“Viagra feminino” está próximo de ser aprovado nos Estados Unidos

Thiago Sievers
Thiago Sievers Head de Parcerias

Broxar não é exclusividade masculina. As mulheres, com frequência, se sentem desinteressadas quando estão na cama com um homem. A diferença é que sem ereção não há transa – mas sem lubrificação pode haver. Não sem sofrimento para elas, vale notar.

Seja por isso ou por outros motivos, a real é que existem dezenas de medicamentos para auxiliar o homem a ficar em condições ideais no momento da transa e nenhum para as mulheres.

Mas essa situação pode estar para acabar.

Semana passada um comitê consultivo federal dos Estados Unidos recomendou que a FDA (Food and Drug Administration, órgão que regula legalmente alimentos e medicamentos) aprovasse a flibanserin, droga que estimula a libido da mulher.

A flibanserin já tentou aprovação em duas oportunidades anteriores e foi negada. Nessa terceira, contudo, o caminho parece ser outro – e mais esperançoso. A votação terminou com um resultado de 18-6 pró aprovação da droga.

O argumento em favor da flibanserin é auxiliar as mulheres que, mesmo fora da menopausa, têm baixo interesse sexual. E esse número não é baixo: cerca de 40% apresenta algum tipo de hipoatividade sexual.

A flibanserin não age exatamente como o viagra, por isso o termo “viagra feminino” é apenas um apelido. Enquanto a medicação voltada para nós age diretamente na ereção, aumentando o fluxo sanguíneo no pênis, a droga em questão atua no cérebro das mulheres, mais especificamente na região frontal, aumentando o fluxo local dos neurotransmissores dopamina e norepinefrina, que estão envolvidos no mecanismo dos desejos sexuais.

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A medicação vem mostrar também uma questão importante: se o problema de baixo desejo sexual feminino é neurológico, então nem sempre a mulher está de frescura quando recusa sexo. Cindy Whitehead, co-fundadora da empresa que fabrica o remédio, defende essa ideia: “Nós reduzimos todos os problemas na cama para mulher ao psicológico, e para o homem ao biológico”.

Parece que não é bem assim que as coisas funcionam. Há mais profundidade nessa história.

O resultado final da aprovação (ou não) da droga sai em agosto. Se receber sinal verde, realmente a flibanserin auxiliará muitas mulheres. Mas também há o lado alarmante de abuso da substância. Certamente haverá garotas que utilizarão a droga sem a verdadeira necessidade – como acontece com o viagra.

Mas aí é outra história.

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