobilismo como “O Urso da Nova Zelândia”, pela ferocidade com a qual pilota, saiu da pista 39 vezes e repetidamente arrastou meu rival para a área de escapa junto dele.

Resultado? O ouro – em formato de uma mochila cheia de giletes – nas até então vazias prateleiras do El Hombre, que tinham apenas uma velha medalha escolar de “fair play“ conquistada bravamente pelo nosso programador Tiago Tadeu, por perder com extrema classe e elegância o campeonato de braço-de-ferro da sua escola em 1996 na primeira rodada para uma menina de 1,47 metro.

Apenas não procure pelo hashtag #GoHombre nas redes sociais, pois infelizmente não conseguimos emplacar a ideia. Ainda.

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Brinquedo de gente grande
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Da esquerda: Jorginho, Ciro, Pedro, Guilherme, Lucas e Rodrigo
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Carol Gargione, da P&G: “Levem uns giletes extras, porque vocês estão precisando”
O Shopping Eldorado foi o palco desta épica batalha