“Eu acabei de realizar o meu sonho, todos precisam acreditar nos seus”

Ele é o número 1 dos “normais” do tênis de duplas.

Melhor duplista da história do Brasil (com a conquista do 3º lugar no ranking mundial), ao lado de Bruno Soares, e recente campeão de Roland Garros, o mineiro Marcelo Melo conversou, com exclusividade, com o El Hombre.

No bate-papo, ele traçou mais uma meta para sua carreira e se disse pronto para o aumento de pressão em cima de suas atuações em virtude da conquista do título de Grand Slam conquistado em Paris.

Junto com o parceiro croata Ivan Dodic, Marcelo Melo, 31 anos, deu um grande salto na sua carreira após a conquista de Roland Garros no último dia 6 de junho.

Os dois venceram a melhor dupla de todos os tempos do tênis– os irmãos Bryan. Hoje ele está apenas atrás dos Bryans (que Marcelo considera “de outro planeta”) no ranking.

A gloriosa conquista dá a Melo confiança para conseguir subir ainda mais no ranking mundial dos duplistas e, sobretudo, conquistar o ouro olímpico, em 2016, ao lado do compatriota Bruno Soares.

“Ganhar o ouro passou a ser mais uma grande meta na minha carreira. Será fantástico conquista-la no Brasil”, disse Marcelo. Confira a entrevista:

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Quando você começou a jogar, sonhava com o título de Roland Garros? Em algum momento da carreira chegou a pensar que seria impossível?

Eu sempre sonhei em ganhar um título de Grand Slam. Dos últimos anos pra cá, isso passou a ser minha principal meta da carreira, muito pelos resultados que vim conseguindo no circuito. No segundo seguinte após ganhar o título, não acreditei que tinha finalmente alcançado. Foi uma sensação muito louca. Sempre acreditei que tinha capacidade de vencer, mas quando ganhei, não acreditei que havia chegado lá. É inexplicável, a ficha ainda está caindo.

O quanto ter o seu irmão como treinador ajuda, já que consegue agregar o elo familiar ao seu trabalho? Acontecem brigas? Como é o dia a dia de relacionamento com ele? Quanto ele também foi importante para sua conquista em Paris?

Faz uma diferença enorme. Ele me conhece, sabe como me explorar nos treinamentos. Se não estou legal, sabe dosar, mas também tem intimidade suficiente para me cobrar quando não estou no nível de concentração correto. Como todo irmão, há discussões, mas elas são poucas. Se ele acha que não estou levando um treino a sério, por exemplo, ele me dá uma boa chamada. O título representa muito para nós dois. Ele tem um trabalho fundamental na minha evolução. Só tenho a agradecê-lo por tudo o que tem feito por mim.

Vencer os irmãos Bryan na final deu um gosto a mais para a conquista?

Com certeza. Eles são a melhor dupla da história, dificilmente vacilam ou dão oportunidade para os adversários. Perdemos por detalhes no ATP Finals, mas conseguimos nos recuperar agora em uma vitória que valeu o título do nosso primeiro Grand Slam. É algo para ficar marcado na história.

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Está pronto para o aumento de pressão por novos títulos, a partir de agora, dos torcedores brasileiros?

Sem dúvida. A partir de agora a cobrança será muito maior, mas prefiro levar pelo lado positivo. Esta conquista aumentou nossa confiança. Ivan e eu jogaremos muito mais soltos, tranquilos, sem pressão.

Você é, ao lado de Bruno Soares, o brasileiro duplista a atingir o melhor ranking mundial (3º lugar). Acredita que pode mais? E conquistar o segundo (ou até mesmo o primeiro lugar) dos irmãos Bryan no ranking mundial?

Se considerarmos que os Bryan são de outro planeta, extraterrestres, sou o número 1 dos normais! Rs. O circuito de duplas está bastante mudado, muitas duplas estão surgindo e neste ano não há uma hegemonia. É um objetivo possível, mas que terei muito trabalho e precisarei de resultados ainda mais expressivos para chegar lá.

Você é atualmente el hombre do tênis brasileiro. O que muda ou acredita que mudará na sua vida daqui em diante?

Tem mudado muita coisa, desde o contato com a imprensa até com pessoas que não conhecem o tênis em geral, mas que viram algo sobre minha conquista e passaram a conversar comigo. Espero que este título vire um legado para o tênis brasileiro, que mais pessoas possam praticar o esporte e que elas continuem acreditando em seus sonhos. Eu acabei de realizar o meu sonho. Todos precisam acreditar.