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Por que abolir as carnes da dieta?

Thiago Sievers
Thiago Sievers Head de Parcerias

Sem medo de ser repetitivo, viemos falar de vegetarianismo. Muitos têm deixado de comer carne pelos mais variados motivos – da compaixão pelos animais até o “ah, sei lá”. Se até hoje você não simpatizou com a ideia, leia o texto e conversamos no final.

Nutrição deveria ser uma matéria integradora do currículo escolar. A alimentação é um fator determinante para a saúde. E disso ninguém tem dúvida.

Mas qual a porcentagem das pessoas que têm o conhecimento de como preparar uma dieta balanceada para o dia a dia? Quem vai atrás desse tipo de informação? Quem, quando chega em casa cansado, não prefere preparar um miojo em vez de uma sopa de legumes rica em nutrientes?

Ser saudável dá trabalho. Mas não vale a pena dividir as energias que empregamos em nossa carreira para, quando as coisas darem certo, termos saúde para usufruir dos resultados?

Apesar da dieta vegetariana estar em voga, ela passa longe de ser uma novidade na história da humanidade. Se existe alguma inovação nos costumes alimentares dos seres humanos, com certeza é a adição da carne ao cardápio, pois o homem só teve condições de consumi-la em grandes quantidades depois de descobrir o fogo e de inventar instrumentos de caça como a lança. Antes disso,  para experimentar um bifinho tinha que dar sorte de encontrar uma carcaça velha pelo caminho.

Saindo da Pré-História e passando pela Idade Antiga, Média e Moderna, encontramos, com enorme facilidade, inúmeros exemplos de culturas vegetarianas que vão de crenças religiosas ao racionalismo filosófico: os egípcios, a sociedade indiana de antes de Cristo, alguns filósofos gregos tal qual Pitágoras, Leonardo Da Vinci durante o Renascimento. Essas são apenas algumas citações de povos ou personagens que já optavam pelo cardápio vegetariano.

Com o tempo a carne passou a ser adotada por mais e mais pessoas e chegou ao ponto de parecer estranho alguém dizer que não come nem um filezinho de peixe. O que dizer, então, daqueles que não ingerem qualquer alimento que provenha de animais, como leite ou ovos (os veganos)? Esses foram (e muitas vezes ainda são) vistos como aberrações.

Contudo, o vegetarianismo voltou à popularidade e discussões apareceram à cerca do assunto. A principal delas é sobre o aspecto nutricional dessa dieta.

Muitos afirmam que a falta de carne nas refeições nos torna carentes de certos nutrientes, principalmente da vitamina B12, necessária para o bom funcionamento do sistema nervoso. Mas todos os argumentos contra essa opção de alimentação têm ido por água abaixo. Estudos vêm mostrando que uma dieta vegetariana bem equilibrada pode suprir o nosso organismo de todas as suas necessidades – mas é importantíssimo que ela seja levada a sério e que seja feita com acompanhamento profissional, ou, no mínimo, depois de muita pesquisa e estudo. Não o faça com levianidade (conselho para qualquer tipo de alimentação).

Seguem dois fortes motivos para se tornar vegetariano.

1. A Saúde

O The China Study foi um estudo publicado em 2005 pelo Ph.D Colin Campbell e seu filho Thomas Campbell, descrito pelo New York Times como o “grand prix”da epidemiologia.

Durante mais de vinte anos eles visitaram 2 400 municípios na China e 880 milhões de pessoas para pesquisar sobre a influência da alimentação de origem animal na saúde dos seres humanos. “As pessoas que mais têm doenças crônicas, são as que mais se alimentam de comidas providas por animais”, diz Colin, “e as pessoas que mais se alimentam de comida vegetariana são as mais saudáveis e tendem a evitar doenças crônicas. Esses resultados não podem ser ignorados”.

Não podem mesmo. Os estudos concluíram  que as dietas ricas em proteína animal têm grande ligação com doenças cardíacas, câncer e diabetes. Associações como a American Dietetic Association (Associação Dietética Americana) e a Dietitians of Canada (Nutricionistas do Canadá) também confirmam que uma dieta vegetariana bem equilibrada são adequadas em termos nutricionais e podem prevenir e até tratar doenças.

Apesar de ter muita credibilidade, há aqueles que colocam o resultado do The China Study em cheque. Longe de ter o peso de um The New York Times, mas com uma claridade de idéias impressionante, a americana Denise Minger fez um post em seu blog questionando as afirmações feitas pelos Campbells. E a mulher não é mole.

2. A consciência

Em 2012 aconteceu a Francis Crick Memorial Conference em Cambridge, Inglaterra, e lá foi assinada uma declaração que afirma existir consciência também em animais que não da espécie humana.

Cientistas de renome – entre eles o maior, Stephen Hawking – estavam lá e disseram que mamíferos, aves e também polvos são capazes de perceber o mundo à sua volta. Se a desculpa que você usa para comer carne é a de que os animais não têm noção de si no mundo, ela acabou de cair.

Quando se fala em abolir a proteína animal do cardápio, a primeira coisa que vem à mente é em substituí-la por proteína de soja. Isso está certo e tem mesmo de ser feito. Mas perceba que, deixando de comer carne, não é só a proteína que tem de ser reposta, e por isso a necessidade de equilibrar o cardápio com grãos, verduras e legumes.

E não coma carne de soja feito um maluco, achando que está mandando bem – isso pode ser prejudicial à saúde. A Universidade de Loma Lima desenvolveu uma pirâmide alimentar para os vegetarianos que funciona da seguinte maneira:

 

Vegana: calorias/dia1600 kcal (porções)2000 kcal2500 kcal
Grãos Integrais5712
Legumes e Soja333
Vegetais689
Frutas344
Nozes e Sementes222
Óleos Vegetais122
Produtos Laticínios000
Ovos000
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Vegetariana: calorias/dia1600 kcal (porções)2000 kcal2500 kcal
Grãos Integrais569
Legumes e Soja333
Vegetais689
Frutas344
Nozes e Sementes112
Óleos Vegetais122
Produtos Laticínios222
Ovos1/2 ovo1/2 ovo1/2 ovo
DocesOpcional

 

Se estamos próximos de te convencer, ou pelo menos de fazê-lo pensar no assunto, tenha ciência de alguns pontos importantes sobre a dieta vegetariana:

  • A Vitamina B12, importante em funções como a formação do sangue e manutenção do sistema nervoso, é encontrada somente em produtos de origem animal (leite de vaca, ovo) e não é fornecida por vegetais ou grãos. Para repô-la utilize-se de alimentos enriquecidos ou suplementos
  • Não deixe faltar também cálcio (leite, folhas verdes, tofú, amêndoas, iogurte, queijo), ferro (espinafre, feijão, lentilha, pão integral) ômega 3 (linhaça, soja, nozes), zinco (cereais integrais, pinhão, castanha do pará, nozes, ervilha) e Vitamina D (10 minutos de sol por dia – é sério)
  • Elimine o consumo de carne progressivamente e não de uma única vez
  • Faça exercícios físicos e não se esqueça de tomar água: dois fatores que auxiliam a dieta na obtenção de uma boa saúde

Neste artigo você encontrará uma boa orientação sobre o vegetarianismo, inclusive para todas as fases da vida. Ele também te guiará para que possa encontrar, nos alimentos que não provém de fonte animal, cada nutriente que nosso corpo precisa, e a quantidade de alguns ingredientes que correspondem a uma porção. É só não ter preguiça de lê-lo.

E aí, alguma novidade nos seus impulsos instintivos, T-Rex?